Tragédia em agosto, incerteza em outubro

A manchete da The Economist de 16 de agosto foi simples: “Tragic August, uncertain October “.

Não é a primeira vez que o mês de agosto nos machuca, assim como não é a primeira vez que outubro se aproxima com sua carga de incertezas, medo e campanhas irritantes, “sempre mais do mesmo”. Continue lendo “Tragédia em agosto, incerteza em outubro”

Enchente amazônica

“Pois transbordando de flores / a calma dos lagos zangou-se / a rosa dos ventos danou-se / o leito dos rios fartou-se / e inundou de água doce / a amargura do mar / numa enchente amazônica / numa explosão atlântica…”

Assim é o Brasil: há um Chico Buarque para cada situação. Continue lendo “Enchente amazônica”

E se…

E se…

Dizem que a morte é a única certeza da vida. E não há crença, ciência ou lógica capaz de explicar seu egoísmo em tragar talentos que fariam diferença entre os vivos. Poderosa, orquestra mudanças radicais e reina absoluta entre o condicional, os inevitáveis “se” que mudariam a história caso ela não tivesse se metido. Continue lendo “E se…”

‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’

We are such stuff as dreams are made on.
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, scene 1

Temos sofrido golpes fundos em nossa vida política, golpes terríveis, como o suicídio de Getúlio; os 20 anos de ditadura; a morte de Tancredo; o desastre que matou Ulysses Guimarães; as mortes de jovens lideranças, como Luís Eduardo Magalhães e Marcelo Déda. Continue lendo “‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’”

Sobre fraudes e farsas

Certeza da impunidade, ingenuidade, burrice. Por mais que se tente, não há explicação plausível para o fato de alguém, em um computador do Palácio do Planalto, incluir trechos mentirosos e aviltantes nos perfis dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia. E será preciso mais do que emitir notas oficiais de repúdio e arranjar aloprados para que a Presidência da República consiga se safar. Continue lendo “Sobre fraudes e farsas”

Ninguém é profeta na sua terra

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Fui um liber­tá­rio. Não era só pôr flo­res na cabeça como vinha nas foto­gra­fias auto­ri­za­das de Woods­tock. Despi-me, como ainda não sabía­mos que se tinham des­pido em Woods­tock, para irmos, boys and girls, tomar banho nus e de meia-noite, mais ou menos por ali onde agora José Edu­ardo dos San­tos tem o seu Futungo. Continue lendo “Ninguém é profeta na sua terra”

Vai encarar o voto nulo?

Esta é a terceira eleição majoritária que acompanho aqui no Blog do Noblat (*). Nas vésperas da primeira que acompanhei, a de 2006, Verissimo encerrou uma crônica em O Globo com este delicioso comentário: “(…) não deixa de ser divertido – no nível da caricatura mais primária, da pantomima para criança – ver o desespero da nobreza inconformada com a evidência de que o barbudo mal nascido vai ficar, outra vez, com a princesa”. Continue lendo “Vai encarar o voto nulo?”

Os dialetos

Se os linguistas se dedicassem ao estudo da linguagem dos signos aplicada à política poderíamos descobrir resultados surpreendentes, como a insuspeitada distância que existe entre significado e significante nesse estranho dialeto politiquês Continue lendo “Os dialetos”

Xô!

Dilma Rousseff acertou no diagnóstico: o pessimismo está no ar.

Também pudera. Só hienas, acostumadas a rir de sua própria desgraça, alimentariam sentimento distinto diante da inflação alta que esburaca o bolso principalmente dos mais pobres, do crescimento pífio a sinalizar redução na oferta de emprego, de serviços públicos cada vez mais precários, da escalada da corrupção. Continue lendo “Xô!”

Na beleza de um, a beleza do outro

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Ela meteu-lhe os dedos à boca e salvou-lhe a vida. É bom que se saiba que eles se ama­ram. Podem não se ter amado em géne­ros, mas fosse qual fosse o amor que se tive­ram, Eli­za­beth Tay­lor e Mont­go­mery Clift amaram-se. O coup de fou­dre aconteceu-lhes em A Place in the Sun, filme encan­de­ado pela beleza dos ros­tos deles. Continue lendo “Na beleza de um, a beleza do outro”

A Saúde em coma

Saúde frequenta o discurso de 110% dos políticos. Durante o período eleitoral, então, falam tanto do tema que põem em risco a sanidade do eleitor. Até candidatos à Presidência da República abusam de coisas genéricas como “mais saúde”.

Mas, efetivamente, governos só se mexem quando muito pressionados. Continue lendo “A Saúde em coma”