O descentrado centro

Lideranças populistas, partidos sem qualquer identidade, desigualdades extremas, educação precária são algumas das explicações para a rasura em que o debate político nacional se desenvolve. Os que se dizem de direita demonizam os de esquerda que satanizam os de direita. Os extremos sovam-se com braveza e baixarias para fermentar seus mitos, não raro sem saber o significado histórico-politico da direita e da esquerda no mundo e no Brasil. Ao centro cabe a impopular tarefa de arrumação. Continue lendo “O descentrado centro”

Pirralhices!

Segundo o passador de pano oficial de Jair Bolsonaro, digo, porta-voz da Presidência Otávio Rêgo Barros, o presidente não foi “descortês” com a ativista Greta Thunberg só porque a chamou de pirralha. Continue lendo “Pirralhices!”

Festival de desatinos

Esta semana tive uma discussão exaltada com um amigo que defendia que a gente perde muito tempo comentando as besteiras da Damares. Jornalista, intelectual, aguerrido lutador de esquerda quando mais jovem, ele acha que no que importa – a economia – o governo Bolsonaro vai muitíssimo bem. Continue lendo “Festival de desatinos”

Bolsonaro dá nojo

Por que razão um homem público, um líder político, sairia de um procedimento médico absolutamente normal dizendo que pode ser que seja câncer – se não há ainda indício algum de que possa ser câncer? Continue lendo “Bolsonaro dá nojo”

A nova plumagem dos tucanos

Ainda que preste homenagens ao seu passado, o “novo PSDB” tem pouco a ver com o de sua fundação. Se na origem tinha uma forte preocupação social e de combate às  desigualdades, questões próximas às da social-democracia européia, sua nova configuração está mais para a de um partido de direita situado no campo democrático. Continue lendo “A nova plumagem dos tucanos”

A infalibilidade do povo inglês

Faça-se justiça. Há uma infalibilidade que roça ombros com a infalibilidade do Papa, a infalibilidade do povo inglês. E já estou a ser de um intolerável sectarismo. A soletrada humanidade de Francisco tem feito da sua infalibilidade um sussurro. Pelo contrário, a energia ululante de Boris Johnson faz da infalibilidade inglesa o novo Big Bang. Continue lendo “A infalibilidade do povo inglês”

Incultos contra a cultura

Por ignorância ou puro ódio, de caso pensado ou não, o bolsonarismo encarnou de vez as vestes de inimigo-mor das artes, da cultura. E parece adorar o papel. Desdenha do melhor produto brasileiro e, mais grave, fere a identidade nacional, indissociável da cultura. Um vale tudo de baixíssimo nível para destruir uma imaginária hegemonia ideológica de esquerda nas artes. Continue lendo “Incultos contra a cultura”

A ilha do dr. Carvalho

Caro Leitor: você leu A Ilha do dr. Moreau, do grande escritor inglês H. G. Wells? O livro é muito interessante e absorve o leitor desde o primeiro parágrafo. Conta a historia do sobrevivente de um naufrágio que é resgatado por um navio que tem como missão levar para uma ilhota no Pacífico animais selvagens. O náufrago, cujo nome é Pendrick, é obrigado a desembarcar junto com as bestas. Continue lendo “A ilha do dr. Carvalho”

Marina em modo ginasta romena

Às 17h21, poucos minutos depois de sair do Grão, seguramente ainda na rua (ela caminha cerca de 1 km todos os dias entre a escola e a casa), e apenas dois dias depois de nos ter visto durante muitas horas, Marina mandou pelo telefone da Cau uma mensagem de voz:

– “Vovô, vovó, vocês podem vir aqui brincar comigo?” Continue lendo “Marina em modo ginasta romena”

Help!

Quando os meninos John, Paul, Ringo e George se reuniram lá nos idos de 1960 pra formar um conjunto, jamais imaginariam que quase 60 anos depois alguém apontaria a alta nocividade escondida por trás do tipo de música que eles tocavam. Apesar de terem passado por vários estilos, se consagraram mesmo no rock, que ia do folk ao psicodélico, o que pode representar, atualmente, um perigo para alguns seres desprovidos de cérebro.

Continue lendo “Help!”

Tempo perdido

Não há o que comemorar nos resultados do Pisa. Eles mostram que a Educação brasileira está estacionada e não apresenta avanços significativos no sistema internacional de avaliação do ensino da OCDE, realizado a cada três anos em estudantes de 15 anos de idade. A última edição foi aplicada em 2018 e divulgada nesta semana. Se por um lado a pontuação dos alunos aumentou levemente na comparação a 2015, por outro o Brasil desceu mais alguns degraus no ranking mundial em matemática e ciências, mantendo-se estável em leitura. Continue lendo “Tempo perdido”

Roubos e carnificinas

Será que, hoje, se podia escrever a história dos roubos e carnificinas dos mais mal-afamados piratas dos últimos vinte anos como a que escreveu o capitão Charles Johnson, no século XVIII? Atrevam-se a dizer-me um nome que, olhos nos olhos, faça frente ao de um Barba Negra! Continue lendo “Roubos e carnificinas”