Esta é a terceira eleição majoritária que acompanho aqui no Blog do Noblat (*). Nas vésperas da primeira que acompanhei, a de 2006, Verissimo encerrou uma crônica em O Globo com este delicioso comentário: “(…) não deixa de ser divertido – no nível da caricatura mais primária, da pantomima para criança – ver o desespero da nobreza inconformada com a evidência de que o barbudo mal nascido vai ficar, outra vez, com a princesa”. Continue lendo “Vai encarar o voto nulo?”
Os dialetos
Se os linguistas se dedicassem ao estudo da linguagem dos signos aplicada à política poderíamos descobrir resultados surpreendentes, como a insuspeitada distância que existe entre significado e significante nesse estranho dialeto politiquês Continue lendo “Os dialetos”
Xô!
Dilma Rousseff acertou no diagnóstico: o pessimismo está no ar.
Também pudera. Só hienas, acostumadas a rir de sua própria desgraça, alimentariam sentimento distinto diante da inflação alta que esburaca o bolso principalmente dos mais pobres, do crescimento pífio a sinalizar redução na oferta de emprego, de serviços públicos cada vez mais precários, da escalada da corrupção. Continue lendo “Xô!”
Na beleza de um, a beleza do outro
Ela meteu-lhe os dedos à boca e salvou-lhe a vida. É bom que se saiba que eles se amaram. Podem não se ter amado em géneros, mas fosse qual fosse o amor que se tiveram, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift amaram-se. O coup de foudre aconteceu-lhes em A Place in the Sun, filme encandeado pela beleza dos rostos deles. Continue lendo “Na beleza de um, a beleza do outro”
Conta outra, vó – O ladrão ladino (1)
Nota: Este interessantíssimo conto amoral que minha avó contou, certamente junta pedaços de diversas histórias. As três primeiras peripécias parecem sair das aventuras de um Pedro Malasartes ou um Till Eulenspiegel. Continue lendo “Conta outra, vó – O ladrão ladino (1)”
Confiança
Já repararam como muitos bancos em países de língua inglesa usam em seus nomes a palavra Trust? Não é porque a achem sonora. É porque, para um banco, confiança é o mesmo que oxigênio para nós. Continue lendo “Confiança”
A roda quadrada
A roda já tinha sido inventada e girava razoavelmente bem.
Na verdade, eram três rodas: inflação na meta, câmbio flutuante e superávit primário de 3,1% do PIB. Continue lendo “A roda quadrada”
O seqüestro das muletas no puteiro de Joaquina
O sobrado amplo, de muitos cômodos, tinha aparência bem cuidada, ajardinado em todo o seu frontal, de ponta a ponta, entremeando roseiras trepadeiras, jasmineiros, brincos-de-princesa e outras tantas floreiras. O chão forrado de onze-horas formava um tapete colorido como colorido eram todas as plantas que ornavam a frente do terreno. Continue lendo “O seqüestro das muletas no puteiro de Joaquina”
A Saúde em coma
Saúde frequenta o discurso de 110% dos políticos. Durante o período eleitoral, então, falam tanto do tema que põem em risco a sanidade do eleitor. Até candidatos à Presidência da República abusam de coisas genéricas como “mais saúde”.
Mas, efetivamente, governos só se mexem quando muito pressionados. Continue lendo “A Saúde em coma”
Locke é cinema em alta voz
Se nunca viram um filme em alta-voz, experimentem. Esqueçam o 3D, o Imax e corram a ver Locke, pequena, monótona e exaltante obra-prima. Em Under the Skin e Blue Ruin, os mais belos filmes de estreia do ano, os carros eram protagonistas, uma operária Ford Transit com a que já sabem Scarlett ao volante, um arruinado Pontiac que ter volante já era uma sorte. Continue lendo “Locke é cinema em alta voz”
Conta outra, vó – A lenda do rei Midas
O rei Midas é conhecido por duas peripécias. Recebeu do deus Dionisio o direito de escolher um dom. Pediu o poder de transformar em ouro tudo que tocasse. No começo do dia isto o deixou feliz, porque transformava todos os objetos em peças de ouro. Continue lendo “Conta outra, vó – A lenda do rei Midas”
Era só o que nos faltava…
Acabamos de perder um brasileiro que se rebelava contra a Teoria de Darwin e argumentava, com um pregador de roupas na mão, que nem em cinco milhões de anos um macaco faria um objeto tão simples e tão útil. Ariano dizia que nem se a mãe do Papa lhe pedisse ele concordaria que descendemos dos macacos. Continue lendo “Era só o que nos faltava…”
Mistérios da mente
A palavra esquizofrenia vem do grego e, simplificadamente, significa “dividir a mente em dois”.
Ela define um transtorno da mente que pode ser tratado farmacologicamente ou, dependendo do diagnóstico, por terapias psicanalíticas. Continue lendo “Mistérios da mente”
O Brasil deveria conhecer Regina Dias
A música brasileira é tão esplendidamente rica, tão variada, tão povoada por criadores, intérpretes e instrumentistas magistrais, que muitas vezes grandes artistas, como, só para dar pouquíssimos exemplos, Sidney Miller, Walter Franco, Tavinho Moura, Renato Teixeira, Almir Satter, não são considerados do primeiro time. Ou, no mínimo, não são lembrados como deveriam. Continue lendo “O Brasil deveria conhecer Regina Dias”
James Dean vem aÍ
O Porsche Spyder 550 prateado, o número 130 pintado nas portas e no capô, estava ali. Os dois homens entraram prontos para uma viagem de sete horas. Estavam em Los Angeles, Califórnia, EUA, e partiriam para Salinas, no mesmo estado, para uma corrida de automóvel – era o dia 30 de setembro de 1955. Continue lendo “James Dean vem aÍ”


