Ao Papa, sem carinho

Enquanto o Papa humilde falava das coisas do espírito no seu discurso de chegada, com a simplicidade do poverello di Assisi que inspirou a escolha de seu nome, a presidente Dilma discorria longamente sobre os rios de leite e mel que começaram a escorrer pelo Brasil durante os dez anos de governo de seu partido. Continue lendo “Ao Papa, sem carinho”

Lula de volta

Longe do ringue desde o quase nocaute desferido pelo escândalo Rosemary Noronha, e mais sumido ainda depois das manifestações juninas, o ex-presidente Lula reapareceu. E, ainda que zonzo, sentindo o golpe de não ser mais a voz máxima das ruas, reencontrou-se com o seu melhor estilo: o de reinventar a história. Continue lendo “Lula de volta”

Dinheiro e arte

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O pro­du­tor Samuel Goldwyn nunca ima­gi­nou que do ameno céu de Los Ange­les desa­basse uma tem­pes­tade daque­las. Fizera o melhor, como a tanto o obri­gava dinheiro e arte. Vira uma peça da escri­tora comu­nista Lil­lian Hell­man e gos­tou. Continue lendo “Dinheiro e arte”

Os donos do povo

Donos das ruas, dos movimentos sociais, da esquerda, do “progressismo” e do “politicamente correto”, o PT e seu governo se vêem cada vez mais enrascados por atos que chamam de espontâneos, que repudiam seus cabrestos. Continue lendo “Os donos do povo”

As gravuras rupestres de Hitchcock

zzzzzhitchNunca fui a Alta­mira ou às gru­tas de Chau­vet. Tal­vez Hit­ch­cock tenha visi­tado esses museus rupes­tres de tou­ros e feli­nos. Tal­vez a cruel ino­cên­cia dos seus olhos de filho de mer­ce­eiro inglês se tenha espan­tado com as pin­tu­ras de leões e bisontes. Continue lendo “As gravuras rupestres de Hitchcock”

Fera ferida

Desde que a inflação começou a mostrar dentes cada vez mais afiados e o incômodo grito de descontentes tomou as ruas, tornou-se praticamente impossível manter os disfarces que encobriam o autoritarismo e a soberba da presidente Dilma Rousseff. Continue lendo “Fera ferida”

O improvável mecenas

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Eu quero bem que as ves­tais se lixem: a arte deve muito ao crime, à Mafia, a ban­di­dos sór­di­dos que, de repente, têm os seus momen­tos de non­cha­lance. Pelo menos o cinema deve. O cinema ame­ri­cano como o cinema euro­peu. Exceptue-se o actual cinema ale­mão… mas quem, em nome de Cristo, quer saber alguma coisa do actual cinema alemão? Continue lendo “O improvável mecenas”

Pelo nosso contentamento

Shakespeare inicia seu pungente Ricardo III com os versos “Now is the winter of our discontent / Made glorious summer by this Sun of York“. Nossos jovens, poetando pelas ruas do Brasil, cantam outros versos: “Este é o inverno de nosso contentamento/ tornado glorioso pelo sol de nossa dor”. Continue lendo “Pelo nosso contentamento”

Quem dá bola é o voto

Não, senhores, vocês entenderam tudo errado. Ou fingiram que entenderam tudo errado.

O povo não foi às ruas incendiar ônibus, queimar cabines de pedágio, depredar lojas e nem cantar o Hino Nacional porque queria o voto distrital misto ou porque não pode viver sem o voto em lista ou porque quer cláusulas de barreira para que partidos políticos tenham existência legal. Continue lendo “Quem dá bola é o voto”