O Caravelle sequestrado

A seção Há 50 Anos, publicada diariamente pela Folha, destoa do resto do jornal por suas fotos em preto-e-branco e fatos que passaram para a História, muitas vezes para o esquecimento. Imagine o susto de um veterano repórter ao correr os olhos pela seção e descobrir que cobriu os fatos ali relatados. Há meio século! Continue lendo “O Caravelle sequestrado”

Ermitão urbano

Do que precisa um ermitão para levar uma vida feliz? De um fone de ouvido, claro. O meu caso é um tanto estranho, seguramente desconhecido pela Ciência. Sou um ermitão urbano. Moro em apartamento, em bairro central. No tocante a abastecimento alimentar, rendo-me ao supermercado mais próximo. O problema está na oferta cultural. Continue lendo “Ermitão urbano”

Primavera. Mas…

A primavera chega, mas nada acontece! Os jardins, os parques não explodem em flores, a relva não nos oferece esplêndidos tapetes esmeraldinos, como, na primeira hipótese, poderia acontecer em um desenho animado; e, na segunda, no texto de algum livro antigo. Continue lendo “Primavera. Mas…”

Sem ele não tem artigo

Prezado editor: informo que esta semana não vou mandar minha colaboração, por falta de assunto impactante. Com a internação de Bolsonaro, fiquei sem as bombas que ele soltava, às vezes logo cedo, ao deixar o Planalto, e durante o dia.  Eu me acostumei com essa matéria-prima rica que, por incrível que pareça, nunca faltava. Continue lendo “Sem ele não tem artigo”

Tem boi na linha!

“Tem gente que acredita em Saci Pererê, Boi Tatá e Mula Sem Cabeça”, escreveu o nosso inefável ministro da Educação, Abraham Weintraub. Para completar: “E tem gente que acredita no Datafolha.”  Que coisa, o ministro fala de um boi chamado Tatá. Tem boi na linha! Continue lendo “Tem boi na linha!”

Gente finíssima

Eduardo Bolsonaro deu ontem, 29, mostras de seu preparo para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Washington, como papai quer. A eloquência de sua fala, em comentário sobre a Amazônia, não é exatamente a que se ouviria de um diplomata saído do Instituto Rio Branco. Também não é um primor do zelo que os embaixadores têm para, em conversa de alto nível, tentar resolver impasses e preservar a imagem de seus países. Continue lendo “Gente finíssima”

A imagem da tragédia

Alfredo Rizzutti faria uma foto comovente, em uma igreja de Tubarão, cidade catarinense devastada por uma enchente colossal. Quando deixamos a sede do Jornal da Tarde, no entanto, não tínhamos a menor certeza de que conseguiríamos chegar ao palco da tragédia. Tubarão estava isolada. Continue lendo “A imagem da tragédia”

Não falta assunto no botequim

Nos tempos de Fernando Henrique Cardoso a conversa nos bares depois do trabalho era uma chatice. O presidente não atacava ninguém, não anunciava que ia intervir em questões banais, não via garras comunistas em órgãos técnicos, não saía a pé do Palácio… Não ia, dia sim dia não, a um evento oficial ou de outra natureza, e ficava de boca fechada. Continue lendo “Não falta assunto no botequim”

Tem alguém vivo aí?

César, meu neto, treze anos recém completados, segurava uma arma poderosa, na sala de seu apartamento. A arma, na verdade, estava na tela da tevê. O que César tinha nas mãos era um controle; nos ouvidos, fones. Mas era como se segurasse a arma, pois ela executava todos os movimentos, e disparava rajadas, num cenário de batalha. Continue lendo “Tem alguém vivo aí?”

Impeachment, não. Interdição

Acho um absurdo quando alguém fala em impeachment de Bolsonaro. Este é o remédio para governantes preparados, com grande capacidade de ação, mas que a utilizam para o mal. O presidente, para começar, é imaturo. Diante de problemas prementes, inadiáveis, preocupa-se com minudências como pontos na carteira de motorista. Continue lendo “Impeachment, não. Interdição”

E se o Borba Gato ganhasse vida?

Cuidado. Contém besteirol.

Começou com um WhatsApp que mandei para Yara, minha irmã, manicure e pedicure no Guarujá. O retorno veio em segundos: “Estou acabando um pé e já respondo”. Ora, replico, Michelangelo também pode ter dito isso a quem o interrompeu enquanto esculpia o David. Continue lendo “E se o Borba Gato ganhasse vida?”

Com a broxa na mão

Hoje em dia não existe mais o risco de tirarem a escada e o pintor ficar com a broxa na mão. Pelo menos em termos literais. Estou vendo no meu prédio, nestes dias. Os pintores sentam-se no que poderia se chamar andaime móvel, seguro por cordas, e vêm descendo, pintando, andar por andar. Vinte e três andares. Continue lendo “Com a broxa na mão”