Vi-o dar um salto surrealista, de tomara André Breton. Foi assim que o conheci, no Festival da Figueira da Foz. Nasciam os anos 80, na sala do Casino exibira-se um filme, Rita, e levantara-se um escarcéu que nem Quixote e Sancho Pança. Continue lendo “Um salto surrealista”
Fora foro privilegiado
Com 105 condenações que somam mais de 1.140 anos de prisão, a Lava-Jato faz o Brasil acreditar que é possível trancafiar endinheirados e poderosos. Nas celas de Curitiba estão ex-ministros e tesoureiros do PT, empreiteiros, doleiros. Mas não consegue pegar políticos com mandato, detentores de foro especial por prerrogativa de função, vulgo foro privilegiado. Uma excrecência que beneficia mais de 22 mil pessoas – do presidente da República e seus ministros a governadores e prefeitos, além de senadores e deputados, magistrados – algo em torno de 16 mil. E até vereadores e delegados, em alguns tipos de crimes. Continue lendo “Fora foro privilegiado”
Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô
Quantas fogueiras para pular neste São João! Precisamos ter muito cuidado, são fogueiras altas, nosso arraiá está ardendo em fogo! Continue lendo “Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô”
O Reino Unido e o ocaso do Ocidente
A história mexe-se como pêndulo, dizem. E, mesmo que seja apenas consolo, é melhor crer nessa premissa. Hoje vimos a Inglaterra fechar suas portas para o mundo. E, ainda que seja pela opção da maioria em um dos países mais democráticos do planeta, é estranho ver ingleses preferindo erguer a derrubar muros. Continue lendo “O Reino Unido e o ocaso do Ocidente”
Ser ou não ser
O espírito de Hamlet paira sobre a Grã-Bretanha. Sair (Leave) ou permanecer (Remain) na União Européia, eis a questão. Em um mundo no qual os megablocos vão se formando e as cadeias produtivas são cada vez mais uma realidade, a idéia do Brexit – como é chamada a saída britânica do bloco – é um anacronismo que pode levar o velho mundo a girar para trás e condenar a Inglaterra a um papel irrelevante no comércio mundial e no concerto das nações. Literalmente, os britânicos estão divididos, embora as últimas pesquisas apontem uma leve vantagem do Remain no referendo que decidirá sobre a relação do Reino Unido com a União Européia. Continue lendo “Ser ou não ser”
It’s beyond my control
Na crónica passada falei de Dangerous Liaisons, de Stephen Frears, e da tumultuosa paixão que Michelle Pfeiffer e John Malkovich mantiveram durante o filme. Ele era o perverso e corruptor Visconde de Valmont, ela era a virtuosa e finalmente corrompida Madame de Tourvel, personagens roubadas ao romance de Laclos. Continue lendo “It’s beyond my control”
Rio decreta a calamidade do Brasil
Cartão postal do país e incomparavelmente lindo, o Rio de Janeiro agoniza.
A cidade maravilhosa que sediará a Olimpíada daqui a 45 dias está em frangalhos. E o Estado que a abriga – com mais de 16 milhões de habitantes, 13 milhões na região metropolitana, na ruína. Continue lendo “Rio decreta a calamidade do Brasil”
Haja conflito de interesses!
A Comissão de Ética da Presidência vem recebendo inúmeros pedidos de quarentena remunerada por parte de agentes públicos que porventura estejam em situação de conflito de interesses, quer dizer, por não poderem trabalhar para empresas privadas por serem detentores de informações privilegiadas que acumularam durante o tempo em que serviram ao Governo Federal. Continue lendo “Haja conflito de interesses!”
Tempos de ira
Viramos o século 20 com uma chama de esperança. A queda do muro de Berlim, o fim do apartheid, o colapso da ditaduras latino-americanas e o advento da globalização justificavam tais sentimentos. A Primavera Árabe reforçou mais ainda a impressão de que os valores da democracia ocidental se afirmavam em escala planetária. Continue lendo “Tempos de ira”
Ligações perigosas
A beleza virtuosa de Madame de Tourvel só é a beleza virtuosa de Madame de Tourvel por causa da esplêndida expectativa de vir a ser vilmente corrompida. Continue lendo “Ligações perigosas”
A ameaça de Lula
Hábil na escolha das frases e na mixagem dos tons — do sério ao indignado, do didático ao malandro –, o ex-presidente Lula ainda tem domínio de palco. Mas, definitivamente, já não é o mesmo. Se consegue empolgar a torcida, o faz com uma fórmula gasta e repetitiva, incapaz de ultrapassar os limites da fé cega de seus fãs. E, como sempre, excede na torção dos fatos a seu bel prazer e conveniência, nos impropérios ou na simples mentira. Continue lendo “A ameaça de Lula”
Será que isso não basta?
O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Júlio Marcelo de Oliveira, e o auditor fiscal da mesma instituição, Antonio Carlos Costa D’Ávila, testemunhas, e os senadores Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin, que atuaram ontem na sessão da Comissão do Senado Federal que analisa o impeachment de Dilma Rousseff, pareciam pessoas de épocas e mundos distintos; ninguém diria, ao vê-los e ouvi-los, que são cidadãos do mesmo nível social e, imagino eu, com escolaridade semelhante. Continue lendo “Será que isso não basta?”
Apocalypse Now?
O mundo da política vive o seu Apocalypse Now sem que se vislumbre como será o Day After, ou quem sobreviverá dos seus escombros. O pedido de prisão do ex-presidente José Sarney, do presidente do Senado, Renan Calheiros, do presidente em exercício do PMDB, Romero Jucá, e do presidente da Câmara com mandato suspenso, Eduardo Cunha, pode não ser ainda o fim do sistema político-partidário do país, mas muito provavelmente é o princípio do seu fim. Continue lendo “Apocalypse Now?”
A invenção do cinema americano
“Se não podes destruir um monopólio, junta-te a ele: se não te podes juntar a ele, destrói-o.” O lema é de Adolph Zukor, judeu húngaro que chegou à América com 15 anos, órfão e 40 dólares cosidos ao forro de um fato que lhe tinham dito para nunca despir na viagem. Chegou, tirou a roupa e tomou um banho. A banheira tinha água corrente. Não se espantou: “Eu estava preparado para milagres.” Continue lendo “A invenção do cinema americano”
De volta ao passado
Satanizar o capital privado, o mal em si, e santificar a economia de Estado, que reúne os puros e bem-aventurados. Não importa se isso remete o país ao século passado ou ao anterior. Na cabeça dos profetas do atraso vale tudo para espicaçar o governo do interino Michel Temer e seus apoiadores. Esse é o intuito da campanha “Se é público é de todos”, a ser lançada amanhã, no Rio, tendo o ex-presidente Lula como convidado de honra. Continue lendo “De volta ao passado”



