E não é que Lula acertou?

Lula, ao comentar as manifestações, disse que elas são a consequência das mudanças sociais realizadas pelos governos do PT: “Isso é resultado do que foi feito nesses 10 anos”.

Como sempre, ele entende muito melhor as massas do que qualquer outro.

E está, mais uma vez, certíssimo. Tudo que estamos vendo nas recentes pesquisas é resultado dos dez anos de PT, da gestão de Lula, Dilma e companheiros. Não resta a menor dúvida.

Só que nem todas as mudanças sociais são boas, algumas podem até ser péssimas, como a História já nos mostrou diversas vezes.

Claro está que nunca fomos um país perfeito, completo e acabado. Nenhum é. Mas se já tínhamos pouco, o PT desmontou o que tínhamos.

Carlos Lacerda, o inimigo dos que só sabem pensar com metade da cabeça, foi o primeiro governador eleito do Estado da Guanabara (antigo Distrito Federal). Sem exagerar muito, mas o que esta cidade tem de bom e que mais se aproximou do século 20, foi feito por ele.

Seu secretariado era de primeira linha. A escola, no tempo de Professor Flexa Ribeiro, não era risonha e franca. Era séria e ensinava. A Saúde, no tempo do Doutor Marcelo Garcia, funcionava. Um exemplo que me é mais próximo: o Hospital Miguel Couto, no Leblon. Qualquer emergência, de qualquer um dos moradores lá de casa, era para lá que íamos.

Pois bem, Lacerda, assessorado pelo Dr. Nova Monteiro, que dirigia o hospital, criou o seguinte: o doente chegava e era atendido no que necessitasse. Depois, perguntavam a ele ou a um seu responsável se podia pagar pelo material usado. Podia? Então pagava e lhe entregavam um recibo. Não podia? Nada mais lhe era perguntado.

Torneiras que abriam e jorrava água, túneis ligando a Zona Norte à Zona Sul, parques, iluminação, casas populares, e uma coisa que nunca mais vi: o Governador apresentar na TV e no rádio, com frequência, uma explicação de tudo que estava fazendo e quanto estava gastando. Isso foi, em síntese, o governo Lacerda.

Dez anos de lulo-petismo e o que vimos? O país reviravoltado de norte a sul. Para mim, uma dupla alegria: ver a meninada nas ruas entusiasmada e determinada. Seus cartazes são um pouco do samba do crioulo doido? São. Mas é que os problemas são tantos que a impressão que dão é de falta de rumo. Não é não.

São o grito preso na garganta, a vontade de berrar em alto e bom som o que falta em minha vida, em minha rua, em meu bairro, em minha cidade, em meu estado, em meu país!

Essa é a maior alegria. A segunda, e confesso também muito grande, são os anos em que apanhei ao publicar meus textos e ser malhada de tudo quanto é jeito apenas por criticar o que o PT tem de criticável e que agora inunda as ruas.

Com raríssimas exceções, argumentos bem fundamentados contra o que os articulistas dizem, é um sonho. Petista de truz gosta é de xingar quem escreve de tucana! Não sabe o que dizer? Ofende.

E qual é a maior ofensa para esses bobocas? É chamar de tucana…

Nem pra isso servem.

 Este artigo foi originalmente publicado no site de Carlos Brickmann, em 2/7/2013.

3 Comentários para “E não é que Lula acertou?”

  1. Carlos Lacerda em termos de obras, casas, escolas e túneis pode ser comparado ao paulista Maluf.
    A adutora do Rio Guandu resolveu a falta de água da cidade,convém lembrar seu secretário eficiente de obras.
    E também seu ineficiente secretário de segurança e os mendigos afogados no rio da Guarda.
    Lacerda sempre foi golpista de primeira linha, apoiou o golpe militar de 1964 e foi cassado pelo regime dos anos de chumbo.

    Melhor ser lacerdista que tucano!

  2. Talvez a autora do texto me julgue com “mente limitada”.

    Mas o que temos agora é a Maria Helena RR elogiando o Maluf-sem-sotaque (o Lacerda); “lá no Leblon, a gente era bem atendido”. Esqueceu de citar a Baixada Fluminense – onde mora o povão – e que começou a ser atendida a partir do Brizola. Não citou os cidadãos de bem que moravam à beira do mar e que foram expulsos pelo Lacerda, para os morros da cidade.

    Se o Brizola gasta com o povão, dizem que ele “aumentou os gastos públicos”. DIZEM QUE É IDEOLOGIA DO BRIZOLA. Agora, se Ipanema e Copacabana são – de novo – atendidas, os amiguinhos do lacerdismo de derretem!

    O Maluf gastou o quanto quis e como quis. Só mudava se o Médici mandasse. Não pagou os fornecedores. Depois, a bomba caiu no colo do Franco Montoro, que ajeitou as coisas.

    Quando alguém manda colocar, na Avenida Atlântica, mais uma camada de asfalto, ou quando o Leblon fica mais bonito com dinheiro público, os lacerdistas não chamam isso de ideologia. E ainda dizem que eu penso com metade do cérebro. Triste país.

  3. É importante ler esta página; pois passaram-se três anos para que alguém voltasse a ler-e-comentar este Artigo.

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.