Ano novo, desafios antigos

O Brasil ingressa no ano do seu bicentenário carregando o fardo de mais uma década perdida e atormentado por dois binômios perversos: estagnação-inflação e fome-desemprego. Nossa economia anda de lado, crescendo em média 0,3% ao ano entre 2011 e 2021. O ufanismo do ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto a um PIB turbinado em 2022 não é compartilhado pelo mercado ou especialistas, cujas projeções apontam para mais um ano de economia estagnada, beirando a recessão. Continue lendo “Ano novo, desafios antigos”

O Brasil tem fome

Fome. O tema é indigesto para iniciar o ano, mas obrigatório em um país onde mais da metade da população – 116,8 milhões – não come todos os dias e 9% – 19 milhões – têm carência alimentar grave. Avesso a pobres, o governo Jair Bolsonaro era sabidamente incapaz de fazer frente a essa penúria, que, pelo menos até aqui, também não frequenta a agenda dos demais presidenciáveis. No máximo, usam o estômago oco de milhões para rechear de indignação seus discursos, sem expor estratégias para livrar da indigência esse enorme contingente de brasileiros. Continue lendo “O Brasil tem fome”

O sabotador

Talvez haja precedentes na História política da humanidade de um presidente que sabota seu próprio governo. Mas um que sabote a si mesmo eu aposto minha bola de cristal que não tem. Certo ou errado? Errado! Teve um sim, por aqui mesmo, no Brasil. O ano era 1961 e o nome dele era Jânio da Silva Quadros. Continue lendo “O sabotador”

O fim da União Soviética, pátria-mãe do socialismo

Há exatos 30 anos a bandeira vermelha, com a foice e o martelo cruzados e uma estrela amarela na sua parte superior, tremulou no Kremlin pela última vez. No dia seguinte foi substituída pelas listas azul, branca e vermelha, a mesma da velha Rússia czarista. Continue lendo “O fim da União Soviética, pátria-mãe do socialismo”

Plenário de escorpiões

Falta pouco para 2022, ano em que o país se reencontrará com as urnas, pondo fim a uma campanha eleitoral iniciada há mais de mil dias. Mas, para além de Jair Bolsonaro e Lula, ambos em palanques permanentes, e das expectativas sobre os demais pretendentes à Presidência da República, poucas luzes são lançadas às disputas estaduais e, menos ainda, ao Congresso, hoje dono da maior bolada orçamentária e da pior avaliação de que se tem notícia na História. Continue lendo “Plenário de escorpiões”

Poço sem fundo

Em mais uma afronta à Constituição, o Congresso Nacional aprovou o orçamento do ano que vem com uma maçã podre colocada na última hora pelo governo federal que certamente vai contaminar o cesto inteiro. O aumento salarial discriminatório para a Polícia Federal já está produzindo um estrago de bom tamanho na Secretaria da Receita Federal, que terá seus recursos cortados para bancar o aumento dos policiais. Vem mais por aí, a lambança mal começou. Continue lendo “Poço sem fundo”

O segundo não a Pinochet

Chama a atenção uma coincidência entre o resultado da eleição chilena, na qual saiu vitorioso Gabriel Boric, candidato da Frente Ampla em aliança com o Partido Comunista, e o plebiscito de 1988 que pôs um fim na ditadura de Augusto Pinochet. Naquele ano o não ao ditador venceu por 55,9 a 44,1%. No domingo Boric se elegeu com os mesmos números, até após as vírgulas. Continue lendo “O segundo não a Pinochet”

Como o diabo gosta

No período que antecede a mais importante comemoração do calendário cristão quem faz a festa é o diabo. Afiados, emissários do coisa-ruim aceleraram o disparo do arsenal de maldades, não raro em nome de Deus – e dos pobres. Continue lendo “Como o diabo gosta”

É para acalmar ou acelerar?

O general que ocupa o cargo oficial de babá de inteligência do presidente da República diz que anda tomando Lexotan na veia. É coisa comum, pensei. Drogas são usadas por forças armadas ao redor do mundo, seja para acalmar, seja para acelerar. A soldadesca nazista, por exemplo, era entupida de Pervitin para ficar 72 horas seguidas “acesa” e dar conta das ordens insanas do Chefe nas blietzkrieg da Segunda Guerra Mundial. Milhares de toneladas de comprimidos de Pervitin foram produzidas na Alemanha exclusivamente para as tropas. Continue lendo “É para acalmar ou acelerar?”

A social-democracia ressurgiu das cinzas

Portugal com a sua “geringonça”, a improvável coligação de governo entre os socialistas e mais três partidos de centro-esquerda que desde 2015 governou o país, era uma espécie de aldeia de Asterix no continente europeu, na qual a social-democracia resistia bravamente à onda nacional-populista que varreu a Europa. Ali os trabalhadores, que eram historicamente base de sustentação da centro-esquerda, passaram para a direita populista, votando em Mateo Salvini na Itália, Marine Le Pen na França, Boris Johnson na Inglaterra, Victor Orban na Hungria. Continue lendo “A social-democracia ressurgiu das cinzas”