Não é o apocalipse

Com aflição semelhante à dos que há três meses decretaram o enterro antecipado do governo Jair Bolsonaro, muitos passaram a considerar inevitável a reeleição do presidente diante dos resultados da pesquisa Datafolha. Faltando longos 25 meses para o pleito, os de agora, tal como os de lá, exageram na miragem apocalíptica. Continue lendo “Não é o apocalipse”

Vergonha amazõnica

Defender-se acusando os críticos por danos idênticos ou piores dos que os seus é arma costumeira de quem não tem explicação para erros deliberados e escandalosos. Na política, o “todo mundo faz” é usual para amenizar delitos como caixa 2 ou a tal da “rachadinha”, apelido que ameniza a apropriação indébita de dinheiro público. Age-se como se o passado abonasse o crime presente e futuro. Continue lendo “Vergonha amazõnica”

Bicho-do-mofo

Seis meses depois de assumir a Presidência, Jair Bolsonaro desdisse o que pregara durante a campanha: disputaria o cargo novamente. Não é surpresa, portanto, vê-lo nos palanques, chapéu de couro em lombo de cavalo, inaugurando obras já inauguradas por antecessores. Mais complexa é a equação de sobrevivência que o levou a jogar no lixo, deliberadamente, um dos seus maiores trunfos eleitorais – a promessa de combate inflexível à corrupção. Continue lendo “Bicho-do-mofo”

Com o chapéu alheio

A semana começa com a expectativa de que o Senado ratifique o novo Fundeb, tecido, negociado e aprovado pela Câmara dos Deputados a partir de consensos com educadores e gestores estaduais e municipais. Essencial para o financiamento do ensino básico, o Fundo foi tratado com absoluto descaso pelo Executivo, mas isso não impediu que o presidente Jair Bolsonaro se vangloriasse: “o governo conseguiu mais uma vitória”. Coroou-se com louros aos quais não faz jus. Continue lendo “Com o chapéu alheio”

Proposta indecente

Não é palatável, deglutível, muito menos justo. Mas a pandemia desdenhada pelo presidente Jair Bolsonaro, que escancarou sua desumanidade diante do flagelo de milhares de brasileiros (sua incapacidade de governar há muito já se tornara ferida exposta) pode, ironicamente, salvá-lo. Continue lendo “Proposta indecente”

Diplomacia em cacos

O reiterado descaso do presidente Jair Bolsonaro pela pandemia que já tirou a vida de mais de 70 mil brasileiros tem um rival quase imbatível: o desempenho do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, na dupla tarefa de desacreditar o vírus e o Brasil. Continue lendo “Diplomacia em cacos”

Propaganda enganosa

O ministro pode ser simpático e, dizem, habilidoso. Mas, em meio à trágica tríplice crise – sanitária, econômica e social -, a ideia de Fábio Faria de ressuscitar a TV Brasil Internacional para melhorar a imagem do país no exterior beira o ultraje. Marquetagem alguma será capaz de inverter um governo que se orgulha de ser negacionista e antiglobalista, contrário a boa parte das agendas que unem a maioria das nações – da saúde ao clima, da democracia à diversidade.  Continue lendo “Propaganda enganosa”

Trégua fake

Pregação coletiva pelo entendimento, agrados aos presidentes da Câmara, do Senado e do STF, homenagem às vítimas da Covid-19. Jair Bolsonaro parece ter sido inoculado pelo vírus do bem, capaz de fazê-lo humano diante da pandemia, afastando-o da paranoia de só enxergar inimigos por todos os lados. Mas como sua personalidade é conflituosa por natureza, a prudência recomenda esperar para ver até onde a calmaria vai. Continue lendo “Trégua fake”

No colo de Bolsonaro

Mais de um milhão de brasileiros infectados e 50 mil mortos pela Covid-19, economia nocauteada, ilicitudes eleitorais e outras na mira policial-judicial, assombrações ressuscitadas com a prisão de Fabrício de Queiroz. Apavorantes para o presidente Jair Bolsonaro – que passou a ouvir com maior estridência os ecos de cassação e impeachment –, os últimos dias fazem saltar aos olhos as aberrações de um governo chefiado por um gerador de crises incansável, que só se preocupa com o seu clã e se nega a assumir suas responsabilidades. “Não vão botar no meu colo essa conta.” Continue lendo “No colo de Bolsonaro”

Comunicação não faz milagre

Bem recebida no Congresso e por empresários do setor, a nomeação do deputado Fábio Faria (PSD-RN) para o recém recriado Ministério das Comunicações alcançou apoio surpreendente para um governo que prometia cortar pastas, enxugar a máquina pública e jamais fazer o jogo do toma-lá-dá-cá. Nessa carochinha coletiva, engrossou-se o faz de conta de que o “gargalo” do governo é a comunicação. Continue lendo “Comunicação não faz milagre”

Ruas vazias falam mais alto

Grupos pequenos filmados bem de pertinho para parecer multidões, carreatas com buzinaços ao lado de hospitais, plateia na rampa do Palácio do Planalto entre abraços, beijos e selfies com o “mito”. Xingamentos e agressões físicas a jornalistas. Fora STF, Fora Congresso, Intervenção Militar Já, bandeiras de Israel e da Ucrânia. Todos os domingos o presidente Jair Bolsonaro tem se lambuzado com mimos desse tipo de seus fiéis. Agora, ele inverte tudo: ferozes, antidemocratas e “marginais” são os outros. Continue lendo “Ruas vazias falam mais alto”

Cão que late

O Brasil vive sob um governo falastrão. E nefasto. O presidente Jair Bolsonaro cospe besteiras, faz piadas ofensivas sem qualquer graça, arrota bravatas. Vai e volta em subidas e descidas de tom, agressões e desculpas, latidos sem mordida. É o gerador oficial de notícias falsas, portanto, sem condições morais de espernear quanto a investigações sobre falácias virtuais ou presenciais. Continue lendo “Cão que late”

Vídeo letal

Nem a bala de prata, ansiada por tantos, muito menos uma espoleta, tiro de festim ou n’água, como fingiu o presidente Jair Bolsonaro. Os efeitos da exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril se parecem mais aos da proibida dum-dum: estilhaçam o alvo por dentro. Expõem as vísceras de um presidente que pensa nele e em sua família acima de tudo e todos, e de um governo avesso à democracia, com uma visão bizarra e ultrajante de liberdade. Continue lendo “Vídeo letal”

Bolsonaro já era

Ouvir a filha ou o filho por detrás da porta antes que ela engravide ou que o “moleque” encha “os cornos de droga” traduz com exatidão como o presidente Jair Bolsonaro enxerga o mundo e como aplica esse olhar nocivo às questões de Estado. Não à toa, considera normal exigir informações de “inteligência” da Polícia Federal, aquelas de coxia, colhidas às escondidas, do lado de fora da porta dos trâmites legais. Continue lendo “Bolsonaro já era”