“Na dúvida, fique com o companheiro”

A prática não começou na Presidência da República. Desde sempre, ainda quando o voo de alcance máximo eram as prefeituras, o PT tratou o Estado como uma ação entre amigos. No Planalto, a coisa descambou: ampliou-se a rede de companheiros, multiplicaram-se os esquemas de financiamento, pulou-se de milhares para milhões. Continue lendo ““Na dúvida, fique com o companheiro””

Uma cadeira no meio das pernas

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Claro que a car­reira de Mar­lene Die­trich tinha per­nas para andar. Foi com uma cadeira no meio des­sas per­nas que Josef von Stern­berg lhe cons­truiu a ima­gem. Quem viu, dizia: “Ah, aque­las per­nas.” Eram sus­pi­ros de 1930. Começava-se a sus­pi­rar na Ale­ma­nha e con­ti­nu­ava a suspirar-se pelos Esta­dos Uni­dos da Amé­rica dentro. Continue lendo “Uma cadeira no meio das pernas”

Nunca houve governo tão incompetente (3)

É um caso para estudo em escolas de administração. Pelo avesso. Ensina tudo sobre o que não se deve fazer. Este é o resumo desta desastrada intervenção da Presidente Dilma na Petrobrás. Mas uma coisa se diga: foi coerente. Improvisada e insensata do começo ao fim. Continue lendo “Nunca houve governo tão incompetente (3)”

Pirueta na corda bamba

Depois das piruetas dos trapezistas do Gran Circo Planalto para disfarçar os números fiscais escabrosos, depois das peripécias no globo da morte para transformar déficit em superávit, depois do trabalho extraordinário dos clowns para varrer a sujeira da Petrobrás para debaixo da serragem do balanço sem auditoria, o grande lance da função estava reservado para os domadores. Continue lendo “Pirueta na corda bamba”

Godard na “Casa dos Segredos”

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Quando se virou a página, virou-se a página.” É o que sai da boca de Godard. Mas o bri­lho triste dos olhos que Anna Karina fixa na boca dele desmentem-no. Estão, lado a lado, num pla­teau de tele­vi­são. Vinte anos depois de se terem divor­ci­ado. Vinte anos sem se terem vol­tado a ver. Continue lendo “Godard na “Casa dos Segredos””

A batalha da propaganda

Presa em seu labirinto, guerreando contra suas convicções e tropeçando no teleprompter, a presidente da República reuniu o maior ministério da história do Brasil e possivelmente o maior do mundo, para ler sua arenga incolor, sem som e sem fúria, significando nada. Continue lendo “A batalha da propaganda”

O sonho não acabou

A história tem dessas coincidências felizes.  Vinte e quatro horas após o “Martin Luther King Day”, e às vésperas dos 50 anos do “Domingo Sangrento”, Barak Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, conclamou seu país a virar a página dos últimos 15 anos. E promover uma economia que gera aumento de renda e oportunidade para todos. Continue lendo “O sonho não acabou”

Mudos

A presidente Dilma Rousseff está muda. O ex Lula, idem. Há mais de um mês nenhum deles dá um pio. Receio de cobranças sobre a adoção de medidas econômicas ortodoxas, que contrariam o que foi dito em campanha? Difícil crer. Continue lendo “Mudos”

O Cristo redentor de Pasolini

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Era eu. Numa mão um livro, na outra uma metra­lha­dora Vig­ne­ron. O livro era pequeno e ver­me­lho. Boa para a guer­ri­lha urbana, a metra­lha­dora fora recu­pe­rada à FNLA, diziam-me os cama­ra­das. Nunca a dis­pa­rei, se me des­cul­pam come­çar a cró­nica com um anticlímax. Continue lendo “O Cristo redentor de Pasolini”