Dilma, a neoliberal

Há tempos Dilma Rousseff não tinha uma semana de tantas boas novas. Colheu o sucesso da 11ª rodada de licitação de petróleo e gás, a primeira realizada em cinco anos, e aprovou a MP dos portos, ainda que a penas duríssimas, impondo ao Congresso humilhação e vexame. Continue lendo “Dilma, a neoliberal”

Foi contra tudo isto que lutámos

zzzzzzcannesPassaram-se tan­tas coi­sas em Can­nes. Houve um tempo em que ia lá todos os anos. Entre o fes­ti­val de cinema, os gran­des mer­ca­dos de tele­vi­são, duas, três vezes ao ano, ali ao lado das encos­tas que Picasso, Cal­der, Fitz­ge­rald esco­lhe­ram para pin­tar e escrever. Continue lendo “Foi contra tudo isto que lutámos”

Porto inseguro

Dilma Rousseff, Lula e o PT só pensam naquilo: reeleição, eleição, reeleição. Não necessariamente nessa ordem, já que depende da maré – leia-se, da economia – quem será o protagonista em 2014. Continue lendo “Porto inseguro”

O coração numa bandeja

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Mesmo alguém que não se cha­masse Coe­lho estre­me­ce­ria ao ouvir a voz melan­có­lica de Pedro I, rei de Por­tu­gal, orde­nar: “Preparem-me esse coe­lho que tenho fome.” Num conto de Os Pas­sos em Volta, de Her­berto Hel­der, um dos assas­si­nos de Inês, Pêro Coe­lho, de joe­lhos entre os guar­das, reco­nhece o direito de vin­gança do monarca e sabo­reia a iro­nia da frase real. Continue lendo “O coração numa bandeja”

Dirceu, fiscal de Sarney

José Dirceu é mesmo o máximo. Ministro-chefe da Casa Civil e homem de confiança do presidente Lula, foi desapeado do Planalto em junho de 2005 quando as denúncias do mensalão começaram a esbarrar no chefe-maior, que o tinha como capitão do time. No fim do mesmo ano teve seu mandato de deputado federal cassado. Continue lendo “Dirceu, fiscal de Sarney”

O apartador de brigas

Ironias do destino: precisamos dos préstimos do moralíssimo e pragmático PMBD (“um ajuntamento de assaltantes”, na definição do mercurial fraseologista Ciro Gomes) para evitar – ou pelo menos amenizar – os ataques compulsivos do petismo contra a institucionalidade. Continue lendo “O apartador de brigas”

A falta que lhe fez um filme americano

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Nos tem­pos em que eu sole­trava entu­si­as­mado a inde­ci­dí­vel rata­touille lite­rá­ria que é a prosa do filó­sofo Gil­les Deleuze, apanhei-o a jurar que toda a his­tó­ria da filo­so­fia mais não é do que um inter­mi­ná­vel con­junto de comen­tá­rios ao dife­ren­cial que são os diá­lo­gos de Pla­tão. Terá sido no “Dif­fe­rence et Répetition”?

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Três poderes? É muito

Partido bom é partido a favor.

Partindo desse elementar princípio de isonomia e justiça, o partido do governo e seus epígonos, que constituem a base aliada no Congresso, estão tratando de inviabilizar as siglas que ameaçam turvar a reeleição de Dilma no primeiro turno das eleições de 2014. Continue lendo “Três poderes? É muito”

Briga de bicos

Quanto mais tenta se desenroscar mais o PSDB tropeça no seu próprio bico. Há mais dissenso do que consenso, o que dificulta o caminho da legenda para se tornar competitiva na disputa pela cadeira da presidente Dilma Rousseff. Continue lendo “Briga de bicos”

Rosebud

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Quando saiu das mãos de Orson Wel­les, Char­les Fos­ter Kane, mega­ló­mano, críp­tico, já era muito maior do que a vida. Lem­bro os menos ciné­fi­los que falo do herói de um filme, Citi­zen Kane. O pró­prio Wel­les inter­preta a per­so­na­gem que morre no começo do filme sus­sur­rando, numa mis­te­ri­osa saída de cena, a pala­vra rose­bud.

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