Lula, há uma enorme diferença entre concordar com a sentença do juiz Sergio Moro e sair por aí cantando, dançando e brindando com champanhe. Não comemoro. Continue lendo “Comemorar o quê?”
Quem não chora não mama
O mundo sindical está em pé de guerra. Sindicalistas movem os céus e a terra, mas não em defesa dos salários ou de melhores condições de trabalho, bandeiras que no passado arrastavam multidões de trabalhadores para greves. A gritaria dos pelegos se dá por motivo torpe: a manutenção do imposto sindical – uma tunga no bolso dos trabalhadores instituída em 1940 pelo Estado Novo varguista. Continue lendo “Quem não chora não mama”
Erros meus, amor ardente
Era muito alta. Estiquei-me para lhe dar dois canónicos beijos na face e, rotundo falhanço, beijei na boca a conselheira cultural de um país amigo. Já relatei aqui esse erro benigno. Mas estes seis anos de crónicas no Expresso estão tintados por erros e beijos menos exaltantes. Continue lendo “Erros meus, amor ardente”
Antes as balas se perdessem…
Não sei quem criou a expressão bala perdida, nem quero saber. Perdida por quê? Porque não atingiu o alvo desejado e foi pegar quem não devia? Queria eu que as balas atiradas durante as batalhas entre polícia e bandidos se perdessem, sim. Que fossem parar na p.q.p. Continue lendo “Antes as balas se perdessem…”
Reencontro histórico
Às vésperas do 23º aniversário do Plano Real, o Conselho Monetário Nacional tomou uma decisão histórica, por sua simbologia. Ao rebaixar o centro da meta inflacionária para 4,25% em 2019 e 4% em 2020, a equipe econômica capitaneada pelo ministro Henrique Meireles escreve um novo capítulo do compromisso assumido pelo Brasil em 1º de julho de 1994. O de defender o poder aquisitivo dos brasileiros e promover a estabilização de sua moeda para pôr fim a um tormento de 50 anos que corroía os salários, tornava a vida um inferno, desestruturava o Estado e inviabilizava os negócios. Continue lendo “Reencontro histórico”
O coração do povo
Liz Taylor esteve às portas da morte. Redimiu assim a má fama que ganhara por ter sacado o marido à virginal Debbie Reynolds. Não se rouba o marido a uma escoteira, muito menos um mês depois de se ter enterrado, como Liz fizera, o seu. Odiaram-na. Mas a gripe asiática e o coma de Liz, em Londres, interrompendo as filmagens de Cleópatra, reinstalaram-na no coração do povo cinéfilo. Continue lendo “O coração do povo”
Matrioska à la Brasil
A metáfora não tem relação direta com a recente viagem de Michel Temer à Rússia, mas a situação brasileira lembra bem a boneca russa, com uma boneca dentro da outra. No nosso caso, a cada crise que se destampa há outra dentro dela. Continue lendo “Matrioska à la Brasil”
Cleópatra
O ciclo menstrual de Elizabeth Taylor é que teve a culpa. Vejamos, Walter Wanger só queria a glória. Saíra da prisão por ter dado uns tiros bem aviados, mas não mortais, ao amante de Joan Bennett que, não fortuitamente, era a sua querida mulher. Antes, fora o produtor que descobrira Valentino, que fizera da Garbo a Rainha Cristina, que em Stagecoach juntara dois Johns, um Ford, outro Wayne. Queria fechar a idade de ouro de Hollywood e a sua com um épico: subir o Nilo e ajoelhar-se aos lindos pés de Cleópatra. Continue lendo “Cleópatra”
Apesar de Brasília
Há Brasília e há o Brasil, separados por uma distância fenomenal. Lugar comum, a frase ganha toneladas de chumbo quando as crises se agudizam. Quase nada do que faz sentido para os ocupantes da Praça dos Três Poderes dialoga com o resto do país – um divórcio irreconciliável não por um ou outro contencioso, mas por absoluta incompatibilidade. Continue lendo “Apesar de Brasília”
Palavra fácil
Nós somos um povo de palavra fácil. Os estrangeiros que aqui vêm ficam satisfeitos com nossa acolhida, damos atenção, somos camaradas e gentis com nossos visitantes. Já morei fora e creio poder afirmar que isso é raro acontecer em outros países. Continue lendo “Palavra fácil”
O fantasma Bolsonaro
Parodiando o Manifesto Comunista: um espectro ronda o Brasil, o espectro de Jair Messias Bolsonaro. Ele existe e deve ser levado a sério. Há menos de um ano, os analistas, de forma quase unânime, o viam como fogo de palha, cuja chama se apagaria rapidamente. Hoje é alçado à condição de popstar por parcela cada vez mais crescente de jovens, muitos deles ex eleitores de Lula e Dilma Rousseff. Continue lendo “O fantasma Bolsonaro”
A arte nem pode, nem antipode
A fúria com que, em Red River, Montgomery Clift e John Wayne esmurram as ventas um do outro não é de esquerda nem de direita. Os murros deles não são políticos. Nem é político o rabo de Marilyn Monroe, que, em curtas cenas de 20 segundos, desreprimiu o recalcado baixo-ventre do cinema, a cores em Gentlemen Prefer Blondes e a preto e branco em Some Like It Hot, por obra e graça do bom olho de Hawks e de Wilder. Continue lendo “A arte nem pode, nem antipode”
Perdão indigesto
Chave-mestra para as investigações da Lava-Jato, o instituto da delação premiada pode ganhar nova interpretação nesta semana, fragilizar a operação e adicionar mais uma guerra às já deflagradas entre os poderes. Continue lendo “Perdão indigesto”
Você tem um estadista no bolso do colete?
O que um bando de malfeitores petistas fez com a jornalista Miriam Leitão a bordo de um avião da Avianca no dia 3 de junho, num vôo Brasília/Rio, pode vir a ser um favor ao Brasil. Continue lendo “Você tem um estadista no bolso do colete?”
A Era do Centro
Se a Era dos Extremos, com suas catástrofes, crises econômicas, guerras, revoluções e polarização ideológica, teve como marco temporal a Sarajevo de 1914 e de 1991, é bem possível que a larga maioria conquistada por Emmanuel Macron nas eleições para a Assembléia Nacional Francesa venha a ser entendida, no futuro, como o limiar da Era do Centro. Continue lendo “A Era do Centro”




