O esplendor dos filmes japoneses na Liberdade

Uma menina de quatro anos ia ao cinema, sem saber o que era cinema. O grande carro preto importado – o táxi – partia da Rua da Cantareira, onde a família morava e trabalhava. No banco da frente, o pai, de terno e gravata. Atrás, bem penteadas e vestidas, a mãe e as duas irmãs. Continue lendo “O esplendor dos filmes japoneses na Liberdade”

O Bem e o Mal

O pai mor­rera e ele nunca mais almo­çava. O cai­xão era pau­pér­rimo, uma coisa dic­ken­si­ana ao lado da qual cami­nhava a aflita dor da mãe. O futuro Char­lot vinha atrás da urna do pai e do pranto da mãe. Para dis­trair a fome, ia mimando, cari­ca­tu­ral, o sofri­mento materno. Continue lendo “O Bem e o Mal”

O que afinal o senhor Rui Falcão pensa dos brasileiros?

Fiquei injuriada com o vídeo do presidente do PT. Sei que foi para uso interno, mas como ele conclama a sociedade organizada, partidos políticos, centrais sindicais, movimentos populares, a se mobilizarem para neutralizar a operação destinada a abafar a CPI do Demóstenes, creio que ele pretendia o que conseguiu: que sua peroração fosse ouvida fora do âmbito do PT. E aí ele nos dá o direito de responder. É o que faço agora. Continue lendo “O que afinal o senhor Rui Falcão pensa dos brasileiros?”

A cachaça de Dilma e o bourbon de Obama

Em volta de uma garrafa de Velho Barreiro, que ao contrário do que andaram dizendo não era cravejada de diamantes e nem custava mais de 200 mil reais, a presidente Dilma e o presidente Obama deixaram as relações Brasil- Estados Unidos no mesmo banho-maria em que vêm cozinhando nos últimos anos. Continue lendo “A cachaça de Dilma e o bourbon de Obama”

Más notícias do país de Dilma (47)

Um governo incompetente não se faz apenas besteiras grandiosas, ciclópicas, como a insistência no trem-bala e em Belo Monte, para ficar apenas em dois exemplos. A incompetência se faz também em imbecilidades que parecem pequeninas, como a insistência de Dilma Rousseff em ser chamada de presidenta. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma (47)”

Avé-Maria Cheia de Graça

O caldo entornou-se. O jovem católico virou-se para o chefe de polícia e disse-lhe em tom de desgarrada: “Gostava que fizessem isso à sua mãe?” Ó meu amigo, palavras não eram ditas e já o até então polidíssimo agente lhe enfiava uma gravata que, vi eu, fez o ar dos pulmões do jovem bater no tecto da sala. Continue lendo “Avé-Maria Cheia de Graça”

A censura tinha acabado. Sarney trouxe de volta

O artigo brilhante de Manuel S. Fonseca sobre o dia em que ele – na época programador da Cinemateca Portuguesa – e amigos resolveram exibir em Lisboa o filme Je Vous Salue, Marie, de Jean-Luc Godard, me deu comichão nos dedos para escrever também. Ainda que sem a verve, a graça, a elegância do texto dele, que tenho a honra de republicar neste site. Continue lendo “A censura tinha acabado. Sarney trouxe de volta”