Quando as imagens vinham em palavras

“Atenção, atenção! Aqui fala o seu Repórter Esso, testemunha ocular da História”. Era 28 de agosto de 1941. O locutor Romeu Fernandes fazia a primeira transmissão do programa da Rádio Nacional do Rio: a aviação alemã havia atacado a Normandia, na França. Continue lendo “Quando as imagens vinham em palavras”

Farda, tiro e queda

Caiu um grão de pimenta na minha vida. E dois de mostarda, já agora. Naquele tempo tinha dezanove anos e transitei, mais com um suspiro do que com um estrondo, de acólito a guarda vermelho, ou seja, do catolicismo progressista para o maoismo. Continue lendo “Farda, tiro e queda”

Ouvirudu!

Um dos passatempos favoritos quando a moçada se juntava era brincar de adivinhar a música a partir de uma palavra. Exemplo: a palavra é… DOCE. Então alguém se lembrava do estrondoso sucesso das irmãs Galvão (xiiii, me entreguei): “que beijinho DOCE que ele teeeem… “ Continue lendo “Ouvirudu!”

Besteira demais, governo de menos

Políticos estão sempre em campanha, mesmo os que negam de mãos juntas. Mas costumam usar os anos ímpares para consolidar votos e engordar o eleitorado. O presidente Jair Bolsonaro faz a dieta inversa: queima popularidade na largada, boa parte dela desperdiçada em questões comezinhas, distantes de tudo aquilo que é importante e urgente para o país. Continue lendo “Besteira demais, governo de menos”

Sobre pombos e falcões

Os falcões, loucos para fazer a Guerra, saíram enfraquecidos da reunião do Grupo de Lima. Ao menos por enquanto, a opção por uma intervenção militar na Venezuela foi descartada pelos países participantes. A voz que se ouviu foi a dos pombos. Entre eles o vice-presidente Hamilton Mourão. Continue lendo “Sobre pombos e falcões”

Canção boa não morre no ar

https://www.youtube.com/watch?v=aahYIvOq2jc

Há canções que não duram mais que a gota de orvalho numa pétala em flor: brilham, depois de leve oscilam e caem como uma lágrima de amor – mas de um amor um tanto chinfrim, rastaquera, nada parecido com o grande amor. Continue lendo “Canção boa não morre no ar”

Amor à primeira vista

Não lembraria ao diabo começar uma crónica sobre um cientista, seja o nosso solar Carlos Fiolhais ou o admirável Sobrinho Simões, associando-lhes o termo “ass”, que é, em português, a forma de reduzir um rabo a duas letras. Continue lendo “Amor à primeira vista”

IL Traviato

A famosa ópera La Traviata, escrita por Giuseppe Verdi, foi apresentada pela primeira vez em Veneza, no ano de 1853, e arrasou! Nunca mais saiu de cartaz, e até hoje continua lotando os teatros em que é apresentada. Continue lendo “IL Traviato”

O político no divã

No divã:

Doutor, nunca, em tantos anos na política, imaginei viver uma situação como a que me traz aqui. Já estou no quinto mandato, tive tudo o que o cargo oferece… vou ser sincero, doutor, muito, muito mais do que esperava. Mais do que o senhor e o Ministério Público poderiam imaginar. Continue lendo “O político no divã”

Arte ao meio-dia, lixo à meia-noite

Não se dá o devido valor ao arrepio na espinha, forma popular de designar o orgasmo estético. Recuemos aos anos 60 e visitemos o Fogg Museum, em Harvard. Uma tela de Matisse prende os nossos olhos. Uma chispa de prazer corre-nos pela medula com a velocidade e o estonteante drible do benfiquista Rafa: é só uma tela, um rosto de mulher, e é como se uma colher de paraíso se derramasse na ilha triste que é qualquer coração. Sai-nos boca fora, com dois pontos de exclamação, esta alegria infantil: que bonito, oh, que bonito. Continue lendo “Arte ao meio-dia, lixo à meia-noite”