Os principais – e também os secundários – candidatos à presidência do Brasil encontraram-se pela última vez num debate vespertino na tela do SBT, um canal de onde você espera que surja a qualquer momento uma pegadinha do Ivo Holanda, uma velhinha surda da Praça da Alegria, ou o patrão atirando aviõezinhos de dinheiro para suas “colegas de trabalho”. Continue lendo “Em busca do messias”
Uma gente diferenciada, que nunca precisou de cota
“No dia em que os filhos do pobre e do rico, do político e do cidadão, do empresário e do trabalhador, estudarem na mesma escola…nesse dia o Brasil será o país que queremos.” Eduardo Campos
Provavelmente Eduardo Campos teria ficado satisfeito se soubesse que meninos pobres, como, por exemplo, um certo Joaquim Barbosa, filho de um pedreiro, e meninos ricos, como um certo Fernando Collor de Mello, filho de um senador, estudaram, nos anos 70, nas então prestigiadas escolas públicas CASEB e Elefante Branco, situadas na Asa Sul de Brasília. Continue lendo “Uma gente diferenciada, que nunca precisou de cota”
Marina, Renan & Cia.
Em outubro do ano passado, quando o TSE impediu a criação da Rede de Sustentabilidade, partido que Marina Silva tentou criar e ainda quer fazer para si, o PT comemorou. Os petistas temiam. Era enorme o risco de ter a ambientalista acreana como adversária. Continue lendo “Marina, Renan & Cia.”
Os tiros fizeram do carro um passador
Quando a conheci, já ela morrera há sessenta anos. Conheci a Bonnie que Clyde amou, em 1994, na mansão de um big shot do cinema, em Beverly Hills. Sábado e sol de Maio, duas bandas de jazz, vastos relvados, as mesas sob toldos protectores. Podia ser a festa do crisma do filho de Michael Corleone, no Godfather part II. Continue lendo “Os tiros fizeram do carro um passador”
O que não está lá
“No engano por desinformação ativa, a ilusão é positiva. A discrepância entre realidade e aparência consiste em induzir um organismo a ver coisas, a formar imagens deturpadas ou a distrair-se momentaneamente. A perceber algo, em suma, que não está lá”. Continue lendo “O que não está lá”
A nova velha política
Política no Brasil sempre foi personalista e, não raro, os partidos políticos são satélites girando em torno de personas. O PTB de Getúlio Vargas, o PDT de Leonel Brizola, o PMDB de Ulysses Guimarães são alguns exemplos. Mas nesse quesito o Partido dos Trabalhadores é imbatível: sem Lula o PT não respira. O horário eleitoral dito gratuito no rádio e na TV é só mais uma prova disso. Continue lendo “A nova velha política”
O Al Capone que Brian De Palma não filmou
Entrou em Alcatraz e o director da prisão não voltou a ter sossego. Choviam telefonemas e visitas. Al Capone era, em 1934, o que ontem foi um O. J. Simpson e hoje é o caso BES. Continue lendo “O Al Capone que Brian De Palma não filmou”
Tragédia em agosto, incerteza em outubro
A manchete da The Economist de 16 de agosto foi simples: “Tragic August, uncertain October “.
Não é a primeira vez que o mês de agosto nos machuca, assim como não é a primeira vez que outubro se aproxima com sua carga de incertezas, medo e campanhas irritantes, “sempre mais do mesmo”. Continue lendo “Tragédia em agosto, incerteza em outubro”
Enchente amazônica
“Pois transbordando de flores / a calma dos lagos zangou-se / a rosa dos ventos danou-se / o leito dos rios fartou-se / e inundou de água doce / a amargura do mar / numa enchente amazônica / numa explosão atlântica…”
Assim é o Brasil: há um Chico Buarque para cada situação. Continue lendo “Enchente amazônica”
E se…
E se…
Dizem que a morte é a única certeza da vida. E não há crença, ciência ou lógica capaz de explicar seu egoísmo em tragar talentos que fariam diferença entre os vivos. Poderosa, orquestra mudanças radicais e reina absoluta entre o condicional, os inevitáveis “se” que mudariam a história caso ela não tivesse se metido. Continue lendo “E se…”
O charlatão gentil
Foi um charlatão, ápodo que se dá a certos homens de talento. Orson Welles, deslumbrado, filmou-o em F for Fake. Chamemos-lhe, como ele se auto-baptizou, Elmyr de Hory. Continue lendo “O charlatão gentil”
‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’
We are such stuff as dreams are made on.
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, scene 1
Temos sofrido golpes fundos em nossa vida política, golpes terríveis, como o suicídio de Getúlio; os 20 anos de ditadura; a morte de Tancredo; o desastre que matou Ulysses Guimarães; as mortes de jovens lideranças, como Luís Eduardo Magalhães e Marcelo Déda. Continue lendo “‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’”
A morte, o destino, tudo
John Kennedy morreu com um tiro na cabeça.
Em novembro de 1963 a notícia chocava o mundo e vi a primeira demonstração de pragmatismo vinda de um vizinho da mesa do banco onde eu trabalhava. Continue lendo “A morte, o destino, tudo”
Sobre fraudes e farsas
Certeza da impunidade, ingenuidade, burrice. Por mais que se tente, não há explicação plausível para o fato de alguém, em um computador do Palácio do Planalto, incluir trechos mentirosos e aviltantes nos perfis dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia. E será preciso mais do que emitir notas oficiais de repúdio e arranjar aloprados para que a Presidência da República consiga se safar. Continue lendo “Sobre fraudes e farsas”
Ninguém é profeta na sua terra
Fui um libertário. Não era só pôr flores na cabeça como vinha nas fotografias autorizadas de Woodstock. Despi-me, como ainda não sabíamos que se tinham despido em Woodstock, para irmos, boys and girls, tomar banho nus e de meia-noite, mais ou menos por ali onde agora José Eduardo dos Santos tem o seu Futungo. Continue lendo “Ninguém é profeta na sua terra”




