Cassada por 61 dos senadores, sete a mais do que Constituição determina, Dilma Rousseff não preside mais o Brasil. Tudo dentro dos conformes. Ou nem tanto. Por 36 votos foram mantidos os seus direitos políticos, possibilidade aberta por decisão mais do que polêmica do presidente da Suprema Corte, Ricardo Lewandowski. Algo digerível na política, acostumada a negociatas aqui e acolá, mas que causa espanto jurídico. E consequências nefastas. Continue lendo “Foi golpe”
A estrela some
A ser coerente com a narrativa do seu discurso de defesa no Senado, Dilma Rousseff deveria percorrer o país de ponta a ponta, logo após a consumação do impeachment, e usar o palanque eleitoral do seu partido como trincheira de denúncia e resistência ao que ela e sua trupe chamam de golpe. Continue lendo “A estrela some”
Flagelação masoquista
Não se procure nos filhos o que muito admirámos nos pais. Era o que eu devia ter pensado, quando o filho de Buñuel veio ilustrar o ciclo que dedicávamos ao pai recentemente morto. E seja como for, nem eu, nem ninguém pensou coisa nenhuma, de esgazeados que ficámos com a plenitude e a pele Channel de Carole Bouquet, a outra «ilustração» da retrospectiva em que meia Lisboa viu religiosamente os filmes do bispo do ateísmo chamado Buñuel. Continue lendo “Flagelação masoquista”
A História descarta canastrões
Renan Calheiros acertou: o Senado virou um hospício. Não se trata mais de apreciar o impeachment de Dilma Rousseff, cujo placar foi antecipado pelos julgadores ao longo do processo e, com mais precisão, na sessão de pronúncia. Durante essa fase de julgamento, iniciada na quinta-feira, o que se quer é holofote e, se possível, escrever o nome na História. Nem que seja no rodapé. Continue lendo “A História descarta canastrões”
Agora que falta pouco
Você já foi a Brasília? Se foi, naturalmente, não perdeu a oportunidade de visitar os belos edifícios que fazem da cidade uma Capital da Arquitetura. Da emocionante Catedral que nos remete à imagem de mãos postadas em oração, aos palácios do Itamaraty, do Planalto, da Alvorada e tantos outros. Continue lendo “Agora que falta pouco”
Banhos turcos
Cinco da tarde é uma bela hora para se cortar o cabelo, pensou Frank Capra, a 10 de Março de 1933. Foi, portanto, cortar o cabelo, sacudindo a chatice das reuniões entre um comité da Academia de Hollywood e um comité de trabalhadores dos estúdios para discutir cortes salariais, à conta do fecho por vários dias de todos os bancos americanos, ditado pelo Emergency Bank Act de Roosevelt, moratória que faria estremecer de felicidade Costa e Centeno. Continue lendo “Banhos turcos”
A melhor lição olímpica
O Brasil fez bonito. Atletas, organizadores, voluntários, público daqui e de todo o lugar do planeta. Um espetáculo de orgulhar até os mais ranzinzas. Mas em seu cotidiano o país está longe do espírito e das lições olímpicas. Digladia-se com o seu próprio sucesso, alimenta polêmicas inúteis. E não tem Engov capaz de refazê-lo da ressaca do dia seguinte, quando tudo voltará a ser como antes. Continue lendo “A melhor lição olímpica”
Fogo amigo
Lula deve estar esfregando as mãos de felicidade com a troca de chumbo entre tucanos e peemedebistas. Sabe, por experiência própria, o quanto o fogo amigo é desagregador. O caudilho vislumbra, na divisão da base de sustentação do governo Michel Temer, a possibilidade de se reposicionar no tabuleiro, com vistas a retornar ao poder em 2018. Continue lendo “Fogo amigo”
Ladrões de bicicletas
Não se pode ter fama e ser feliz ao mesmo tempo. Fama e felicidade são paralelas que fingem encontrar-se e é mentira ou miragem, como Lamberto Maggiorani descobriu com aquela amargura burlesca só ao alcance da Itália do pós-guerra. Continue lendo “Ladrões de bicicletas”
Somos todos cobaias
Diante dos jogos olímpicos no Rio, com mais de 300 horas de transmissão de TV por dia, novas delações no âmbito da Lava-Jato, também diárias, e proximidade do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, a atenção para as eleições que acontecem daqui a exatos 49 dias é próxima de zero. O calendário chega atropelando o eleitor e os candidatos, cobaias da lei que reduziu o tempo de campanha, criou regras sem regulamentá-las e extinguiu o financiamento privado. Continue lendo “Somos todos cobaias”
Isto aqui é Rio de Janeiro
Dirigir no Rio de Janeiro, decididamente, não é simples. Não basta ter carteira de habilitação válida, nem que o motorista seja um ás do volante.
O que é muito importante é que ele saiba interpretar as placas de sinalização e que nunca, jamais, em tempo algum, se fie apenas nos GPS da vida. Continue lendo “Isto aqui é Rio de Janeiro”
Sururu no Mercosul
Exatamente quando o Brasil e Argentina vivem o melhor momento de suas relações, os dois países estão sendo obrigados a administrar o baita sururu que se formou no Mercosul por açodamento e precipitação de seus governos passados. Continue lendo “Sururu no Mercosul”
Eisenstein à Gomes de Sá
Vou já falar de bacalhau, mas começo com uma afirmação séria: a obra cinematográfica de Eisenstein fez-se sob o signo da encomenda. Os cineastas americanos do seu tempo, dos anos 20 aos 40, recebiam encomendas de produtores como Zukor, Thalberg, Jack Warner ou Samuel Goldwyn. Eisenstein trabalhou muito com um produtor chamado Josef Estaline. Continue lendo “Eisenstein à Gomes de Sá”
A cartada que Dilma não dará
Em meados de junho, Dilma Rousseff fez chegar à imprensa a decisão de divulgar uma carta aos brasileiros, a exemplo do que fizera o ex Lula, com sucesso, em 2002. Junho acabou sem a missiva. Veio julho, nada. Agosto chegou e a tal carta, que pretendia ser o instrumento decisivo de defesa da presidente afastada, se tornou símbolo da discórdia entre os poucos aliados que ela ainda tem. Entre ela e o PT, entre ela e a realidade. Continue lendo “A cartada que Dilma não dará”
E a maioria, que impôs sua vontade?
Não é uma coisa extraordinária? Como é que pode? – foi o que pensou a senadora Grazziotin, que ficou tão estarrecida com o resultado que desabafou na TV Senado contra essa imposição da maioria! Continue lendo “E a maioria, que impôs sua vontade?”





