Louvor do tráfico

zzzz luanda - 720

Ao escrever no Expresso, não faço mais do que dar aos jornais o que os jornais me deram a mim. Quando era adolescente, com aspirações a James Dean, vi em Luanda filmes que não devia ver. Não por serem proibidos. Sucede que os lugares em que me sentava eram os de alguém que não tinha ido. Continue lendo “Louvor do tráfico”

É o fim

Entre 130 e 135 votos declarados em um colégio de 513 deputados. Isso é o máximo que a presidente Dilma Rousseff, o ex Lula, o PT e companhia conseguiram arregimentar em meses de despudoradas barganhas para evitar o impeachment. Um fiasco que, independentemente do resultado da votação deste domingo, sepulta o governo. Continue lendo “É o fim”

Ética?

Coitadinho do Brasil! Foi tomado por algum mosquito que além de dengue, chicungunha, zika, febre amarela, mexe com a sanidade mental de quem deveria ser firme e claro em suas decisões e posturas. Continue lendo “Ética?”

Beijou a lona

A presidente Dilma Rousseff pode não admitir. Pode fazer leitura cor-de-rosa da votação na Comissão Especial da Câmara, mas não conseguirá empanar a nua e crua realidade. O governo beijou a lona no primeiro round do impeachment. Continue lendo “Beijou a lona”

A freira e o pecado

zzzz manuel1 - 720

Rose Pacatte tem uma cara redonda, diria até bonacheirona, se o sufixo não fosse desgraciosamente aumentativo. Rose tem essa cara saudável e sorridente que eu já disse e umas brancas mãos papudinhas. É, perceberam bem, uma gordinha luminosa. E ficam agora a saber que Rose Pacatte é freira. Americana e católica. Continue lendo “A freira e o pecado”

Olho gordo

Tema único na agenda, na cabeça e no discurso da presidente Dilma Rousseff, o impeachment tem acentuado o distúrbio bipolar que desde sempre acomete o seu governo. Nesta última semana, os altos e baixos que até pouco tempo a psiquiatria classificava como maníaco-depressivos oscilaram com velocidade estonteante. Como espasmos, Dilma, Lula e os seus cantaram vitórias e amargaram derrotas sucessivas. E não conseguiram debelar os surtos. Continue lendo “Olho gordo”

Vivandeiras e provocadores

Em momento tão conturbado da vida política nacional é importante registrar um fato: a crise, ao menos por enquanto, passa ao largo dos quartéis. É irrelevante aqui discutir se isto acontece porque os militares já não têm a mesma força política de 1964, ou porque a comunidade internacional e os brasileiros não aceitam mais soluções fora do escopo do Estado de Direito Democrático. Continue lendo “Vivandeiras e provocadores”

Já viste a Mona Lisa?

E se a história do cinema fosse só a recorrente variação da mais famosa tela do mundo? Imaginem que estão a falar com Daniel Arasse, historiador de arte francês, falecido em 2003. Mesmo morto é um provocador. “Já viste a Mona Lisa?”, diz ele, avisando-me: “Deixa-me descrever o quadro e não te admires do monte de coisas que vais admitir nunca ter visto.” Continue lendo “Já viste a Mona Lisa?”

Democracia não tem cor

Intolerância, baixaria de todos os lados, muito fígado e nenhum cérebro. Assim tem sido o cotidiano da crise. Um clima de litígio aguçado cotidianamente na sede do Poder Executivo da República. Ali, a presidente Dilma Rousseff promove comícios travestidos de cerimônias oficiais em que a plateia – e ela própria – aplaude a incitação ao ódio, embora finja pregar o diálogo. Continue lendo “Democracia não tem cor”

Lei & Ordem

Os fatos acontecem à velocidade de um raio e dissipam ilusões quanto à capacidade da presidente Dilma Rousseff construir um mínimo de apoio no Parlamento para barrar o processo de impeachment. Continue lendo “Lei & Ordem”

Cavaleiro de copas

zzzz manuel1

Vejo cinema de forma errada. Fui ver Cavaleiro de Copas e minutos depois já nem me lembrava que era de Terrence Malick, porque o filme já era meu. A crítica queixou-se da ausência de história, de narrativa. E eu ali, enterrado na cadeira, esgazeado com o excesso de histórias a entrelaçarem-se, como mil fios de sisal a fazer uma corda grossa e boa para amarrar o raio da narrativa fugidia. Continue lendo “Cavaleiro de copas”