Quem é que, naquele tempo, tinha uma cabeça mais lisa e alva do que o deserto do Namibe? Tenho de perguntar ao Abílio e ao Simão, meus mais-velhos dos felicíssimos anos 68 e 69 da Luanda colonial. Continue lendo “Talvez a careca fosse o Senhor Pinto”
Quadrilha olímpica
A compra de votos para que o Rio de Janeiro sediasse os Jogos Olímpicos de 2016 não é novidade – foi detonada em Paris no início do ano. Tampouco o vício do ex-governador Sérgio Cabral pela corrupção ativa. O que espanta na prisão de Carlos Arthur Nuzman, suspenso temporariamente da presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é o fato de a questão ter se limitado ao noticiário esportivo. Continue lendo “Quadrilha olímpica”
“A ausência de limites é inimiga da Arte”, como disse Orson Welles
“Minha afirmação como artista explica que meu trabalho é totalmente incompreensível e, portanto, cheio de significados!”, escreveu Bill Watterson, criador da genial tirinha “Calvin e Hobbes”. Continue lendo ““A ausência de limites é inimiga da Arte”, como disse Orson Welles”
Em busca do centro perdido
A um ano da eleição presidencial, as pesquisas já causam frisson. Petistas soltam fogos com a resiliência de Lula. No extremo oposto os seguidores de Jair Messias Bolsonaro dão cambalhotas de felicidade, como se a polarização esquerda-direita já fosse coisa decidida. Continue lendo “Em busca do centro perdido”
O bibe
O fulgor do ouro cegou o século XXI. Olhem para as artes plásticas e vejam a ferocidade com que o dinheiro se arrogou o direito de ser o critério de beleza deste tempo. “Nada abaixo das cinquenta mil libras é arte”, avisou, irónico e humilhado, o crítico de arte Anthony Howell. Continue lendo “O bibe”
Derrapadas supremas
É grave o imbróglio entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal depois que a 1ª Turma afastou Aécio Neves (PSDB-MG) de suas funções legislativas, apreendeu seu passaporte e determinou seu recolhimento noturno – mas é só parte da crise. Ao se enveredar por trilhas heterodoxas, o STF, que deveria ser o guardião constitucional, juízo máximo e definitivo, abre-se para toda sorte de críticas, se enfraquece e, consequentemente, fragiliza o já bambo equilíbrio institucional do país. Continue lendo “Derrapadas supremas”
Medo
O Brasil deu errado, é a sensação que eu tenho. Às vezes penso se não seria melhor fechar tudo e recomeçar… Sei que esse pensamento é tosco, mas olhe em volta e veja se não concorda comigo. Continue lendo “Medo”
Quando todos falham
À primeira vista a crise decorrente da insubordinação do general Hamilton Mourão baixou de pressão, com o oficial sendo advertido na surdina pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas. O destino de Mourão é mesmo o escaninho da reserva, para onde irá dentro de seis meses. Seu superior hierárquico preferiu agir com cautela para não o transformar em herói da caserna. Continue lendo “Quando todos falham”
Russell Crowe e eu
Façam como John F. Kennedy, não me perguntem o que tenho de parecido com Russell Crowe, perguntem antes o que tem Russell Crowe de parecido comigo. Em Fathers and Daughters, melodrama piegas em que só eu, um crítico de Newark e aquele povo mais dado ao mês de Agosto chorámos, Crowe tem uma filha. Na vida real, é pai de dois rapazes, mas só o cinema lhe deu o que a mim a vida já não me tira, ser pai de uma filha. Continue lendo “Russell Crowe e eu”
Mudando de conversa
Uns adoram, outros odeiam. O horário de verão jamais foi unanimidade. Cancelá-lo ou não depois de 32 anos de vigência ininterrupta deveria ser uma decisão técnica, muito distante de uma enquete governamental, método absolutamente heterodoxo para definir políticas públicas. Mas a polêmica que as horas a mais de sol suscita veio a calhar no momento em que o presidente Michel Temer e seus asseclas queimam no centro da fogueira. Continue lendo “Mudando de conversa”
Mudanças assustadoras
It is more from carelessness about truth than from intentionally lying that there is so much falsehood in the world.
Samuel Johnson
A insubordinação do general
O general Antônio Hamilton Martins Mourão comanda uma mesa, a da Secretaria de Economia e Finanças do Exército Brasileiro. Diretamente não tem poder de mando sobre tropas e não expressa o pensamento majoritário do comando das Forças Armadas. Nem por isso sua insubordinação pode passar batida. Continue lendo “A insubordinação do general”
Uma lista conservadora
- A boa moral
Abomino, pelo aborrecido que me palpita ser, a ideia de um mundo libertino. Defendo, por amor ao insidioso pecado, o modelo conservador que Jean Renoir recomendava aos seus financiadores: “É do interesse dos produtores manterem um adequado padrão moral, sem o que os filmes imorais deixarão de vender.” Continue lendo “Uma lista conservadora”
A pressa é inimiga
A segunda denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer e seus asseclas traça uma história factível, que nem mesmo surpreende por ser quase totalmente conhecida pelos sucessivos vazamentos de delações. A novidade ficou por conta do alinhavo, atribuindo-se a Temer a chefia de uma quadrilha. E aqui o grave pode ser gravíssimo: se isso for verdade – e até há indícios de que seja – Janot pode ter posto tudo a perder. Por vaidade e pressa. As duas coisas ou coisa pior. Continue lendo “A pressa é inimiga”
O código petista
Antonio Palocci tornou-se a figura mais execrável para militantes, dirigentes e intelectuais do PT, desde seu depoimento bomba sobre o pacto de sangue entre Lula e a Odebrecht. Continue lendo “O código petista”





