Ainda é cedo para cravar que foi trágica. Mas não é cedo para dizer que foi um erro imperdoável, de tão inaceitável e inacreditável. A nomeação do advogado pessoal do presidente da República para a Suprema Corte já seria grave mesmo que fosse um progressista. O viés de compadrio é a última coisa que pode acontecer antes de se jogar uma instituição na Iata do lixo. Continue lendo “Compadrio”
O risco de virar coadjuvante
A ampliação do Brics não foi um bom negócio para o Brasil. O país saiu da última reunião do grupo menor do que entrou. Ao lado da Índia, nos enquadramos entre os perdedores com o ingresso de mais seis países no bloco. A China tem muito a comemorar. Deu um passo importante para transformar o Brics em uma plataforma antiocidental, sobretudo porque bancou o ingresso do Irã, país teocrático e profundamente antiamericano. Os chineses preparam o bote para aumentar sua influência, sobretudo na África. Continue lendo “O risco de virar coadjuvante”
Lula e a toga conservadora
A grita da esquerda em geral e de petistas em particular à postura do ministro Cristiano Zanin nas primeiras votações no Supremo – foi contra descriminalizar o uso pessoal da maconha e a equiparar homotransfobia a injúria racial -, não é apenas inócua, mas descabida, visto que as posições dele não deveriam causar qualquer surpresa. Inebriados com a indicação que o presidente Lula fez de seu advogado, progressistas nem deram bola para o pensamento retrógrado de Zanin, que ao ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado não escondeu seu perfil tradicionalista, anti-drogas e anti-aborto. Agora, com o leite derramado, nem o choro salva. Continue lendo “Lula e a toga conservadora”
O telhado de vidro do PT
A questão dos direitos humanos sempre foi um tema sensível ao Partido dos Trabalhadores. Diversas vezes o PT denunciou violência policial cometida por governos aos quais fazia oposição. Assim procedeu no recente episódio do Guarujá, onde 16 pessoas foram mortas em ação policial. O ministro da Justiça, Flávio Dino, qualificou o episódio como “execução sumária”. Continue lendo “O telhado de vidro do PT”
Cidadão do mal
A omissão – e até estímulo – de integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) diante dos ataques golpistas do dia 8 de janeiro; policiais que atiram para matar bandidos e inocentes; um pai que aponta sua arma para professoras acusando-as de promover ideologia de gênero. Os eventos, aparentemente desconexos, giram em torno da influência perversa do bolsonarismo na sociedade. Não só sobre os fardados, mas também dos que o ex costuma chamar de “cidadão de bem”. Continue lendo “Cidadão do mal”
Hecatombe peronista
A Argentina já foi a sexta economia do mundo. Tinha um PIB per capita superior ao da França ou da Alemanha. Nos anos 20 sua frota de automóveis era a segunda do mundo, perdia apenas para os Estados Unidos. Mas tudo isso é passado: há pelo menos 50 anos vive uma decadência sem fim. Continue lendo “Hecatombe peronista”
Jóias de Bolsonaro ofuscam Lula
A data, escolhida a dedo – 11 de agosto, dia simbólico para a democracia -, e o local, o Rio de Janeiro, base eleitoral do ex Jair Bolsonaro, onde foi montado um palanque amplo e diverso, que ia da direita à extrema esquerda. Tudo imaginado para ser um arrebatador sucesso. Só não dava para prever que o lançamento do Novo PAC, definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o início de seu terceiro mandato, fosse ofuscado pelas jóias das Arábias – e todo o enredo ultrajante e repugnante que as cercam, incluindo cenas de pastelão. Continue lendo “Jóias de Bolsonaro ofuscam Lula”
Um só povo, uma só nação
“Abracemo-nos para marcharmos, não peito a peito, mas ombro a ombro, em defesa da Pátria, que é a nossa mãe comum.” A frase é de Caxias, o pacificador, quando brasileiros guerreavam entre si na Revolução Farroupilha. A idéia da mãe comum de todos nós – brancos, pretos, indígenas, mestiços, nordestinos, sulistas – deve ser resgatada diante das palavras do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. Continue lendo “Um só povo, uma só nação”
Os golpes de Bolsonaro
Sempre sujeitas a surpresas durante as investigações, Comissões Parlamentares de Inquéritos têm fama pelo seu término incerto, não raro com conclusões contrárias às previstas inicialmente. A que apura as ocorrências do 8 de janeiro não é exceção à regra. Continue lendo “Os golpes de Bolsonaro”
Simone engoliu o sapo
Para consumo externo, Simone Tebet só poderia dar declarações acatando a nomeação de Márcio Pochmann para presidir o IBGE. Qualquer manifestação pública de desconforto com a escolha teria de vir acompanhada de sua carta de demissão do Ministério do Planejamento. Aí correria riscos de viver longo período no ostracismo político. Continue lendo “Simone engoliu o sapo”
Ao sabor dos ventos
Houve um tempo em que o movimento das nuvens servia para exemplificar as mudanças políticas, como bem definiu o líder udenista e ex-governador de Minas Magalhães Pinto. Hoje, a metáfora não se aplica apenas à política: a Justiça é como nuvem. “Você olha e ela está de um jeito; olha de novo ela já mudou.” Com acusações formuladas de acordo com os interesses do denunciante e entendimentos jurídicos que mudam ao sabor da conveniência, o país vive engasgado entre heróis e bandidos que invertem de posição da noite para o dia. Continue lendo “Ao sabor dos ventos”
Não passarão!
A eleição espanhola encerra várias dúvidas e uma certeza. A começar pela leitura dos seus resultados. O conservador Partido Popular de Alberto Feijó pode se julgar vitorioso por ter sido o mais votado, embora abaixo das projeções das pesquisas. Mas o atual primeiro-ministro Pedro Sánchez\, de centro-esquerda e dado como carta fora do baralho, ganhou sobrevida. Continue lendo “Não passarão!”
Escolas cívico-militares e polarização ideológica
Durante quatro anos, a educação foi palco de uma guerra ideológica, promovida pelo então presidente Jair Bolsonaro e seus ministros da área. Professores foram estigmatizados e as escolas tratadas como se fossem centros de manipulação ideológica de esquerda. Continue lendo “Escolas cívico-militares e polarização ideológica”
O balcão da Esplanada
O acertadíssimo reforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ministra da Saúde Nísia Andrade – “Tem ministros que não são trocáveis” – pode ter efeito contrário ao pretendido. Se por um lado Lula deixou clara sua indisposição de ceder à pressão do Centrão nas áreas sociais, por outro escancarou os demais setores do governo à cobiça dos políticos do União Brasil, Republicanos, PP e até do PL do ex Jair Bolsonaro. Resultado: o loteamento dos “trocáveis” está acelerado. Continue lendo “O balcão da Esplanada”
Sem as cotas raciais, retrocesso à vista
A Suprema Corte dos Estados Unidos reabriu o debate sobre as cotas raciais ao contrariar sua jurisprudência anterior e considerá-las inconstitucional. A guinada veio na esteira da onda de retrocessos civilizatórios patrocinada pela Corte. As cotas raciais como política afirmativa foram instituídas nos Estados Unidos nos meados dos anos 60, como uma conquista de uma árdua luta pelos direitos civis, nas quais se projetaram a obstinação do Rosa Parks e a determinação de Martin Luther King. Continue lendo “Sem as cotas raciais, retrocesso à vista”


