O medo e a disputa pelo futuro

Em seu livro Redes de indignação e esperança, o sociólogo espanhol Manuel Castells analisa o medo como uma emoção fundamental para a manutenção do poder, contrapondo-o à esperança e à possibilidade de transformação social. A campanha de Lula no segundo turno colocou no centro de sua estratégia a arma do medo, na tentativa de reverter a desvantagem expressa nas urnas no primeiro turno e confirmada pelas primeiras pesquisas divulgadas após a votação, nas quais Flávio Bolsonaro aparece à frente nas intenções de voto. Continue lendo “O medo e a disputa pelo futuro”

Toque de telefone põe pra correr

Um simples telefonema pode transformar um repórter em enviado especial. Uma e meia da madrugada, os últimos convidados de uma festa em casa tinham saído. Este que vos escreve estava no quarto, olhando amavelmente para a cama. O telefone toca, Haydeé atende. “É o Mitre”.

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Coração de estudante

De repente, os estudantes foram para as ruas de Norte a Sul do país. Parecia que estavam dormindo ou mortos. Sua ressurreição é o fato mais positivo, inusitado e explosivo, desta campanha eleitoral de favorecimento ao crime organizado — talvez o único positivo, ante a passividade do PT em reagir de imediato e à altura contra seu adversário eleitoral. Continue lendo “Coração de estudante”

Dava para pegar no ar o entusiasmo das pessoas

Sou um veterano bem veterano em manifestações na Avenida Paulista. Por exemplo: apenas oito dias atrás, no sábado, dia 3, tínhamos ido ao último ato da campanha do Lula antes do primeiro turno das eleições. E, diacho, eu nunca tinha visto uma coisa assim como hoje, domingo, dia 11. Continue lendo “Dava para pegar no ar o entusiasmo das pessoas”

Lula navega contra a maré

Aparentemente, Lula teria pela frente uma missão possível. Afinal, a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno não chegou a dois pontos percentuais. Mas a pequena diferença na disputa presidencial esconde um resultado bem mais desfavorável ao governo. A essa pequena diferença soma-se uma derrota expressiva nas eleições para o Congresso e para os governos estaduais. O conjunto do resultado indica um desejo de mudança e um voto de protesto alimentado pela sensação de que a vida não vai bem, da porta de casa para dentro. Continue lendo “Lula navega contra a maré”

Brasil na Copa do México

Havia uma juventude barulhenta no avião que levou este repórter, então na revista Afinal, a Guadalajara, no México, para cobrir os jogos do Brasil na Copa de 1986. Mas também lá estava uma distinta senhora, com duas filhas. Ora, ninguém menos do que a esposa do jogador Sócrates, que fez a gentileza de me conceder uma entrevista.

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O Zero, a apuração e os mais de 50 minutos de silêncio

Às 18h16, com a apuração dando a Flávio a vitória já no primeiro turno, por 51,22% contra 40,66% de Lula, uma confortável margem de 10,66 pontos percentuais, ele não se conteve: mandou um assessor ligar para a Rayanna e contratar umas 20 garotas. Continue lendo “O Zero, a apuração e os mais de 50 minutos de silêncio”

Eles não são farinha do mesmo saco

Um curioso mantra se repete em todas as eleições presidenciais. Fala-se muito da importância dos programas de governo, mas eles não passam de meros coadjuvantes, não raro figurantes que mal chegam a dar as caras. Um script que facilita a vida de candidatos sem história ou com passado turvo, e sem propostas. Neste ano, o espaço eleitoral foi ocupado pelos escândalos do Banco Master, pela guerra aberta entre supremos ministros e até pela Santa Padroeira do Brasil. Por óbvio, Flávio Bolsonaro foi o principal beneficiário disso. Continue lendo “Eles não são farinha do mesmo saco”

Lulalá

Vi inteirinha a entrevista de Lula a Igor Coelho no Flow Podcast. Muito bem humorado — sorridente, confiante, racional, afiado —, Lula deu banho. À vontade no estilo do canal, que vai do informal à conversa de botequim, o presidente se sentiu como um peixinho na água.  Continue lendo “Lulalá”