Pelo nosso contentamento

Shakespeare inicia seu pungente Ricardo III com os versos “Now is the winter of our discontent / Made glorious summer by this Sun of York“. Nossos jovens, poetando pelas ruas do Brasil, cantam outros versos: “Este é o inverno de nosso contentamento/ tornado glorioso pelo sol de nossa dor”.

Bem, ainda não é. Mas será. Os ouvidos oficiais podem ser moucos por algum tempo, mas não para sempre.

Faz um mês que o Brasil está em ebulição a pedir o que lhe é devido. Nos primeiros dias pensei que o susto dado em Brasília e seus satélites levaria – chegaram todos a ficar com o semblante desfeito – ao início das soluções de nossos problemas. Mas qual…

Das ruas não se ouviram pedidos por constituintes, plebiscitos ou similares. O que vemos nos mais variados cartazes são pedidos por uma vida melhor e utilização honrada dos impostos pagos. Como um brado resumido neste cartaz:

zzzzzzzzzcartaz

Reuniões houve. Latinório também. Mas tente fazer um resumo do que leu ou ouviu dito por nossas autoridades e veja no que deu: em nada.

Provas? O táxi-aéreo da FAB. A FAB do Senta a Pua! agora leva namorados e famílias de Natal ao Rio; ou convidados de Brasília a um casamento em Trancoso.

Sem querer, descobrimos que nem só os ex-desvalidos recebem um Bolsa-XXXX. Os poderosos têm o Bolsa-FAB. E talvez outras bolsas pois não nos foi explicado, nem a imprensa perguntou, onde foi que as sete criaturas de Natal se hospedaram, onde almoçaram e jantaram, que tipo de ingresso tinham para o jogo, como chegaram e saíram do Maracanã, quem os buscou e levou ao Galeão.

O ensaio de explicação dado pelo Alves da Câmara– almoço com o prefeito do Rio justo na véspera do jogo Brasil x Espanha! – é um tapa em nossa cara. Aliás, isso merece outro cartaz: chega de reuniões e palestras com tudo pago justo nas sextas ou quintas na cidade que interessa ao parlamentar ou ao palestrante passar o fim de semana.

Devo fazer a justiça de dizer que o Alves da Câmara fez uma conta de chegar e diz que vai pagar… as passagens!

Já o Calheiros do Senado foi a um casamento na Bahia, não sabemos de quem. E lá nos interessa saber de quem? Claro que sim. Se pago o transporte e nem ao menos como um bolinho de queijo, tenho o direito de saber quem se casou e mereceu a presença dessa figura.

Que já disse que não paga. É usuário do Bolsa-FAB e pronto.

Enquanto isso, Lula, o Arredio, desaparece. Sempre soubemos que ele não é um bom amigo. Largou Dirceu no pântano e sem Dirceu ele não seria presidente nem do Corinthians. Agora, largou dona Dilma na boca do vulcão.

Dela não falo. Penso que não compreendeu nada. Desconfio que se surpreendeu com o amigo da palavra fácil e coração de pedra. E isso dói.

Resta desejar força à meninada. E que não esqueçam os dois defeitos abomináveis do Lula: é ingrato e é pusilânime.

São meus votos.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 5/7/2013.

3 Comentários para “Pelo nosso contentamento”

  1. Boa Leninha. Não esquecer que o ministro Joaquim, tão cioso do dinheiro público, usou o bolsa-TAM, e foi ver o Brasil ser campeão no saudoso maraca, no caldeirão do Hulk, ao lado da bela Angélica.
    A meninada não deve esquecer do do Lula ingrato e é pusilânime.E traidor.

  2. Discordo, NOSSO MEDO. Estão querendo comparar alhos com bugalhos porque Joaquim é muito visado pela guerrilha petista que senta praça na internet e em algumas redações. Renan, alagoano, voou em avião da FAB para um casamento na Bahia; Henrique Alves, potiguar, voou de FAB para ver jogo no Maracanã. E parece que deram carona para familiares e convidados. Injustificável, claro. Mas Joaquim não viajou para assistir jogo. Joaquim mora no Rio e há 10 anos, desde que tomou posse, viaja todos os fins de semana de volta para a sua residência, em aviões de carreira, utilizando a cota legal de passagens do STF. Naturalmente, estando na cidade onde mora, se Joaquim quiser ir ao cinema, à praia ou ao futebol, não estará fazendo nada de errado. Todos os Ministros do STF têm cota anual de passagens para se deslocar para os Estados onde residem. Alguns deles, inclusive, residem também no Rio. Mas parece que ir ao Maracanã no dia de folga virou pecado para Ministros que condenaram mensaleiros. Se Joaquim tivesse voado às custas do erário para ver jogos em Recife, Salvador, Fortaleza ou BH, onde não reside, seria um abuso. Mas a sua ida para o Rio é rotineira, normal e legal. Aliás, frequentemente se vê imagens nos jornais e na TV de Joaquim andando pelas ruas do Rio e até sendo aplaudido. Todos os deputados e senadores cariocas, pernambucanos, cearenses, baianos e mineiros voaram nas mesmas condições para suas cidades em todos os finais de semana, inclusive durante o período da Copa das Confederações, realizada nesses Estados. E muitos deles devem ter ido aos jogos, o que de maneira nenhuma fere a etica.
    Atenção, Ministros do STF que votaram pela condenação de mensaleiros, quando estiverem de folga no Rio optem por visitar a sogra!

  3. Acreditar em jornais golpistas gera avaliações incorretas. O ministro Joaquim mora no Rio perto do Maracanã. Pelo jeito era assíduo frequentador do velho estádio. Retomou seus hábitos agora em padrão Fifa!
    Falando em moradia a Folha de São Paulo noticia que o austero Ministro JOAQUIM Barbosa recebeu R$ 580 mil em benefícios atrasados.Trata-se de legal auxílio moradia.
    O STF informou que “o presidente esclarece que não recebeu nada ilegal, e nada além do que foi recebido por todos os membros do Judiciário do país, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União”.
    Tudo dentro da legalidade, pois!

    Procuro andar direito e ter os pés no chão
    Mas certas coisas sempre me chamam atenção.
    Me diga amigo meu.
    Será que tudo que eu gosto.
    É ilegal, é imoral ou engorda

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