Não gostamos do final da novela e resolvemos queimar um ônibus

Aqui em casa não gostamos do final da novela e resolvemos ir à avenida queimar um ônibus. Depois, achamos mais prático jogar o lixo na rua e pôr fogo. Convoquei primeiro o Jorge, meu vizinho à direita. Foi muito malcriado, escreveu que já estava de pijama e pronto para a cama, e não tinha nenhuma bossa para vândalo, o bundão.

Caprichei na mensagem para o Olegário, que mora à esquerda. Pior ainda. Respondeu que àquela hora, eram onze da noite, não saía de casa nem amarrado. “Convida algum assaltante aí da rua para ir com você”, postou o cínico.

Fui para o vizinho da frente, seu Augusto. Olha a resposta: “O que, com a gasolina nesse preço você quer pôr fogo?”. “A gente pode usar álcool”, tentei. Não respondeu.

Nisso toca o telefone fixo, que foi difícil de achar, porque ninguém lembrava onde estava. Pensei: “É ela”. “Gostaram da novela?”, perguntou minha sogra.  E, antes da resposta: “Pois eu não gostei. Ela tinha que tomar um choque que torrasse um braço, depois outro  para ficar sem uma perna, ia levando os choques e morrendo aos poucos…”.

Bem, pensei, está aí uma adesão para nosso protesto na avenida. Mas resolvi não arriscar.

31 de janeiro de 2014

5 Comentários para “Não gostamos do final da novela e resolvemos queimar um ônibus”

  1. Também não gostei, nós sempre gostamos da ficção brasileira. Melhor seria se o autor tivesse transferido a personagem para uma penitenciária do Maranhão e lá fosse decapitada, com direito a queima de ônibus e vitimização de criança.
    Nào fazem mais boas novelas.

  2. Valdir, o bundão, o cínico e o lacônico nem se indignam mais, a realidade é mais brutal. Que tal fazermos um rolezinho em protesto?

  3. Miltinho, uma pena, mas nosso rolezinho não daria certo. Estou velho, me chamam por aquele dado de estatística oficial,terceira idade. Há dias imaginei um rolezinho de velhos classe média. Entopem o estacionamento do shopping. À porta, soltam o grito de guerra: Mastercard! E invadem lojas, cinemas, a praça da alimentação, para consumir.
    Preferia, com grande prazer, que pudéssemos tomar um chopís (com dois pastel), num barzinho sossegado. Poderíamos chamar a Mary e o Servaz, esses amorosos amigos, que vivem enchendo o ego da gente.

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