Na semana passada, neste mesmo espaço, elogiei o governo Temer pelos feitos de sua política econômica e de seu programa reformista. Tudo que afirmei era verdade. Em um ano o país deixou de se equilibrar no chamado tripé da maldade (inflação alta, juros estratosféricos e recessão) e o avião da economia começou a embicar para cima. Continue lendo “Indiretas Já”
País de amadores
Não fosse uma imensa tragédia para o país, tudo o que envolve a delação dos irmãos Batista seria apenas uma fantástica ficção, entre o terror e a comédia. Continue lendo “País de amadores”
Cinta de ligas e meias de vidro
Lifeboat é um filme à deriva no mar da II Guerra. Filmou-o Hitchcock num bote onde meteu nove vidas sem destino. O caos tomou conta do oceano e no salva-vidas, no início, só está uma mulher madura e bela, cabelo, maquilhagem e jóias irrepreensíveis, casaco de arminho, esplêndidas meias de vidro. Tão certo como ser um filme de Hitchcock, uma delicada cinta de ligas mantém essas meias esticadas para que, sem dobras nem refegos, bem torneiem a bela perna. Continue lendo “Cinta de ligas e meias de vidro”
Com o diabo no corpo
Michel Temer, 76 anos, quase 40 deles dedicados à política, não se enquadra na categoria dos desprecavidos. Não teria sobrevivido se o fosse. Muito menos na dos ingênuos, o que torna inexplicável ter se deixado enredar na armadilha de Joesley Batista, para quem Temer, na noite de 7 de março, abriu os portões do Palácio do Jaburu e do inferno, lançando nas chamas ele próprio, o seu governo e o país. Continue lendo “Com o diabo no corpo”
A encruzilhada
Estamos numa situação difícil. Que devemos ao presidente Michel Temer. Como pode um presidente da República, um jurista conhecido como grande constitucionalista, receber em sua casa, à noite, um empresário cuja conversa ele deveria ter, de imediato, mandado calar e mais, avisado ao Ministério Público? Continue lendo “A encruzilhada”
Dalí era virgem
Com excepção da mão que num sonho se lhe enxameou de formigas, Salvador Dalí era virgem. Já o ateu Luis Buñuel, que num sonho desatou a cortar olhos humanos com uma lâmina, nem dos dedos do pé era casto, como bem se vê em L’Age d’Or. Continue lendo “Dalí era virgem”
Saudades do triplex
Quando os 78 executivos da Odebrecht — incluindo Emílio, dono da empreiteira, e seu filho Marcelo – fecharam acordo de delação com a Lava-Jato, acreditava-se no fim do mundo. Tratava-se do desbaratamento de um sistema organizado e sólido de corrupção em obras públicas — moldado no Brasil e com braços e pernas em outros 12 países – que existia há décadas, mas que se vitaminou e ganhou músculos nos governos petistas. Continue lendo “Saudades do triplex”
Lula e o vaso chinês
O juiz Sergio Moro abriu a sessão do depoimento do Lula afirmando que não é inimigo do depoente, que essa é uma visão distorcida dos fatos. Continue lendo “Lula e o vaso chinês”
O dique do Rio Sena
A onda nacional-populista que ameaçava se espraiar pelo velho continente com a força de um tsunami encontrou seu dique de contenção às margens do Rio Sena. A vitória consagradora de Emmanuel Macron afasta, por pelo menos cinco anos, o fantasma de o extremismo xenófobo e racista levar a Europa a ingressar nas trevas de uma nova idade média. Continue lendo “O dique do Rio Sena”
Tomai e comei
Que coisa exprime hoje as nossas esperanças ou o nosso mal-estar? Que filmes, livros ou canções? Os filmes de Pedro Costa, de Malick ou o Fast and Furious 8? Continue lendo “Tomai e comei”
Qualquer idade é boa para aprender
Tiro o título destas linhas de uma frase de José Saramago: “Qualquer idade é boa para aprender. Muito do que sei aprendi-o já na idade madura e hoje, com 86 anos, continuo a aprender com o mesmo apetite”. Continue lendo “Qualquer idade é boa para aprender”
Esqueçam o que defendi
No início dos anos 80 nascia no ABC paulista o chamado sindicalismo combativo, tendo como bandeiras a modernização das relações de trabalho por meio de livres negociações entre patrões e trabalhadores e o fim da unicidade sindical – apenas um sindicato por categoria em uma mesma base territorial – com a consequente adesão do país à Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho, consagradora do princípio do pluralismo sindical. Continue lendo “Esqueçam o que defendi”
A starlet
Gosto de starlets. Negá-las, seria negar a minha adolescência. E o cinema precisou tanto delas. O que seria de Botticelli sem Vénus, essa starlet do Olimpo? Peço desculpa aos mais fundamentalíssimos cinéfilos, mas de vez em quando faz-me falta um fim-de-semana com Elke Sommer.
Por fora bela viola, por dentro pão bolorento
O Rio continua lindo. Mais do que lindo, deslumbrante. No outono, é quando a beleza desta cidade assume um colorido mais nítido e suave, e deixa qualquer um estonteado. Continue lendo “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”
As veias abertas da social-democracia
As urnas francesas deixaram expostas as vísceras da social-democracia européia, mergulhada na sua maior crise pós Segunda Guerra Mundial. Por mais de 60 anos, os social-democratas foram hegemônicos no seio da velha classe operária e erigiram-se em poder graças à idéia-força do binômio igualdade-liberdade. Agora, estão sendo desidratados à direita e à esquerda. Continue lendo “As veias abertas da social-democracia”




