Oportunidade perdida

Há cem dias, havia a esperança de que Lula pacificaria o país. Esse sentimento parecia se confirmar com a promessa do novo presidente, em seu discurso de posse: “Vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para quem votou em mim. Vou governar para todos e todas, olhando para nosso luminoso futuro em comum, e não para o retrovisor de um passado de divisão e intolerância”. Continue lendo “Oportunidade perdida”

Retrocesso no Ensino Médio

A descontinuidade de políticas públicas já causou muito mal à educação brasileira, trazendo enormes prejuízos para nossa juventude e ao país. Mais uma vez estamos diante desse risco. Apesar de ter chegado ao chão da escola apenas em 2022, o Novo Ensino Médio vem sendo bombardeado por corporações sindicais de professores, entidades estudantis e por parlamentares do campo da esquerda. Advogam sua revogação pura e simples, sem apresentar nenhuma alternativa a não ser o retorno ao velho sistema. Continue lendo “Retrocesso no Ensino Médio”

Forças Armadas ensaiam a volta aos quartéis

Depois de quatro anos de ordens do dia laudatórias ao 31 de março de 1964, este ano não haverá pronunciamento das Forças Armadas. A decisão tomada pelo ministro da Defesa, em sintonia com os três comandantes militares, se deu sob o impacto negativo do 8 de janeiro e tem objetivos de curto e longo prazo. No imediato visa a não jogar lenha numa fogueira cujas labaredas ainda não se extinguiram totalmente. Não falar da data – nem contra nem a favor – é uma maneira de distensionar o ambiente. Dentro e fora dos quarteis. Continue lendo “Forças Armadas ensaiam a volta aos quartéis”

Assassinato na sala de aula

Riobaldo, personagem imortalizada por Guimarães Rosa na sua obra seminal Grande Sertão: Veredas, dizia que viver é perigoso. Parafraseando o grande escritor, dar aula passou a ser perigoso diante da onda de problemas com a saúde mental que invadiu o ambiente escolar, agravados no período da pandemia. Continue lendo “Assassinato na sala de aula”

A “ressureição” do anticomunismo

O anticomunismo jamais deixou de existir no Brasil. Ora submerge nas camadas profundas da sociedade, ora vem à luz do dia, com uma eco nas massas. Tem sido assim desde os primórdios da Revolução Russa. Imaginava-se que, com o fim da “Pátria mãe do Socialismo” – a extinta União Soviética –, ele havia desaparecido da face da Terra e do Brasil. Ora, se o comunismo tinha deixado de existir, não havia mais sentido, nem base material, para o temor de sua implantação em nosso país. Continue lendo “A “ressureição” do anticomunismo”

Nicarágua, a Revolução traída

O escritor Eric Nepomuceno foi um entusiasta da Revolução Sandinista desde o seu primeiro momento. Estava em um apartamento em Paris onde iria encontrar Regis Debray quando recebeu um bilhete do escritor francês, desculpando-se por faltar ao encontro porque estava partindo para a Nicarágua onde chegava ao fim a sanguinária ditadura de Anastasio Somoza. Por 40 anos Somoza governou o país como se a Nicarágua fosse uma grande fazenda de propriedade de sua dinastia. Continue lendo “Nicarágua, a Revolução traída”

O que restará aos humanos?

No mundo em que vivemos o trabalho desempenha importante função social, dando um sentido à vida das pessoas. Não ter emprego é quase como não ter vida. Desde a primeira revolução industrial vivemos na “sociedade do trabalho”. Essa realidade vem sendo alterada profundamente com o advento da Inteligência Artificial. O fenômeno já tinha sido observado por Yuval Harari em 2016, quando escreveu o livro Homo Deus: uma breve história do amanhã, e fez a previsão de que até 2050 surgiria uma nova classe social: a dos inempregáveis. Continue lendo “O que restará aos humanos?”

Uma guerra longe do fim

Quando invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia tinha como estratégia alcançar a vitória por meio de uma guerra de curta duração. A enorme superioridade bélica em relação ao país invadido alimentava sua esperança de conquistar no teatro de operações três objetivos estratégicos: frear a expansão da OTAN em direção às suas fronteiras, consolidar a Crimeia como território russo e estabilizar a russificação das províncias ucranianas de Lugansk e Donetsk. Continue lendo “Uma guerra longe do fim”

As Arcadas não combinam com intolerância

Em seus quase 200 anos, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco tem larga tradição de defesa da democracia. Desde tempos imemoriais em suas arcadas respira-se liberdade. O respeito ao contraditório, a observância do pluralismo e a liberdade de cátedra são valores impregnados em suas paredes e bancadas. Continue lendo “As Arcadas não combinam com intolerância”

A modernização do Estado sob ataque

Só na segunda metade da década de 90 o Brasil iniciou um movimento de modernização do Estado, associado à estabilidade econômica. A construção do arcabouço institucional responsável por essas duas conquistas exigiu muito esforço e energia política. Resistências das mais diversas tiveram de ser enfrentadas e interesses incrustados no aparato estatal – entre eles o corporativismo e o patrimonialismo –  tiveram de ser deslocados de suas casamatas. Continue lendo “A modernização do Estado sob ataque”

Distopia orwelliana

Quando esteve no Brasil para a posse de Lula, Gabriel Boric, presidente do Chile, deu uma declaração premonitória em entrevista à jornalista Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo: “Combater a desinformação não pode significar uma espécie de distopia orwelliana de criar um Ministério da Verdade para quem está no poder definir o que é certo e o que não é”. Continue lendo “Distopia orwelliana”

A foto e o fato

A foto da repórter-fotográfica Gabriela Biló, publicada na primeira página na Folha de S.Paulo, suscita um debate sobre limites que devem ser respeitados. Nela, aparece a imagem de um vidro estilhaçado no Palácio do Planalto, na frente do presidente Lula sorrindo e ajeitando a gravata. A foto mostra uma situação de violência e pode sugerir um presidente que debocha do perigo. Continue lendo “A foto e o fato”