O dedo grande do pé

zzzzzzjohnwayne

Eu hei-de mexer esse dedo!” Ainda ouço a voz do coman­dante “Spig”, dei­tado de borco numa cama de hos­pi­tal. Frac­tu­rou a quinta vér­te­bra cer­vi­cal e a boca pequena dos médi­cos diz o que eles não lhe que­rem dizer. A para­li­sia bila­te­ral não o vol­tará a dei­xar andar. Continue lendo “O dedo grande do pé”

Quem controla o controle?

Quanto riso, quanta alegria no partido de reguladores da mídia: exultam ao citar como exemplo as medidas que a Inglaterra tomou para domar seus tablóides amalucados. E, com o cinismo que os caracteriza, querem usar isso como exemplo de que países democráticos, sim, regulam a mídia e que quem resiste a medidas semelhantes no Brasil é um renitente reacionário. Continue lendo “Quem controla o controle?”

Navio perdendo a rota

Um poema

que não se entende

é digno de nota

a dignidade suprema

de um navio

perdendo a rota (Paulo Leminski)

Sempre achei uma tremenda tolice a tal da leitura dinâmica. Não dá, nem poderia dar certo porque a nossa língua não é das que se entregam com facilidade. Tem que ser cativada, seduzida, acarinhada, lida e relida, não pode ser vista assim de esguelha, da ponta esquerda da primeira linha até a ponta direita da última linha. Continue lendo “Navio perdendo a rota”

O dízimo

Guia de Dilma Rousseff na cerimônia de entronização e no encontro privado com o Papa Francisco, em uma viagem que ficará marcada pelo contraste entre a gastança da comitiva brasileira e a pregação pelos pobres feita pelo Pontífice, o ministro Gilberto Carvalho não se apoquenta. Nem quando quebra ou deixa quebrar, diante de seu nariz, símbolos de sua fé. Continue lendo “O dízimo”

A retaguarda europeia

zzzzzzzzmanuel1

A Europa não é só van­guarda. Tam­bém há uma reta­guarda euro­peia. Em cró­nica anterior, con­tei os doze pas­sos de Marilyn que reve­la­vam redonda e inig­no­rá­vel parte dela e arre­ba­ta­vam Tony Cur­tis, Jack Lem­mon e um com­boio, em Some Like it Hot. Recebi pro­tes­tos e uma carta da Comis­são Europeia. Continue lendo “A retaguarda europeia”

Sintomas, apenas sintomas

É sintoma de alguma coisa que futuros universitários enxertem numa redação destinada a avaliar a qualidade do ensino médio trechos do hino do Palmeiras ou receitas de macarrão Miojo e sejam agraciados com notas relativamente boas e tratados com tolerância; afinal “não desrespeitaram os direitos humanos”. Continue lendo “Sintomas, apenas sintomas”

Onde está a liberdade?

Ros­sel­lini fez Dov’è la libertà, com Totò, o mais popu­lar dos cómi­cos ita­li­a­nos. Totò é um bar­beiro e, com nava­lha afi­a­dís­sima, deve­ria cor­tar o pes­coço a um cli­ente por­que o tipo, o melhor amigo, mas um mau carác­ter, ten­tara abu­sar da sua mulher, como ela, indig­nada, lhe confessara. Continue lendo “Onde está a liberdade?”

Dilma, o veto e o voto

Ninguém em sã consciência poderia criticar redução de impostos, especialmente dos que incidem sobre alimentos. Portanto, acertou a presidente Dilma Rousseff ao desonerar a cesta básica. Aliás, já poderia ter feito. Há apenas seis meses, a mesma Dilma vetou um projeto idêntico de autoria do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE). Continue lendo “Dilma, o veto e o voto”