Para sair do buraco

Possivelmente a crise econômica bateu no fundo do poço. Há sinais de discretas melhoras, ou de que as coisas pararam de piorar. Os indicativos são de aumento da confiança de empresários e consumidores, de desaceleração das demissões, embora o desemprego continue altíssimo e seja o grande tormento dos brasileiros. As previsões sobre o desempenho da economia para este ano e para 2017 estão sendo revistas para melhor. Ou menos ruim. Continue lendo “Para sair do buraco”

Foi a causa, companheiro!

Ramon Mercader, o assassino de Trotsky, passou 20 anos numa cadeia mexicana sem jamais admitir ter agido a mando de Stalin, sem revelar sua real identidade. Esse militante dedicado não se via como um assassino e sim como quem cumpriu uma tarefa revolucionária, como quem nunca traiu seus companheiros de causa.  Por isso mesmo foi condecorado como herói da União Soviética, em 1961. Continue lendo “Foi a causa, companheiro!”

Ser ou não ser

O espírito de Hamlet paira sobre a Grã-Bretanha. Sair (Leave) ou permanecer (Remain) na União Européia, eis a questão. Em um mundo no qual os megablocos vão se formando e as cadeias produtivas são cada vez mais uma realidade, a idéia do Brexit – como é chamada a saída britânica do bloco – é um anacronismo que pode levar o velho mundo a girar para trás e condenar a Inglaterra a um papel irrelevante no comércio mundial e no concerto das nações. Literalmente, os britânicos estão divididos, embora as últimas pesquisas apontem uma leve vantagem do Remain no referendo que decidirá sobre a relação do Reino Unido com a União Européia. Continue lendo “Ser ou não ser”

Tempos de ira

Viramos o século 20 com uma chama de esperança. A queda do muro de Berlim, o fim do apartheid, o colapso da ditaduras latino-americanas e o advento da globalização justificavam tais sentimentos. A Primavera Árabe reforçou mais ainda a impressão de que os valores da democracia ocidental se afirmavam em escala planetária. Continue lendo “Tempos de ira”

Apocalypse Now?

O mundo da política vive o seu Apocalypse Now sem que se vislumbre como será o Day After, ou quem sobreviverá dos seus escombros. O pedido de prisão do ex-presidente José Sarney, do presidente do Senado, Renan Calheiros, do presidente em exercício do PMDB, Romero Jucá, e do presidente da Câmara com mandato suspenso, Eduardo Cunha, pode não ser ainda o fim do sistema político-partidário do país, mas muito provavelmente é o princípio do seu fim. Continue lendo “Apocalypse Now?”

Um olho no peixe, outro no gato

Um governo sitiado: assim podemos definir a situação do presidente interino Michel Temer, três semanas após a sua posse. Não tanto pela ação do adversário, embora esta venha acontecendo em escala crescente, mas principalmente pelas contradições inerentes ao modelo que adotou. Continue lendo “Um olho no peixe, outro no gato”

Contrato de risco

Michel Temer fez um contrato de risco na composição de seu governo. Sabia que estava sujeito a trovoadas e tempestades ao ceder espaços a políticos e parlamentares arrolados – e enrolados – nas investigações da Lava-Jato. Continue lendo “Contrato de risco”

O parto da girafa

O abalo sísmico provocado pelo deputado Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara e ilustre desconhecido até anteontem, é emblemático de quanto chão temos pela frente até o Brasil se transformar em um país estável e de instituições fortes. Iniciar a travessia de um Estado patrimonialista, onde a política é uma intermediação de interesses subalternos, para um Estado verdadeiramente republicano será a prova dos nove para o vice-presidente Michel Temer. Continue lendo “O parto da girafa”

Vai que dá certo

Não se ignora a dramaticidade do quadro social, econômico e político no qual Michel Temer terá de operar como futuro presidente da República. Os desafios são imensos. Mas não está escrito nas estrelas que o próximo governo, apropriadamente caracterizado de “emergência nacional”, dará com os burros n’água, como preconizam algumas pitonisas de plantão. Vai que dá certo, como ficam as premonições catastrofistas? Continue lendo “Vai que dá certo”

Sem ambiguidades

Mais uma vez o PSDB vive o drama shakespeariano. O dilema é participar ou não do governo Michel Temer. Diante do histórico dos tucanos, a nova dúvida existencial seria cômica não fosse a extrema gravidade do momento. Nele, não há o menor espaço para ambiguidades. Não cabe a postura de semi-governo ou semi-oposição. Continue lendo “Sem ambiguidades”

Do ABC aos grotões

O mapa da votação na Câmara Federal aponta uma dessas ironias da História. No seu nascedouro, no ABC paulista, o lulo-petismo pintou como produto da modernidade do desenvolvimento capitalista – a exemplo de outros partidos operários que se erigiram em poder em países capitalistas e, de fato, criaram um ordenamento social mais justo. Continue lendo “Do ABC aos grotões”

Beijou a lona

A presidente Dilma Rousseff pode não admitir. Pode fazer leitura cor-de-rosa da votação na Comissão Especial da Câmara, mas não conseguirá empanar a nua e crua realidade. O governo beijou a lona no primeiro round do impeachment. Continue lendo “Beijou a lona”

Vivandeiras e provocadores

Em momento tão conturbado da vida política nacional é importante registrar um fato: a crise, ao menos por enquanto, passa ao largo dos quartéis. É irrelevante aqui discutir se isto acontece porque os militares já não têm a mesma força política de 1964, ou porque a comunidade internacional e os brasileiros não aceitam mais soluções fora do escopo do Estado de Direito Democrático. Continue lendo “Vivandeiras e provocadores”

Lei & Ordem

Os fatos acontecem à velocidade de um raio e dissipam ilusões quanto à capacidade da presidente Dilma Rousseff construir um mínimo de apoio no Parlamento para barrar o processo de impeachment. Continue lendo “Lei & Ordem”