“Tanto os velhos partidos como os novos, em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimem ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na partilha dos despojos e nas combinações oportunistas em torno de objetivos subalternos”. Continue lendo “Inspirações golpistas”
Liberdade, sempre. Mas sem limites?
Nós, os da minha geração, somos peças de museu em relação à Internet. Ao contrário dos adolescentes de hoje que já nasceram num mundo digital, nós fomos acompanhando o surgimento de novidades tecnológicas e tendo que aprender a lidar com elas. Continue lendo “Liberdade, sempre. Mas sem limites?”
Cortem as alusões intelectuais
Nem a mãe gostava dele. Em Dead End, um filme de William Wyler, Bogart é um assassino impiedoso. Acompanhado por um dos seus facínoras, regressa ao bairro onde cresceu, na busca nostálgica de um pingo perdido de afecto. Continue lendo “Cortem as alusões intelectuais”
Vitor Gabriel
Escrevo neste Dia dos Mortos de 2017, para ser publicada no Blog do Noblat de amanhã, 3 de novembro. E o faço profundamente triste. Continue lendo “Vitor Gabriel”
Vivandeiras petistas
“O que nós de esquerda devemos perguntar aos militares é a quem eles querem servir: ao povo e à nação ou à facção financista e rentista que assaltou o poder? Que rasgou a Constituição e o pacto social e que destrói, dia a dia, a soberania nacional, entregando de mão beijada para o capital externo nossas empresas – estatais ou não -, nossas riquezas minerais, nossas terras férteis.” Continue lendo “Vivandeiras petistas”
A literatura contra o cinema
No cinema, não há memória de ninguém ter amado um burro como Anne Wiazemsky amou Balthazar. O filme, Au Hasard, Balthazar, realizou-o Robert Bresson, inspirando-se no Idiota de Dostoievsky. Continue lendo “A literatura contra o cinema”
Todo poder a Stálin
“Paz, Pão e Terra”, prometiam os bolcheviques que fizeram a revolução de 1917 sob o lema “todo poder aos sovietes” e contrariaram os cânones do marxismo, para quem o socialismo pressupunha uma base material desenvolvida, o que não existia na Rússia czarista. A “heresia” de Vladimir Ilyich Lênin consistiu em pular a etapa da revolução burguesa e fazer a revolução socialista em um país agrário, no qual a classe operária era extremamente minoritária. Continue lendo “Todo poder a Stálin”
A humilde voz de Charles Laughton
Charles Laughton é para aí avô de Francis Coppola. Em 1940, vestindo a pele de Tony Patucci, o actor Charles Laughton foi dono de uma vinha em Napa Valley. Coppola tinha então menos de um ano e vivia em Detroit, longe de saber o que era um cacho de uvas e uma garrafa de vinho e mais longe ainda de saber o que o século XXI faria a Detroit. Continue lendo “A humilde voz de Charles Laughton”
O que em vez de quem
A tensão predominava no plenário naquele 12 de dezembro de 2007 quando o Senado cravou o fim da CMPF por 45 a 34 votos. Para o então presidente Lula, a derrota significava o fim do sonho do terceiro mandato, enterrado ali junto com o imposto do cheque. Continue lendo “O que em vez de quem”
O Brasil piora a passos largos
No excelente filme Getúlio, de 2014, no qual Tony Ramos dá um show de interpretação, há uma cena que muito me impressionou. Continue lendo “O Brasil piora a passos largos”
“Proletários de todo o mundo, perdoem-nos!”
A Revolução Bolchevique de novembro de 1917 pelo calendário gregoriano e de outubro pelo calendário juliano foi a mola propulsora da grande utopia do século XX: o comunismo. Para o bem e para o mal – e mais para o mal – marcou a vida e a morte, sonhos e pesadelos, como diz o historiador italiano Silvio Pons. E foi, ao mesmo tempo, “realidade e mitologia, ideologia progressista e dominação imperial, utopia libertadora e sistema concentracionário”. Continue lendo ““Proletários de todo o mundo, perdoem-nos!””
Uma noite no Soho
Hoje não vou ao cinema. Iria, se me prometessem que lá estavam Francis Bacon e Lucian Freud. Digo-vos quem são. São dois tipos que se revoltaram contra o futuro. Haverá quem diga que são ou eram dois pintores e eu, com a arrogância dos ignorantes, insisto: eram dois tipos sentados pantagruelicamente no presente. Comiam o presente, embebedavam-no e fodiam-no como quem respira, desvairado. Jogavam nas corridas, andavam à porrada, mergulhavam em champagne e caía-lhes o corpo exausto nas cavalariças, ao lado dos cavalos que tanto amavam. Continue lendo “Uma noite no Soho”
Programa de mentiras
O Brasil brilhava e agora está opaco. De rico passou a pobre. Era alegre e se entristeceu. E só Lula – aquele que se diz “lascado” depois de ser condenado a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro – pode fazer o povo sorrir novamente. “Compartilhar a esperança” enquanto seus adversários “compartilham o ódio”. Continue lendo “Programa de mentiras”
Haverá quem possa desmafagafizar nosso ninho de mafagafos?
O Brasil enfrenta um momento curioso. Finalmente conseguimos empatar o maior trava-língua da língua portuguesa à nossa vida diária: ‘num ninho de mafagafos, seis mafagafinhos há; quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será”. Continue lendo “Haverá quem possa desmafagafizar nosso ninho de mafagafos?”
Cruzada moralista
Nestes tempos de anátema e de obscurantismo, constantemente a cultura e a educação têm sido alvo de uma cruzada retrógada. Os episódios se sucedem aos borbotões, dando conta de que estamos diante de algo muito mais extenso e profundo do que as exóticas “Senhoras de Santana” dos anos 80 ou dos estandartes medievais da antiga TFP – Tradição, Família e Propriedade. Continue lendo “Cruzada moralista”




