Atormentam-me as injustiças. Sobretudo se lhes dou involuntário acolhimento, uma vez que comprovadamente sou pura bondade, mesmo mais do que os corações de compota que são o Henrique Monteiro e o Pedro Norton, meus companheiros do blogue Escrever é Triste, se me desculpam a private joke. Continue lendo “Bob cut”
Flechas tortas
A gravação que confirma a lambança feita na delação de Joesley Batista, perdoado pelo passado e pelo futuro por fornecer base para a denúncia contra o presidente Michel Temer, levou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a desbastar o bambuzal com alucinada velocidade. No afogadilho, ou lançou flechas sem afiá-las devidamente ou já as tinha prontas, reservadas para um final apoteótico. Em ambos os casos, uma atitude imprópria, deletéria, não compatível com a responsabilidade do cargo. Continue lendo “Flechas tortas”
A Colômbia venceu o Brasil
A Colômbia tinha tudo para dar errado. Por mais de quatro décadas esteve encharcada de sangue por uma guerra responsável por 260 mil mortes, 60 mil desaparecidos e mais de sete milhões de desplazados – colombianos forçados a abandonar seus lares. Mas não deu, ao contrário: deu certo. Continue lendo “A Colômbia venceu o Brasil”
O actor onomatopaico
Rabo todos temos, mas a cauda que o distingue de qualquer um de nós é um privilégio de Christopher Walken. E, não obstante, se forem a atravessar a rua e ele vier do outro lado, mesmo que Walken venha a dar à cauda, não se iludam. Se ele dá à cauda, o melhor é mesmo não se lhe meterem à frente, que a cauda de Chris não é como a que um cão abana, feliz, a pedir mão no pêlo e festinhas. Continue lendo “O actor onomatopaico”
Fatos satânicos
Há uma semana o noticiário político do país se ocupa em anunciar que até um dia antes do feriado da Independência o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar nova denúncia contra o presidente Michel Temer. O fato é, de fato, só o anúncio de um provável fato. Mas o uso de um sucedido não acontecido tem sido suficiente para criar fatos. Continue lendo “Fatos satânicos”
A minha estatal, não!
Excetuando-se os estatistas por razões ideológicas ou corporativas, em tese todos se dizem favoráveis à privatização na área de infra-estrutura. Há um razoável consenso nacional de que esse é o caminho para atrair os investimentos necessários à retomada do crescimento. É impensável a economia brasileira alcançar vôos mais altos com a irrisória taxa de investimentos praticados, atualmente na casa de 16% do PIB. Continue lendo “A minha estatal, não!”
Fechem os olhos
Quando és novo, atravessas os filmes de olhos abertos. Fui ver Paterson, de Jim Jarmusch. O título do filme tanto é o nome da cidade onde tudo se passa, como o nome do condutor de machimbombos que escreve versos num caderno desangustiado e inocente. O motorista do machimbas é o rapaz do filme, como se gritaria em luandina euforia – “rapaz! cuidado então, rapaz!” – se estivéssemos a ver Paterson no cineminha São Domingos. Continue lendo “Fechem os olhos”
Os pixulecos de Lula
Pronto. Não há mais dúvidas: José Sarney e Renan Calheiros são essenciais para o sucesso de um governo. Essa foi a mensagem do ex Lula em entrevista a emissoras de rádio de Pernambuco, ponto de parada de sua caravana de campanha pelo Nordeste. Alegria pura para o neolulista Renan, acossado por 13 inquéritos e réu em um deles. Continue lendo “Os pixulecos de Lula”
O poder e os lírios do campo
Foi um beijo paz na Terra aos homens de boa vontade, mas ia caindo o Carmo e a Trindade. Quem me disse, na longínqua Luanda dos meus 12 anos, que numa noite dos Oscars a mediterrânica Anne Bancroft beijara o lírio do campo que era Sidney Poitier? Terá sido o Cesarito, que a minha mãe achava ser o meu amigo mais bonito, para logo ele se rir, pois, pois, por eu ter nariz de branco, não é? Continue lendo “O poder e os lírios do campo”
A berlinda dos tucanos
Sem sombra de dúvida os tucanos enriquecem a ciência política com a barafunda na qual estão vivendo. Passarão anos e a academia ainda estará estudando como foi possível um partido com enorme expectativa de poder incinerar seu capital político em tão pouco tempo. Continue lendo “A berlinda dos tucanos”
Anda-se para trás
O presidente da República respira por aparelhos. Ministros da Corte Suprema metem o bedelho onde não devem, preferem o som da própria voz à fala nos autos. Parlamentares empenham-se em escapulir da Lava-Jato, em fazer leis para surrupiar mais dinheiro do contribuinte e garantir caixa de campanha. Difícil imaginar saídas para um país que agoniza em condições tão lastimáveis. Muito menos quando os “salvadores” em campanha antecipada são o mesmo do mesmo. Até aqueles que se acham diferentes. Continue lendo “Anda-se para trás”
Se for melhor para o Brasil, que venha a jabuticaba!
Em um comentário em seu Twitter, o ministro Gilmar Mendes criticou a proposta de fixar o mandato de integrantes de tribunais superiores em dez anos dizendo que isso seria “mais uma das nossas jabuticabas”. Continue lendo “Se for melhor para o Brasil, que venha a jabuticaba!”
Vulcão adormecido
O mundo político parece interpretar o silêncio das ruas como um vulcão morto, que jamais entrará em erupção. Por isso vem arquitetando um arremedo de reforma política com fim precípuo de manter seus privilégios, entre os quais o do foro privilegiado. A reeleição dos atuais parlamentares passou a ser prioridade a qualquer custo, numa desesperada questão de sobrevivência. Acreditam que podem conseguir seu intento sem maiores resistências da sociedade. Continue lendo “Vulcão adormecido”
Era um cavalheiro quando não bebia
“Olha para ti, Dreyfuss, só comes e bebes, és gordo e desmazelado. Nessa idade, é criminoso. Nem dez flexões de braços fazes.” Era o que, nos dias de maior cortesia, Robert Shaw, actor shakespeariano, dizia ao jovem americano Richard Dreyfuss, que Spielberg escolhera para o papel de cientista marinho em Jaws. Continue lendo “Era um cavalheiro quando não bebia”
Centrão, de coadjuvante a protagonista
Desde a redemocratização, o Centrão sempre esteve no poder, mas em papel de coadjuvante. Fernando Henrique Cardoso e Lula, com enormes diferenças, contaram com as forças do atraso em nome da governabilidade. Mas sem transformá-las em principal núcleo de sua base de sustentação. Continue lendo “Centrão, de coadjuvante a protagonista”





