Somos todos Cary Grant. Já vamos a meio do filme e ainda não sabemos em que história estamos enfiados. Nem sequer que personagem andamos a representar. Continue lendo “O deleite de Hitchcock”
O país da gambiarra
Desde a carnificina no presídio de Manaus, seguida pela matança em Boa Vista, especialistas na questão penitenciária são unânimes em criticar a ausência de planejamento para o setor. Nada de novo. O Brasil não tem plano nem para o sistema prisional nem para coisa alguma. É e sempre foi o país das gambiarras, dos remendos. Continue lendo “O país da gambiarra”
Passageiros da utopia
Em um de seus últimos artigos, o poeta Ferreira Gullar pregou a necessidade de se recuperar a utopia de uma sociedade mais fraterna e menos desigual, sonho de gerações e gerações do século XX. Continue lendo “Passageiros da utopia”
Eu vejo pessoas mortas
Como o pequeno Haley Joel Osment, em Sixth Sense, também eu vejo pessoas mortas. Os primeiros mortos entraram-me autocarro dentro, em 1974. Três mortos das noites anteriores de tiros, medo e ódio nas fronteiras raciais dos musseques de Luanda. Continue lendo “Eu vejo pessoas mortas”
Meia dúzia de coisas que incomodam, para dizer o mínimo
O ano de 2017 entrou violento, como a querer dizer que fomos precipitados em comemorar a saída de 2016. O Brasil está numa fase que, Deus nos perdoe, torna quase impossível ter esperança por dias melhores. Continue lendo “Meia dúzia de coisas que incomodam, para dizer o mínimo”
Como será 2017? Responda quem puder
Na virada do ano milhões de brasileiros jogaram flores a Iemanjá, consultaram os búzios ou cartas de tarô, pediram para a cigana ler as suas mãos. Tudo para saber o que o destino reserva para 2017, se as suas vidas passarão pelo mesmo sufoco de 2016 ou se há sinais de que vai melhorar. Continue lendo “Como será 2017? Responda quem puder”
Com a bênção de Hemingway
Não eram de se render. Marlene Dietrich não se rendeu a Hitler, Jean Gabin não se rendeu à pata nazi, na Paris ocupada. Juntou-os a América, que ainda não sabia se ia ou não à guerra. Ou talvez tenha sido um involuntário Hemingway a apresentá-los, num selecto clube de Nova Iorque. Continue lendo “Com a bênção de Hemingway”
Tem de ser honesto
Dia Mundial da Paz, o 1º de janeiro no Brasil poderia também ser o dia da jabuticaba, já que por aqui, bienalmente, são empossados os eleitos no ano anterior. Desta vez, mais de 11 mil prefeitos e vices e 57.736 vereadores, que passam a desenhar o novo – talvez nem tanto – mapa político do Brasil. Continue lendo “Tem de ser honesto”
Não dá mais para tomar bola nas costas
Na última semana do ano vale voltar a um tema vital para o Brasil: a educação.
Neste campo, o país está mais para o vexame dado pelo time de Felipão naquela vergonhosa derrota de 7 a 1 para a Alemanha do que para a seleção de Tite com seu futebol vistoso. Continue lendo “Não dá mais para tomar bola nas costas”
Veste-me essas calças!
Steve Rowland já tinha as calças bem puxadas para baixo quando descobriu quem ela era. Steve estava de corpo curvado, a cintura das Levis a passar os joelhos, o rabo graciosa e expectantemente erguido, e soube então quem ela era. Continue lendo “Veste-me essas calças!”
Roubaram até o Natal
É Natal. Hoje definitivamente não é dia de falar de corrupção, propina, ladroeira. Tampouco de caixa dois, de privilégios, de gente que faz o diabo para ter poder ou, simplesmente, encher os bolsos. Mas, com tamanho surrupio ao país, nem mesmo Papai Noel pode se dar ao luxo de deixar as barbas de molho. Continue lendo “Roubaram até o Natal”
Feliz Natal? Como, se o mundo piorou?
Mafalda, a simpática, espevitada e contestadora menininha argentina que desde seu nascimento, em 1964, se preocupa com o estado de saúde do Mundo, com certeza deve andar desconsolada. Ela, que nunca se conformou em aceitar, tal como são, as coisas quando lhe parecem erradas, que passou noites em vigília ao lado do globo terrestre que ardia em febre, que recusava a sopa insípida do dia a dia por saber que há pratos muito mais saborosos, com certeza não pensava que, mais de 50 anos depois, o Mundo ainda estaria doente. Continue lendo “Feliz Natal? Como, se o mundo piorou?”
A caserna e a crise
Fosse em outras eras, a recente entrevista do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, teria sido noticiada de forma bombástica pelo noticiário televisivo. Certamente os jornais estampariam manchetes com letras garrafais, do tipo “Comandante do Exército repele incursão de vivandeiras”. Continue lendo “A caserna e a crise”
O colonialismo caiu na lama
Caí. Foi a minha primeira queda dos 60 anos. Ainda ia no ar e já um coro impudico do passado me azucrinava os ouvidos com a velha frase que tanto cantei nos comícios do Lobito e de Luanda: o colonialismo caiu na lama. Continue lendo “O colonialismo caiu na lama”
Feitiços delatados
Desde setembro de 2014, quando o juiz Sérgio Moro homologou a primeira delação premiada da Operação Lava Jato, a de Luccas Pace Júnior, assessor da doleira Nelma Kodama, todas as delações vêm a público, algumas até antes de serem oficializadas, protagonizando o escândalo da semana. Continue lendo “Feitiços delatados”





