Vamos chamar o lixeiro

Quando a coisa aperta dá vontade de ir para a Terra do Nunca com os netos. Fechar-me na sala e ouvir música que me leve ao mais profundo da emoção estética, que me embale para encarar, pois esquecer não dá, a barra pesada que nos envolve nesses momentos de violência, radicalismo e ausência de pensamento lúcido e lógico. Continue lendo “Vamos chamar o lixeiro”

Dilma em Lisboa

A Dilma foi a Lisboa e não queria que ninguém soubesse. Se ela não fosse a presidente de nosso País seria natural e mesmo compreensível. Mas ela, quando admitiu exercer esse tipo de função política e burocrática, aceitou se expor à visitação pública. Qualquer coisica que é normal na vida dos cidadãos comuns não o é para os chamados altos mandatários. Continue lendo “Dilma em Lisboa”

É fogo

O fogo é belo e fascina. Mas ele bem longe de nós. O fogo é medonho, aterrorizante, tudo a ver com o inferno. Houve um tempo, em minha juventude em Belo Horizonte, em que não era incomum grandes prédios da avenida principal se consumirem em chamas. Continue lendo “É fogo”

Não gostamos do final da novela e resolvemos queimar um ônibus

Aqui em casa não gostamos do final da novela e resolvemos ir à avenida queimar um ônibus. Depois, achamos mais prático jogar o lixo na rua e pôr fogo. Convoquei primeiro o Jorge, meu vizinho à direita. Foi muito malcriado, escreveu que já estava de pijama e pronto para a cama, e não tinha nenhuma bossa para vândalo, o bundão. Continue lendo “Não gostamos do final da novela e resolvemos queimar um ônibus”

O poeta e sua dor

Meu aniversário naquele ano eu passei dentro de um avião, indo de Belo Horizonte para a Cidade do México. Ia para um encontro de poetas, “Poetas do Mundo Latino.” Tenho uma desconfiança boa de que, no convite que recebi de Eduardo Langagne para participar do evento, houve um empurrãozinho de Affonso Romano de Sant’Anna. Continue lendo “O poeta e sua dor”

Sem fuso e confuso

O mês de janeiro eu guardo para ficar quieto na cidade, gozar do trânsito livre das ruas e, de preferência, não fazer nem programar nada. É o tempo da preguiça. Mesmo aquelas coisas prazerosas que costumo desfrutar – arte, amizade e um pouco de bebida – reservo para horas tardias do dia. Continue lendo “Sem fuso e confuso”

A grande bolada

A única grande bolada que eu recebi, foi com bola mesmo. Chutada por um profissional amigo, a redonda bateu em cheio em meu rosto e me abalou um dente. A que todos nós gostaríamos de receber nunca vem, mesmo que façamos de vez em quando uma aposta na loteria do governo. Continue lendo “A grande bolada”

Território de brincar

Desci do táxi para cumprir uma tarefa bem mineira, comprar queijos. Fiz o que tinha de fazer e saí para a rua, satisfeito. Aquele quarteirão de rua me conhece bem e eu o conheço também. Fui parar ali com 9 anos e por três anos e meio aquele foi meu lugar, minha primeira casa em Belo Horizonte. Continue lendo “Território de brincar”

Pouco pode ser muito

Penso na fisioterapia. O paciente está com dores, dificuldade de se movimentar, incômodos musculares ou na coluna vertebral. Posturas inadequadas ou aflições afins. O profissional lhe ensina pequenos exercícios, curtos e localizados, gestos que aparentemente nada têm a ver com seu padecer. Continue lendo “Pouco pode ser muito”

Made in China

Faz tempo, deixei de trocar a roupa, pela manhã, entrar no carro,  esperar o motor aquecer (mania de velho). No somenos, espiar pelo “olho mágico” do portão da garagem para ver se “eles” não estão à espera de que eu saia para me assaltar. Continue lendo “Made in China”

Presença humana

Meus pais me olham através do retrato. Sinto a presença deles. É para isso que pomos as fotografias das pessoas que gostamos na parede. Para que em dado momento do dia, em hora que estamos à procura de algo, nos deparemos com olhares que sempre nos acompanharam e que não estão mais ao nosso alcance. Continue lendo “Presença humana”