Possivelmente a crise econômica bateu no fundo do poço. Há sinais de discretas melhoras, ou de que as coisas pararam de piorar. Os indicativos são de aumento da confiança de empresários e consumidores, de desaceleração das demissões, embora o desemprego continue altíssimo e seja o grande tormento dos brasileiros. As previsões sobre o desempenho da economia para este ano e para 2017 estão sendo revistas para melhor. Ou menos ruim. Continue lendo “Para sair do buraco”
On s’emmerde
Limpámos das nossas vidas o cheiro acre e obsceno do ciúme e o gárrulo cheiro a pólvora da vingança. Resultado, e perdoem o meu francês, on s’emmerde. Continue lendo “On s’emmerde”
Corrupção campeã
Odebrecht, Oi, Sete Brasil, e agora o Grupo J&F, dono da JBS – Friboi, o maior frigorífico do mundo. Diferentes nos negócios, elas têm tudo em comum. Escolhidas a dedo dentro da política megalomaníaca de campeãs nacionais, todas foram anabolizadas por generosos empréstimos do BNDES nos governos Lula e Dilma. E, sem exceção, estão arroladas e enroladas na roubalheira de dinheiro público apurada pela Lava-Jato e suas sucursais. Continue lendo “Corrupção campeã”
Quem será o nosso Silvio Berlusconi?
Foi a primeira pergunta que me veio à mente depois de saber que Renan Calheiros quer votar com urgência um projeto de lei sobre abuso de autoridade que jaz nas gavetas do Senado Federal desde 2011, mas que hoje adquiriu urgência urgentíssima! Continue lendo “Quem será o nosso Silvio Berlusconi?”
Foi a causa, companheiro!
Ramon Mercader, o assassino de Trotsky, passou 20 anos numa cadeia mexicana sem jamais admitir ter agido a mando de Stalin, sem revelar sua real identidade. Esse militante dedicado não se via como um assassino e sim como quem cumpriu uma tarefa revolucionária, como quem nunca traiu seus companheiros de causa. Por isso mesmo foi condecorado como herói da União Soviética, em 1961. Continue lendo “Foi a causa, companheiro!”
Um salto surrealista
Vi-o dar um salto surrealista, de tomara André Breton. Foi assim que o conheci, no Festival da Figueira da Foz. Nasciam os anos 80, na sala do Casino exibira-se um filme, Rita, e levantara-se um escarcéu que nem Quixote e Sancho Pança. Continue lendo “Um salto surrealista”
Fora foro privilegiado
Com 105 condenações que somam mais de 1.140 anos de prisão, a Lava-Jato faz o Brasil acreditar que é possível trancafiar endinheirados e poderosos. Nas celas de Curitiba estão ex-ministros e tesoureiros do PT, empreiteiros, doleiros. Mas não consegue pegar políticos com mandato, detentores de foro especial por prerrogativa de função, vulgo foro privilegiado. Uma excrecência que beneficia mais de 22 mil pessoas – do presidente da República e seus ministros a governadores e prefeitos, além de senadores e deputados, magistrados – algo em torno de 16 mil. E até vereadores e delegados, em alguns tipos de crimes. Continue lendo “Fora foro privilegiado”
Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô
Quantas fogueiras para pular neste São João! Precisamos ter muito cuidado, são fogueiras altas, nosso arraiá está ardendo em fogo! Continue lendo “Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô”
O Reino Unido e o ocaso do Ocidente
A história mexe-se como pêndulo, dizem. E, mesmo que seja apenas consolo, é melhor crer nessa premissa. Hoje vimos a Inglaterra fechar suas portas para o mundo. E, ainda que seja pela opção da maioria em um dos países mais democráticos do planeta, é estranho ver ingleses preferindo erguer a derrubar muros. Continue lendo “O Reino Unido e o ocaso do Ocidente”
Ser ou não ser
O espírito de Hamlet paira sobre a Grã-Bretanha. Sair (Leave) ou permanecer (Remain) na União Européia, eis a questão. Em um mundo no qual os megablocos vão se formando e as cadeias produtivas são cada vez mais uma realidade, a idéia do Brexit – como é chamada a saída britânica do bloco – é um anacronismo que pode levar o velho mundo a girar para trás e condenar a Inglaterra a um papel irrelevante no comércio mundial e no concerto das nações. Literalmente, os britânicos estão divididos, embora as últimas pesquisas apontem uma leve vantagem do Remain no referendo que decidirá sobre a relação do Reino Unido com a União Européia. Continue lendo “Ser ou não ser”
It’s beyond my control
Na crónica passada falei de Dangerous Liaisons, de Stephen Frears, e da tumultuosa paixão que Michelle Pfeiffer e John Malkovich mantiveram durante o filme. Ele era o perverso e corruptor Visconde de Valmont, ela era a virtuosa e finalmente corrompida Madame de Tourvel, personagens roubadas ao romance de Laclos. Continue lendo “It’s beyond my control”
Rio decreta a calamidade do Brasil
Cartão postal do país e incomparavelmente lindo, o Rio de Janeiro agoniza.
A cidade maravilhosa que sediará a Olimpíada daqui a 45 dias está em frangalhos. E o Estado que a abriga – com mais de 16 milhões de habitantes, 13 milhões na região metropolitana, na ruína. Continue lendo “Rio decreta a calamidade do Brasil”
Haja conflito de interesses!
A Comissão de Ética da Presidência vem recebendo inúmeros pedidos de quarentena remunerada por parte de agentes públicos que porventura estejam em situação de conflito de interesses, quer dizer, por não poderem trabalhar para empresas privadas por serem detentores de informações privilegiadas que acumularam durante o tempo em que serviram ao Governo Federal. Continue lendo “Haja conflito de interesses!”
Tempos de ira
Viramos o século 20 com uma chama de esperança. A queda do muro de Berlim, o fim do apartheid, o colapso da ditaduras latino-americanas e o advento da globalização justificavam tais sentimentos. A Primavera Árabe reforçou mais ainda a impressão de que os valores da democracia ocidental se afirmavam em escala planetária. Continue lendo “Tempos de ira”
Ligações perigosas
A beleza virtuosa de Madame de Tourvel só é a beleza virtuosa de Madame de Tourvel por causa da esplêndida expectativa de vir a ser vilmente corrompida. Continue lendo “Ligações perigosas”



