Sue Lyon

A morte de Sue Lyon me deixa absolutamente chocado por um fato que, afinal, eu deveria conhecer bem demais: estou muito velho. Continue lendo “Sue Lyon”

Obrigada, Netflix

Dirigido por Fernando Meireles, Dois Papas, narra um momento decisivo para a Igreja Católica. O drama traz a amizade surpreendente entre o Papa Bento XVI com o então futuro papa Francisco. Representados por Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, os religiosos conversam sobre várias questões, desde música até opiniões opostas sobre religiões. Continue lendo “Obrigada, Netflix”

Apesar de você amanhã há de ser outro dia

Em 1970, o compositor Chico Buarque, revoltado com a falta de liberdade imposta pela ditadura militar, gravou essa música endereçada ao general Garrastazu Médici. E quando a ficha dele caiu, proibiu a execução da canção em todas as rádios do país. Ela só voltou a ser tocada em 1978, quando o general Ernesto Geisel, um pouco mais liberal que os colegas ditadores que o antecederam, assumiu a Presidência da República. Continue lendo “Apesar de você amanhã há de ser outro dia”

A década perdida é obra do PT

Vivemos num país de memória curta, e então é preciso repetir sempre algumas verdades básicas. O jornalista Fábio Alves conseguiu sintetizar com perfeição e clareza, em artigo publicado no Estadão no dia de Natal, exatamente como o governo lulo-petista provocou a maior crise econômica da História do Brasil, da qual não conseguimos sair inteiramente até hoje. Continue lendo “A década perdida é obra do PT”

Entre a ideologia e o pragmatismo

Em um ano houve uma nítida mudança de rota na relação entre o governo Bolsonaro e a China. O presidente se elegeu dizendo que os chineses queriam comprar o Brasil e prometendo alinhamento automático com os Estados Unidos. O pragmatismo, contudo, falou mais alto, como evidenciaram a viagem ao país de Xi Jinping e o Brics-2019, realizado em Brasília. Continue lendo “Entre a ideologia e o pragmatismo”

Sons do Natal

E então é Natal, como nos lembra Simone, essa mulher que chega aos 70 anos belíssima como o pôr-do-sol visto do Porto da Barra da cidade em que nasceu. Quando John Lennon canta exatamente a mesma frase, and so this is Christmas, ninguém enche o saco – ela reclamou, com carradas de razão. Já se é ela, todo mundo chia. Continue lendo “Sons do Natal”

A deliciosa tradição do capeletti

Nos meus treze, catorze anos, comprei madeira e construí um cavalete, com séria intenção de fazer desenhos a carvão. O cavalete sustentava uma prancha de uns setenta por sessenta centímetros, que recebia a folha de papel. Desenhos, mesmo, fiz poucos. Mas minha mãe, Elza, gostou muito da prancha. Continue lendo “A deliciosa tradição do capeletti”

Prazer proibido

Há rios de champanhe na vida de Orson Welles. E eu devia ter escrito “champagne”, sem cedências ortográficas, com o mesmo imperativo com que Welles o exigia estupidamente gelado, quando, confessando-se a Deus, disse: “Há três coisas intoleráveis na vida, café frio, champanhe morno e mulheres sobrexcitadas.” Continue lendo “Prazer proibido”

Populismo com Fundo

Goste-se ou não dele, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, nome pomposo para injetar dinheiro público no custeio eleitoral, é lei, aprovada pela maioria da Câmara e do Senado há dois anos. Portanto só pode ser suspenso ou alterado por outra lei.  Continue lendo “Populismo com Fundo”

Pirralha 10 x Fedelhos 0

O século 21, do qual tanto esperávamos, que nos trouxesse um futuro brilhante, do tipo com o qual Stefan Zweig sonhava para o Brasil, tem sido uma decepção. No Brasil a decepção tem sido assombrosa, mas no mundo inteiro ela ocorre de modo intenso. Continue lendo “Pirralha 10 x Fedelhos 0”

Pela Porta dos Fundos!

Ia começar o texto falando da rachadinha do Flávio, mas sei que esse assunto incomoda muita gente que acredita que uma rachadinha a mais, uma rachadinha a menos neste país é coisa pra se deixar pra lá. Continue lendo “Pela Porta dos Fundos!”

Democracia sob tensão

A democracia está em baixa. Aqui e lá fora. Pesquisa realizada em 42 países com 36 mil entrevistas e coordenada pelo pesquisador francês Dominique Reyniê revela que podemos estar no limiar de uma nova era do autoritarismo, a exemplo do que aconteceu  na década de 1930, quando países de ordenamento democrático entraram em crise, enquanto  a Alemanha de Hitler e a União Soviética de Stálin deram grande salto econômico. Continue lendo “Democracia sob tensão”

Rosebud, um pequenino orgulho

Botão de rosa. Falasse ele português, era o que teria suspirado Charles Foster Kane na hora da sua morte, ámen, num dos mais belos começos de um filme em toda a história do cinema. A nebulosa morte já a agasalhá-lo, “Rosebud” é a palavra inglesa que lhe sai da boca que o bigode exangue cobre. Quem viu o filme já sabe que, no final, se descobrirá ser “Rosebud” a evocação da infância desse homem, que foi dono daquilo tudo. Evocação da neve e de um trenó, irrepetível momento de inocência e plenitude. Mas será mesmo esse o botão de rosa?  Continue lendo “Rosebud, um pequenino orgulho”

Anna Karina

“Olhos como um lago claro, uma boca de morango selvagem, um nariz rebelde, uma pronúncia singular da língua francesa, uma maneira muito picante de se mover, brumas de melancolia ocultando seu olhar, ares – às vezes – de diva muda, uma aura escandinava que lembrava Carl Theodore Dreyer: tantas características pelas quais os espectadores de todo o mundo terão identificado e adorado Anna Karina como a heroína por excelência da Nouvelle Vague, naturalmente poética, fresca como a rosa, espontaneamente verdadeira, tal como foi mostrada por seu companheiro e marido Jean-Luc Godard.” Continue lendo “Anna Karina”

O descentrado centro

Lideranças populistas, partidos sem qualquer identidade, desigualdades extremas, educação precária são algumas das explicações para a rasura em que o debate político nacional se desenvolve. Os que se dizem de direita demonizam os de esquerda que satanizam os de direita. Os extremos sovam-se com braveza e baixarias para fermentar seus mitos, não raro sem saber o significado histórico-politico da direita e da esquerda no mundo e no Brasil. Ao centro cabe a impopular tarefa de arrumação. Continue lendo “O descentrado centro”