É futebol a dor que deveras sentes

Ele era a antítese de Marilyn Monroe. E repare-se, nem sequer estou a falar de beleza, mas só da insignificância a que chamamos confiança em si mesmo. A confiança de Carlos Kaiser em si mesmo esgotaria a lotação de qualquer estádio. Mesmo a do Maracanã. Continue lendo “É futebol a dor que deveras sentes”

Um primitivo

Um dos filmes mais estranhos que já vi é O Curioso Caso de Benjamin Button. Conta a história de um homem que nasce velho, um bebê todo enrugado, um mini velhinho, feio, assustador e que inspira repulsa até no pai que o abandona na entrada de um asilo. E nesse asilo ele cresce e vai vivendo ao contrário de todos nós; em vez de envelhecer, remoça, até que numa idade provecta ele está um jovem rapaz. Continue lendo “Um primitivo”

Escalada da intolerância

A liberdade de expressão é um valor fundamental para definir o grau de civilização de uma sociedade e de seu ordenamento democrático. Quanto maior, mais avançado é o estágio civilizatório. E quanto mais cerceada, maior o déficit democrático de um país. Continue lendo “Escalada da intolerância”

Se ainda têm um coração

Se ainda bate um coração no peito dos leitores do Jornal de Negócios, bebam-me estas lágrimas. São as lágrimas da mãe de Joseph Cyr. É um dia de Outono de 1951 e que mãe não choraria ao ver o nome do seu filho desenhado num jornal, a letras generosas, contando como ele, Joseph Cyr, cirurgião, na insidiosa guerra da Coreia, a bordo de um destroyer canadiano, em pleno deck e o céu por testemunha, operara três norte-coreanos, um deles com uma bala a tricotar-lhe o coração, salvando-os da nefanda morte. Essa é a mais franciscana das nobrezas: salvar o próprio inimigo. Continue lendo “Se ainda têm um coração”

Vanguarda iluminada

O aglomerado de esquerda formado pelo Partido dos Trabalhadores e assemelhados (PSOL, PC do B, PDT e PSB) sofreu mais uma grande derrota política, a quarta nos últimos três anos, com a aprovação de forma arrasadora da Reforma da Previdência.  Continue lendo “Vanguarda iluminada”

Não matarás!

O quinto mandamento, versão talmúdica ou católico-romana, era uma auto-estrada por onde Eugen Weidman entrava, imparável, a zunir e em contramão. Não matarás! Mas Eugen matava, matou com gosto, e mataria sempre e mais se não lhe têm posto o corpinho com dono. Continue lendo “Não matarás!”

Algumas Bolsonarices

1 – O capitão não se manifestou sobre a imensa perda que o Brasil sofreu na semana passada. A imprensa internacional, autoridades de muitos países enviaram abraços para o nosso povo, numa delicada tentativa de nos consolar pelo falecimento do criador genial, João Gilberto… Já Bolsonaro, nem um pio espontâneo, apenas uma resposta infeliz quando perguntado sobre a notícia! Continue lendo “Algumas Bolsonarices”

A vida como ela é

A mais recente rodada dos dois principais institutos de pesquisa – Datafolha e Ibope – revelou uma importante mudança na cabeça dos brasileiros e para a qual o mundo político deveria estar atento, a começar pelo presidente da República. Ao contrário das eleições do ano passado, quando seu impacto foi menor, o chamado mundo real, com suas questões concretas, como desemprego e serviços públicos de baixíssima qualidade, passam a ser o centro das preocupações das pessoas. Continue lendo “A vida como ela é”

Para a boca, só de Paris

De François Villon, poeta francês do século XV, não há selfies e sabe-se tão pouco. Orfão de pai, nasceu estava a cleresia a atirar a milagrosa Joana d’Arc para a fogueira. Eram maus tempos para recalcitrantes e um patrono generoso enfiou Villon na Faculdade de Paris, com o objectivo salutar de que ele, no futuro, fosse dos que queimam e não dos que ardem. Continue lendo “Para a boca, só de Paris”

“La Terre est bleue!”

Aos 23 anos, estudante, animada, encantada com todas as belezas de Paris, uma cidade apaixonante, eu subia a Avenue des Champs Elysées em direção ao Arco do Triunfo, distraída com meus pensamentos, quando começou a transmissão que ecoou no mundo inteiro: a voz entusiasmada do astronauta soviético Iuri Gagarin a dizer “La Terre est bleue!”. Repetida umas cinco vezes, tal o entusiasmo do astronauta russo com a maravilha que via, a Terra toda azul, de um azul maravilhoso. Continue lendo ““La Terre est bleue!””