O caos social e político da Bolívia que culminou na renúncia de Evo Morales diz de perto ao Brasil e a todos os países da América do Sul. Com ele a instabilidade política da região – que já era alarmante com as convulsões sociais do Chile, Equador e Peru – subiu vários graus. Continue lendo “Ninguém é santo na Bolívia”
O dia em que a história desembestou
Em junho de 1989 Mikhail Gorbachev, então presidente da União Soviética, visitou a Alemanha Ocidental, sendo aclamado por onde passou. Todos lhe fizeram a mesma pergunta: quando a Alemanha seria unificada? Diplomaticamente, o pai da perestroika dizia que o problema teria de ser resolvido um dia, mas não naquele momento. Isto havia sido combinado com o então primeiro-ministro alemão, Helmut Kohl: a unificação alemã era uma questão a ser equacionada apenas no século XXI. Continue lendo “O dia em que a história desembestou”
Macri no se fue
A vitória do peronista Alberto Fernández nas eleições presidenciais da Argentina, um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, era pedra cantada desde as primárias, quando abriu uma frente de 12 pontos em relação ao atual presidente Maurício Macri. Desde então os peronistas tripudiavam sobre o suposto cadáver do presidente argentino, dizendo que ele “se fue”. Continue lendo “Macri no se fue”
Veias expostas
A América do Sul voltou a ser uma área de alta instabilidade, se é que em algum momento deixou de ser. O Chile – pais mais estável, de crescimento econômico sustentado e avanços sociais importantes, como a drástica redução da pobreza – vive dias de conflagração, com 15 mortos, toque de recolher e forças armadas nas ruas. Continue lendo “Veias expostas”
A guerra fria de Bolsonaro
“Temos inimigos dentro e fora do Brasil. Os de dentro são os mais terríveis.” Foi com esse espírito que o presidente Jair Bolsonaro participou de cerimônias no Rio de Janeiro e em São Paulo na última sexta-feira. No sábado foi a vez de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, se manifestar durante a 1ª edição do CPAC, uma conferência organizada em parceria com a União Conservadora Americana, com críticas à mídia e ao “domínio cultural marxista”. Continue lendo “A guerra fria de Bolsonaro”
A revolução cultural do bolsonarismo
A cultura é um campo permanente de batalha do bolsonarismo. O próprio presidente confessa que “pretende conservar os valores cristãos no setor”, eufemismo que significa censura e retrocesso, o que já vem sendo praticado nas ações culturais e patrocínios que envolvem a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Jair Bolsonaro admite ainda uma caça às bruxas na Funarte e na Ancine, para expurgar petistas que, segundo ele, infestam os dois órgãos. Continue lendo “A revolução cultural do bolsonarismo”
Yankees, go home!
Até o início dos anos 70 predominava na esquerda brasileira uma narrativa na qual o atraso do Brasil era atribuído à exploração do imperialismo norte-americano, em conluio com os latifundiários e a burguesia urbana, todos entreguistas. Seriam eles os responsáveis por nossas mazelas e obstáculos ao progresso do país. Continue lendo “Yankees, go home!”
Não há planeta B
No final de sua vida o escritor e poeta Ferreira Gullar dizia ser preciso reinventar a utopia. Sem ela a humanidade perdia sentido e a vida seria um tédio. Continue lendo “Não há planeta B”
Não há lulismo sem Lula
Rui Costa ascendeu na política à sombra do senador Jaques Wagner e como seu fiel escudeiro. Os dois fazem jogo combinado e assim devem ser interpretadas as “heresias” ditas pelo governador da Bahia em sua entrevista à revista Veja. Continue lendo “Não há lulismo sem Lula”
Temer tem números a apresentar
Sim, Michel Temer foi o primeiro presidente denunciado por suspeita de corrupção em pleno exercício do mandato.
Sim, chegou ao fim de seu governo com altíssimo nível de desaprovação. Continue lendo “Temer tem números a apresentar”
Positivismo tosco
A idéia da necessidade de um regime autoritário para servir de alavanca para o progresso está nas raízes da fundação da nossa República. Antes mesmo de sua proclamação, o caudilho gaúcho Julio de Castilhos propugnava que o governante deveria ser escolhido por qualidades morais e não pela representação popular. Entendia que esse governante deveria regenerar o Estado e comandar a modernização da sociedade. Continue lendo “Positivismo tosco”
Os limites do bolsonarismo
A vitória de Jair Bolsonaro foi vista por muitos como o início de um novo ciclo de longa direção, em sintonia com a onda nacional-populista que varre o mundo. Um dos líderes petistas, José Dirceu, com boa dose de realismo, alertou seu partido quanto à longevidade da hegemonia da extrema-direita estabelecida com a assunção do bolsonarismo. Continue lendo “Os limites do bolsonarismo”
Alberto Goldman, um artesão da unidade
A era de Aquário tinha ficado para trás. O Brasil vivia o clima do ame-o ou deixe-o do governo Médici. O “milagre econômico” entorpecia a classe média e parcelas de trabalhadores que passavam a ter acesso a bens duráveis. A ditadura vivia o seu período mais truculento, enquanto a esquerda armada, com suas ações de assalto a banco e sequestros, se isolava da sociedade. A desarticulação política se espraiava, com vários setores aderindo à tese do voto nulo para as eleições de 1970. Continue lendo “Alberto Goldman, um artesão da unidade”
Mais cooperação e diplomacia, menos beligerância
O resultado da reunião do G7 – grupo dos sete países mais desenvolvidos – abriu espaço para o Brasil virar o jogo a seu favor. Em vez de represálias, o grupo ofereceu ajuda ao Brasil e aos países da região, com vistas a colaborar na preservação da maior floresta tropical do mundo. A virada, no entanto, só se dará se o governo Bolsonaro mudar de mentalidade e de atitude na questão ambiental, em especial em relação à Amazônia. Continue lendo “Mais cooperação e diplomacia, menos beligerância”
A Terceira Lei de Newton
Até agora o nacional-populismo avançou livre, leve e solto no continente europeu, sem que houvesse uma reação na mesma direção, com a mesma intensidade e sentido contrário. Sim, a Terceira Lei de Newton vale também para a política e começa a aparecer na Europa, com o movimento de união de partidos de esquerda e de centro para evitar o avanço dos radicais da extrema direita. Continue lendo “A Terceira Lei de Newton”
