A primeira obrigação é dar nome aos bois: rachadinha é um apelido simpático para desvio de dinheiro público, peculato no juridiquês. Em geral, a apropriação indébita de proventos de funcionários – fantasmas ou não – também está intimamente ligada à lavagem de dinheiro, esquema que o delinquente forçosamente cria para encobrir a origem da bufunfa garfada. Não raro, associa-se à organização criminosa devido à necessidade de estruturar e comandar redes azeitadas de coleta e de ocultação do delito. Continue lendo “Rachadinha não é crimezinho”
2022 é só em 2022
O PT do ex Lula e o presidente Jair Bolsonaro perderam feio. O centro avançou, a abstenção bateu recordes. Mas, para além do óbvio, será necessário ultrapassar a fase das análises apressadas, algumas absolutamente irresponsáveis, para entender as motivações do eleitor e suas variáveis. Continue lendo “2022 é só em 2022”
Barrados no baile
Menos de uma semana depois dos resultados da estreia do fim das coligações para a eleição de vereadores, pequenos partidos, apoiados por grandes siglas interesseiras, iniciaram um movimento para banir a proibição. Querem restabelecer as antigas regras para driblar as cláusulas de barreira, ter acesso ao Fundo Partidário e direito a horário de rádio e televisão mesmo sem o desempenho mínimo definido, por emenda constitucional, em 2017. Mas nem falam em aprimorar o combalido sistema eleitoral do país, que continua sem oferecer opções de aproximação entre o eleitor e o eleito. Continue lendo “Barrados no baile”
“Maricas empoderadas”
A eleição de 30 transexuais e travestis, 24 gays, 20 lésbicas e 7 bissexuais para vereador em todas as regiões do país alegra, conforta e não deixa dúvidas: a retrógrada, machista e homofóbica agenda comportamental do presidente Jair Bolsonaro definitivamente não emplacou. Vitória comemorada com bom-humor e fina ironia pelo presidente da Aliança Nacional LGBTI+ Toni Reis: “as maricas estão empoderadas”. Continue lendo ““Maricas empoderadas””
Hoje não é 2022
O Brasil que vai às urnas neste domingo tem cara bem diferente daquele de 2018. Após dois anos de convívio cotidiano com a desgovernança, virulência e boçalidade do presidente Jair Bolsonaro, uma pandemia que já dura quase 10 meses, empobrecimento e desencanto, os indicadores são de que o eleitor, ressabiado, se cansou de aventuras. Parece preferir partidos tradicionais e políticos com alguma experiência, e move-se mais para o centro. Mas imaginar o agora como prévia de 2022 é fantasia pura. Continue lendo “Hoje não é 2022”
Pane no extremo bolsonarismo
Aos primeiros sinais de que Joe Biden ultrapassara Donald Trump na disputa pela Casa Branca, o presidente Jair Bolsonaro corretamente substituiu as demonstrações de paixão desenfreada pelo republicano pelo necessário pragmatismo. E bagunçou a cabeça dos radicais da direita tropical. Continue lendo “Pane no extremo bolsonarismo”
A praga bolsonarista
Suspenso antes de completar 24 horas de vigência, o decreto do presidente Jair Bolsonaro autorizando estudos sobre a inclusão das unidades básicas de saúde no Programa de Parcerias de Investimentos continua causando estranheza. Não só por mexer na estrutura do SUS no curso da pandemia que já infectou 5,5 milhões e matou quase 160 mil brasileiros, mas pelo ato em si. Até porque não é necessário decreto algum para proceder estudos – quanto mais em governo que nada planeja ou estuda. Nem por decreto. Continue lendo “A praga bolsonarista”
Bolsonaro destrói o orgulho nacional
Em 1966, o decreto 59.153 do marechal Castello Branco, primeiro presidente militar pós-golpe, estabelecia a Campanha de Erradicação da Varíola, com vacinação em massa para 100% dos brasileiros. Após cinco anos o país já havia se livrado da doença, com erradicação reconhecida e aplaudida pela OMS em 1980. Uma revolução que só foi possível graças a cientistas da União Soviética. No auge da guerra fria. Continue lendo “Bolsonaro destrói o orgulho nacional”
Bolsonaro abraça a TV Brasil
Abraços são demonstrações de afeto, de alegria ou de força nos momentos de dor. Por vezes, naufragam oportunistas. Por outras são imorais, ilegais ou ambos. Há duas semanas, o caloroso abraço entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Supremo Dias Toffoli selou a reedição dos eternos conluios brasilienses, nos quais os participantes gargalham de quem ousa mexer no arranjo. Na terça-feira, dois outros abraços, desta vez enviados ao presidente durante o jogo Peru x Brasil, também foram simbólicos, escancarando a farsa de que ele teve algum dia a pretensão de extinguir o que nasceu para ser TV Lula e agora é TV Bolsonaro.
Tubaína com o presidente
A descortesia do presidente Jair Bolsonaro ao indicar o substituto do ministro Celso de Mello 12 dias antes da vacância do cargo no STF foi uma desforra a um algoz e muito mais. A real e indisfarçável urgência é acelerar o pouso, em mãos aveludadas, dos casos espinhentos para ele e sua prole. Continue lendo “Tubaína com o presidente”
Digitax uma ova!
Por duas vezes em menos de um mês o presidente Jair Bolsonaro detonou as ideias de sua equipe econômica para atendê-lo na criação de um substituto mais generoso para o Bolsa Família, batizado de Renda Brasil. “Não posso tirar dos pobres para dar para os paupérrimos”, esbravejou, indignado. Na mesma semana em que reprisou a frase de efeito, avalizou a reencarnação da CPMF, ressuscitada como Digitax. Optou por tirar também dos paupérrimos para perenizar o dinheiro na veia que inflou sua popularidade. Continue lendo “Digitax uma ova!”
Covardia
Quem poderia dizer que o adjetivo covarde definiria o presidente Jair Bolsonaro, aquele que sempre posou de machão. Nos palanques ele desdenha dos mais de 135 mil mortos pela Covid-19 e dos brasileiros que seguem as regras sanitárias – “ficar em casa é conversinha mole para fracos”. É o atleta que desafiou a pandemia, o valentão que não tem papas na língua. Mas no Planalto é um presidente relutante e medroso, atormentado por invencionices conspiratórias, sem qualquer preparo ou gosto pela governança, para a qual ele e o seu time são os maiores impedimentos. Continue lendo “Covardia”
Os zumbis
O calendário gregoriano garante: estamos em 2020. Somos sobreviventes (ainda) de uma pandemia avassaladora que infectou quase 30 milhões de pessoas no mundo, matou 911 mil, 130 mil delas no Brasil. Mas os protagonistas políticos tropicais – e outra meia dúzia de neopopulistas resistentes – teimam em ressuscitar pragas do século passado e de antes disso. De um lado e de outro, nos extremos de direta e esquerda. Continue lendo “Os zumbis”
Livres e soltos
Corrupção não é invenção nacional. Mas o Brasil, mesmo tendo avançado na condenação de poderosos, mantém a patente da couraça para políticos e endinheirados. A blindagem legal afrouxa ou prorroga processos até a sua prescrição, reduz penas e os tira da cadeia com celeridade. Inclusive aqueles prontos a reincidir no delito. Continue lendo “Livres e soltos”
Em nome do pai
Por exercer mandato cruzado ou continuado, o filho do presidente Jair Bolsonaro deveria gozar de foro privilegiado ininterrupto. A tese esdrúxula até seria cabível se tivesse origem em um arrazoado do advogado Rodrigo Roca, que assumiu a defesa do senador Flávio Bolsonaro no lugar do enrolado Frederick Wassef. Mas não. Foi formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU) – ensaiadinhos. Continue lendo “Em nome do pai”
