Em seu mais recente livro, Como Salvar a Democracia (Cia das Letras), Steve Levitsky e Daniel Ziblatt fazem uma comparação entre a reação dos Estados Unidos à invasão trumpista do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, e a do Brasil em relação à intentona bolsonarista de 8 de janeiro de 2023. Sua conclusão é surpreendente: “O Brasil rechaçou a sua mais recente ameaça à democracia, ao contrário dos Estados Unidos”. Continue lendo “O fracasso do 8 de janeiro”
Adeus Ano, Velha!
Lula escolhe começar o ano na fogueira
O fim de um ano e o início de outro nos remete a balanços, listas de resoluções, virada de página, renovação de esperanças, alegria e festa. Portanto, é quase incompreensível que o governo Lula tenha optado por agir na contramão: em vez de comemorar o primeiro quarto de seu mandato, que se completa amanhã, preferiu lançar uma Medida Provisória no mínimo polêmica para aumentar a arrecadação, confrontando o Congresso Nacional. E concentrar forças para um ato de desagravo pelo 8 de janeiro para, segundo o presidente, “lembrar ao povo que houve uma tentativa de golpe, que foi debelado pela democracia deste país”. Definitivamente não parece ser a melhor maneira de começar um novo ano. Continue lendo “Lula escolhe começar o ano na fogueira”
Façanhas
Não foi nadando de braçada, mas correndo aos trancos e barrancos que o ministro da Fazenda e o presidente da República — sem esquecer (tenho que ser justo) os presidentes da Câmara e do Senado — conseguiram fazer os principais projetos econômicos do quinto governo petista cruzarem a reta de chegada ao apagar das luzes de 2023. Continue lendo “Façanhas”
Para superar a polarização no Brasil
No penúltimo capítulo do livro Biografia do Abismo, seus autores Thomas Traumann e Felipe Nunes respondem com um otimismo cauteloso à pergunta: existe saída para a polarização exacerbada da política brasileira? Continue lendo “Para superar a polarização no Brasil”
Agradáveis locais de trabalho
Nariz de cera (texto com obviedades que no século passado abria as notícias dos jornais):
O conforto no trabalho, tão desfrutável nos dias de hoje, não era possível em outros tempos porque dependia-se da papelada. E esta, documentos, ofícios, correspondência, notas fiscais, achava-se guardada nas gavetas dos portentosos arquivos de aço e outros meios físicos. A informática facilitou tanto as coisas, que, hoje, até mesmo as mesas de escritório e as salas de reunião estão ficando dispensáveis.
A melhor notícia do ano
O tráfego intenso no Congresso Nacional em torno das pautas econômicas desviou a atenção de um dos maiores êxitos do país neste ano: o crescimento expressivo da cobertura vacinal infantil. Os índices de imunização ainda não voltaram ao patamar ideal, mas são uma reação contundente ao negacionismo bolsonarista, que estimulou, não raro com mentiras escabrosas, os movimentos antivacinas. Continue lendo “A melhor notícia do ano”
Tapas na Cara!
A cerimônia de promulgação da tão esperada reforma tributária, na última quarta-feira (20/12), teve um pouco de tudo. Continue lendo “Tapas na Cara!”
A sucessão
Sei que muitos gostaram, mas não me agradou a aprovação do Flávio Dino para o STF. Não pelos mesmos motivos dos que não o queriam de jeito nenhum lá. Muito pelo contrário. Eu queria que ele continuasse ministro de governo e não do Supremo. Mas o presidente Luiz Inácio não quis assim. Não sei o que ele vai ganhar com isso, mas eu perdi. Continue lendo “A sucessão”
Bem-vindo a Lulanaro
Nos meados dos anos 70, o economista Edmar Bacha descreveu um país fictício chamado “Belíndia” para explicar a existência de dois Brasis. Um com alto padrão de vida e do tamanho da Bélgica e outro com condições sociais e extensão territorial similar à da Índia, então um dos países mais miseráveis do mundo. Continue lendo “Bem-vindo a Lulanaro”
Amundsen
Quando garoto, no Guabirotuba, o bairro da Zona Sul de Curitiba em que vivia, Amundsen era bonito como um James Dean. Manteve a faccia bella ao longo de toda a vida, mas, sobretudo, guardou sempre uma rebeldia que fazia lembrar a de Jim Stark, o personagem do ator em Rebel Without a Cause, um dos três únicos filmes que o eterno símbolo da juventude rebelde fez na vida, antes de se despedaçar numa batida de seu Porsche em altíssima velocidade. Continue lendo “Amundsen”
Perder para ganhar
A política quase nunca é o que parece. A semana passada foi exemplar para comprovar o dito. Tinha-se na conta que, ao derrubar mais de uma dezena de vetos presidenciais em uma única sessão, o Congresso Nacional teria imposto uma derrota fragorosa ao governo Lula, que, ao contrário, chegou na sexta-feira sorridente, dividindo vitórias com o Parlamento. Perdeu onde sabia que perderia e ganhou onde precisava. E ainda escreveu na história um feito e tanto: a aprovação de um novo sistema tributário, empacado há quase quatro décadas. Para tal, fez-se política – com “p” maiúsculo e minúsculo.
É Nóis na Fita, Hermano!
Bem que tentou, mas Jair Bolsonaro não conseguiu aparecer na foto oficial da posse do presidente argentino Javier Milei. Continue lendo “É Nóis na Fita, Hermano!”
Hasta la vista!
Tantas mensagens mandaram para o espaço com as poderosas lanternas de seus telefones celulares que finalmente foram atendidas. As tias do zap, como se intitulam, comemoraram eufóricas em Buenos Aires, domingo passado, vindas diretamente do Paraná e outras partes, a posse do alienígena ultrarradical de direita Javier Milei, novíssimo presidente da República Argentina. Continue lendo “Hasta la vista!”
Esquizofrenia petista
No primeiro governo Lula o quadro já era esquizofrênico. Quem mais se opunha à política econômica do ministro Antonio Palocci e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, eram senadores e deputados do partido do presidente, o Partido dos Trabalhadores. Enquanto isso, a oposição a defendia porque as medidas do então ministro da Fazenda iam na direção correta: superávit primário, meta da inflação, responsabilidade fiscal. Continue lendo “Esquizofrenia petista”



