Deitada na cama, um telefone ao lado

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Conhecia-a por­que o João Bénard a conhe­cia. O João, meu direc­tor, falava dela e, sem a ver­mos, já a vía­mos. Deliciava-nos com as excen­tri­ci­da­des dela, assustava-nos com as fúrias dela. Eram os anos 80, estava eu na Cine­ma­teca Por­tu­guesa, que era como se fosse irmã gémea da Cine­ma­teca Francesa. Continue lendo “Deitada na cama, um telefone ao lado”

Fortes emoções

Abaixa que aí vem lama.

Mal os reis magos terminaram a sua tarefa de entregar ouro, incenso e mirra ao menino recém-nascido, o que marca para o calendário gregoriano de nossas atribulações o início efetivo de um longo ano de trabalho, futebol e eleições, a pax natalina dá lugar às primeiras escaramuças de guerra. Continue lendo “Fortes emoções”

Bolsa enchente

Entra ano, sai ano, seja no final de um ou no início do outro, as chuvas de verão matam gente e impõem o desabrigo a milhares. Em 2010, o País contabilizou 473 mortos em enchentes. No ano seguinte, 918 só na região serrana do Rio de Janeiro. Continue lendo “Bolsa enchente”

É tudo a fingir

Blue Velvet -- Dennis Hopper  1986

Eu levava as coi­sas muito a peito. Fui pra­ti­ca­mente fili­ado no pol-potismo da crí­tica de cinema que os subs­ti­tu­tos de Truf­faut e Godard ins­ta­la­ram nos Cahi­ers du Cinèma quando lhe desa­ma­re­la­ram a capa. Até que, um dia, o actor Den­nis Hop­per cho­rou para mim. À minha frente, mas mesmo para mim. Continue lendo “É tudo a fingir”

O Jogo do Contente

Vocês naturalmente conhecem o livro Pollyana, um dos maiores sucessos da literatura infanto-juvenil de todos os tempos. A heroína é uma menina que sofreu muito na primeira infância e aprendeu com seu pai, pobre e sofredor como Jó, a procurar ver o lado bom das coisas e a jogar, sempre que possível, o Jogo do Contente, que faz do limão uma fruta bem doce. Continue lendo “O Jogo do Contente”