Daqui do Reino das Águas Turvas

Nunca vi a Rainha falar tanto. Há quem pense que sem poder empregar seu tempo no hobby favorito, que é aumentar o tamanho do Estado e fazer deste Reino o sonho de todo petista, ela acabou descobrindo que falar ao povo é muito bom, é trocar um peteleco pelo outro e às rainhas dar petelecos nos súditos causa um prazer delicioso. Continue lendo “Daqui do Reino das Águas Turvas”

O estrangeiro

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Gosto do estran­gei­ro, do homem e da mulher sós, sem nin­guém que lhes fale a lín­gua. Gosto do fran­cês de Alje­zur, da impla­cá­vel alemã, patroa do recep­ci­o­nista que eu fui num hotel do Lobito, do zai­rense da Capa­rica, mais expa­tri­ado do que o Chew­bacca do Star Wars. Continue lendo “O estrangeiro”

Caiu na real?

Até ontem se vendiam ilusões. De forma exaustiva, a presidente Dilma Rousseff repetia: a crise é passageira e a retomada do crescimento se dará logo, logo. No máximo, admitia 2015 como o ano da “travessia”. Tudo, no entendimento do governo, era uma questão de vontade política, como se a economia fosse movida pela fé. Continue lendo “Caiu na real?”

Carta a Marlon Brando

O escri­tor Jack Kerouac tinha uma cara sufi­ci­en­te­mente boa para cinema. Bem podia ter sido o que Mont­go­mery Clift sofri­da­mente foi em From Here to Eter­nity. E, não tivesse já mor­rido, até podia ser a cara de um dos recru­tas de Stan­ley Kubrick em Full Metal Jac­ket. Tinha uma bela cara de homem, maçãs do rosto cora­das a audá­cia e dúvidas. Continue lendo “Carta a Marlon Brando”

Sobre tesouras e thesaurus em Brasília

O ministro Edinho Silva (não, não sou amiga dele, esse é seu nome, Edinho) no dia seguinte à manifestação estrondosa de domingo 16, aquela que se destacou por ter um único foco, o “Fora PT, Lula e Dilma”, deu a seguinte declaração: Continue lendo “Sobre tesouras e thesaurus em Brasília”

#ForaPelegos

Nos últimos 12 anos, centrais sindicais e movimentos sociais foram, paulatinamente, cooptados pelo Estado. Até as mais combativas passaram a ser tuteladas, mantidas por tributos compulsórios, aparelhadas e instrumentalizadas por interesses partidários e governamentais. Continue lendo “#ForaPelegos”

F?

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Kafka, nome impos­sí­vel de duas con­so­an­tes e uma vogal; Kafka, len­ga­lenga infan­til a que só um insi­di­oso F evita a ridí­cula caco­fo­nia, pro­ta­go­ni­zou uma ini­ma­gi­ná­vel pai­xão. O autor de A Meta­mor­fose amou à maneira dos fil­mes a que tanto ia, como mos­tra Hanns Zis­ch­ler no docu­men­tá­rio Kafka goes to the movies. Continue lendo “F?”