Dilma Rousseff se rendeu ao Fórum Econômico Mundial que até então seu governo preferia esnobar. Lendo um discurso bem escrito, ainda que de lastro duvidoso, a presidente jogou fichas que devem ter arrepiado seus colegas da América bolivariana: definiu o Brasil como o País das oportunidades e convidou os investidores do mundo inteiro para participar dos lucros desta terra prometida. Continue lendo “Simplesmente Dilma”
Um rugido de fim de império
Há um filme sobre o rugido dos anos 20. James Cagney e Humphrey Bogart vivem-no no Roaring Twenties, de Raoul Walsh. O rugido, primeiro rugido imperial da América, que acabara de ganhar essa Grande Guerra que agora faz cem anos, traz a Lei Seca e contrabando, jazz, coristas e avidez, a proliferação do automóvel e da urbana morte a tiro. Continue lendo “Um rugido de fim de império”
A Ciranda dos Incomuns
Confesso que sou uma das que caíram no conto do incomum. Não que eu tenha por um segundo sequer aceitado a tese defendida por Lula de que a Sarney, por ser um brasileiro incomum, tudo seria permitido. Continue lendo “A Ciranda dos Incomuns”
Elementar, minha cara Watson
A secretária dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, é uma personagem bastante peculiar. Como aquele neurótico Sherlock Holmes contemporâneo da série de TV Elementary, chega sempre alguns quilômetros antes dos fatos, deduz e decreta suas verdades antes que as provas as confirmem. Continue lendo “Elementar, minha cara Watson”
Um imenso Maranhão
Quase 13 milhões de jovens e adultos analfabetos, outros 30,5 milhões que já viram uma ou outra letra e nada compreendem; 43% dos domicílios sem o trio básico de saneamento – água encanada, esgoto e coleta de lixo; 50 mil homicídios ao ano, 25,8 por 100 mil habitantes, o que coloca o País no sétimo lugar entre os mais violentos do mundo. Continue lendo “Um imenso Maranhão”
O que é um round-robin?
É o meu anti-herói favorito. Ia apresentá-lo e ele interrompe-me: “A minha biografia? Para quê? Basta ir às esquadras de Los Angeles. Está lá tudo.” E, no entanto, apesar do abundante cadastro policial, Robert Mitchum é um rio tranquilo. Continue lendo “O que é um round-robin?”
Deus e o Diabo na Terra do Sol
Sempre que houver uma dificuldade aparecendo no horizonte, faça como a presidente Dilma: chame o ministro Gilberto Carvalho. Ele não vai resolver o problema, claro, mas com certeza vai complicar aquilo que parece simples. Continue lendo “Deus e o Diabo na Terra do Sol”
Tristes feudos
A política provoca sentimentos antagônicos: acirramento de ânimos e desalento, conformismo e ativismo desenfreado, desinteresse de muitos, indignação de alguns. Seja como for, sem ela não há saída. Continue lendo “Tristes feudos”
Deitada na cama, um telefone ao lado
Conhecia-a porque o João Bénard a conhecia. O João, meu director, falava dela e, sem a vermos, já a víamos. Deliciava-nos com as excentricidades dela, assustava-nos com as fúrias dela. Eram os anos 80, estava eu na Cinemateca Portuguesa, que era como se fosse irmã gémea da Cinemateca Francesa. Continue lendo “Deitada na cama, um telefone ao lado”
Não é que Lula tem razão?
“O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum.”
Mais uma definição do gênio da raça, o atual ex-presidente em exercício Luiz Inácio da Silva, o Lula. Continue lendo “Não é que Lula tem razão?”
Fortes emoções
Abaixa que aí vem lama.
Mal os reis magos terminaram a sua tarefa de entregar ouro, incenso e mirra ao menino recém-nascido, o que marca para o calendário gregoriano de nossas atribulações o início efetivo de um longo ano de trabalho, futebol e eleições, a pax natalina dá lugar às primeiras escaramuças de guerra. Continue lendo “Fortes emoções”
O Trem das Onze em Israel
Tenho dupla naturalidade: sou paulistano-carioca. Nasci em São Paulo, em 1937, mas vivo no Rio desde 1940. Nem sempre nos damos conta das diferenças entre as duas cidades, na linguagem, na alimentação, no modo de ser e encarar as coisas. Mas elas existem. Continue lendo “O Trem das Onze em Israel”
Dá-lhe Maracugina
Era para ser o ano do Brasil. De o País ir além de suas belezas naturais e da ginga da bola. De se exibir ao mundo como gente grande, maduro. Mas a chance disso já foi perdida. Continue lendo “Dá-lhe Maracugina”
Deus nos dê valentes inimigos
Deus nos dê valentes inimigos e já explico porquê.
Em 1939, Lubitsch e Billy Wilder pediram a Cary Grant que fosse o par de Greta Garbo em Ninotchka. Levaram sopa e temos todos pena. Continue lendo “Deus nos dê valentes inimigos”
Guerra fantasma
Para um político no poder não existe nada mais aprazível do que um inimigo. Ele dá conforto, segurança e aconchego. Por isso, muitas vezes, quando ele não existe de verdade, trata-se de inventá-lo. Continue lendo “Guerra fantasma”




