Acertos e tropeços

É muito cedo para fazer grandes avaliações sobre os rumos de um governo que sequer começou. Mas, com pouco mais de uma semana da eleição, é possível concluir que Jair Bolsonaro marcou alguns tentos em determinadas áreas e pisou na bola em outras. Embora demonstre desconhecimento do tamanho do campo e de várias regras do jogo, até aqui o placar lhe é favorável. Continue lendo “Acertos e tropeços”

A tesoura de Grace Kelly

O dinheiro tanto move montanhas como movia Alfred Hitchcock e as personagens dos filmes dele. Por dinheiro, um antigo campeão de ténis, personagem de Dial M For Murder, manda matar a mulher, temendo que ela o deixe e leve a fortuna, trocando-o por um romancista de policiais, como romancista de policiais também era o meu amigo Dinis Machado, que muito amava a sua Dulce Cabrita. Continue lendo “A tesoura de Grace Kelly”

#IncivilidadeNão

Com um programa de governo genérico, que não teve importância alguma para a sua eleição, Jair Bolsonaro ultrapassou a primeira semana do pós-vitória tateando. Agradou e desagradou as torcidas que ainda continuam armadas, e criou apreensão em quem, para além delas, se aflige com o país. Continue lendo “#IncivilidadeNão”

Quer saber o que são fake news? Procure a imprensa estrangeira ou o PT

Ora vejam só, de repente descubro que confiar na imprensa estrangeira para informações sobre política – econômica ou não – dos países do Hemisfério Norte não é garantia de estar retransmitindo informações de confiança. Sou daquelas que dizia, enfática: deu no New York Times; li no The Guardian; está no The Times; como publicado no The Economist… Hoje, vejo que confiar cegamente nesses jornais e revistas é o caminho mais certo para o descrédito. Continue lendo “Quer saber o que são fake news? Procure a imprensa estrangeira ou o PT”

Por uma nova oposição

Mais do que nunca o Brasil vai precisar de uma oposição capaz de cumprir a missão delegada pelas urnas de fiscalizar o governo e cobrar a execução do seu programa e promessas eleitorais. Essa responsabilidade aumenta diante das incógnitas sobre como se comportará o presidente eleito, que emite sinais em direções diferentes. Continue lendo “Por uma nova oposição”

Diz-me agora que não tens medo

A paixão que é o medo! O amor, o amor, pois claro, a cálida perna nua que se roça pela nossa correspondente nudez, a diligência investigacional com que indicador e polegar tacteiam um mamilo, como se fossem crianças de seis anos a brincar às escondidas… o amor, pois claro, mas nada se compara à paixão pelo medo. Continue lendo “Diz-me agora que não tens medo”

O cavalo de Esopo

Em seu indispensável Como morrem as democracias, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt recorrem à fabula do cavalo e o caçador do escritor grego Esopo. Com ela explicam o que aconteceu com quem aplainou o terreno para a assunção de tiranos como Adolf Hitler, Benito Mussolini, Hugo Chávez e outros. Continue lendo “O cavalo de Esopo”

O enfarte de miocárdio

Mas quem é que hoje ainda apanha um comboio? Eu sou do tempo em que até se apanhavam comboios para 1920. John Wayne apanhou um desses belíssimos cangalhos ronronantes e desembarcou em Inisfree. Foi a mando de John Ford e o comboio chegou com três descomprometidas horas de atraso.  Continue lendo “O enfarte de miocárdio”

O conto do cabresto digital

Haddad defendeu incesto em livro. Facada foi armação para esconder câncer de Bolsonaro. Frase “Jesus é travesti” gravada na camiseta de Manuela D’Ávila, bolsonaristas distribuindo grama para nordestinos. Pesquisas mostrando Haddad na liderança, ameaças de que tanto o PT quanto o PSL vão congelar a poupança. Essas e outras tantas mentiras – glamourizadas com a grafia inglesa fake news – correram e continuam frequentando as redes, ambiente em que ninguém é inocente. Nem a equipe do ex-capitão nem o PT. Continue lendo “O conto do cabresto digital”

Navegar é preciso

Nas três últimas décadas os brasileiros conquistaram dois bens inestimáveis: a estabilização da economia, em 1994, com o fim da inflação que penalizava em especial os mais pobres, e o retorno da democracia, consagrada na Constituição de 1988. Continue lendo “Navegar é preciso”

Que longe que era a guerra

Pode alguém ter saudades e memórias ternas e queridas da guerra?

Aposta arriscada, mas vamos já à destrunfa: eu nunca conheci Hitler, mas Bill um miúdo inglês que bem podia ter crescido na velha Luanda dos anos 60,

se não fosse um puto londrino dos anos 40, quer dizer duas coisas ao alemão de curto bigode e vai explicar-nos tudo.

Continue lendo “Que longe que era a guerra”

Apesar de vocês

O uso não raro inescrupuloso dos meios para se chegar ao fim, a apropriação do Estado, a ditadura do pensamento único e a consequente patrulha, práticas recorrentes entre os regimes fascistas, estão em voga. Os dois candidatos à Presidência da República que saíram do primeiro turno são, direta ou indiretamente, experts nesses hábitos. E tentam convencer o distinto público do contrário. Continue lendo “Apesar de vocês”