José Mário Branco

Foi paixão daquelas imediatas, à primeira vista (no caso, à primeira audição). Paixão forte, poderosa. Ouvia as canções de Zé Mário sem parar, de novo, de novo, e de novo de novo. A abertura do disco – ruídos de uma estação de trem, que se ligava à primeira música, “Cantiga para pedir dois tostões”. Continue lendo “José Mário Branco”

Zé Mário, qual é a tua, ó meu?

Para onde foi, para tão longe, o Zé Mário que hoje nos deixou? Estava eu sentado, em Luanda, nos meus 17 anos, e quem me mostrou o primeiro álbum dele foi o Carlos Brandão Lucas. O nosso grande patrão Carlos, o António Macedo, o Artur Neves e o Emílio Cosme tinham-me adoptado e metido no programa Equipa, da Emissora Católica de Angola. E puseram-me a ouvir, e a Luanda inteira, o “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Continue lendo “Zé Mário, qual é a tua, ó meu?”

O PT nunca errou e jamais errará

No século XI a Santa Madre Igreja publicou a obra Dictatus Papae sobre a infalibilidade papal. Em uma de suas passagens dizia “um papa nunca errou e nunca errará”. A doutrina foi oficialmente declarada como dogma, por Pio IX, em 1870, no Concílio Vaticano I, estendendo-a a todo episcopado pleno quando reunido em concílio ecumênico. Continue lendo “O PT nunca errou e jamais errará”

Para que não aconteça nunca mais

Por absoluta cegueira ideológica, por se achar um bravo Dom Quixote a lutar contra os moinhos de vento do “imperialismo ianque”, o PT boicotou durante duas décadas o projeto – apresentado durante o governo Fernando Henrique Cardoso – de um acordo com os Estados Unidos para o uso do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. Continue lendo “Para que não aconteça nunca mais”

Talvez Umberto Eco venha almoçar

O que é que separa cada um de nós, condoídos mortais, de Umberto Eco? Vejamos, juraria que Eco ia gostar de comer uma cabeça de garoupa grelhada no Verde Gaio, como a que os meus amigos Manolo Bello, Francisco Balsemão e Pedro Norton partilharam comigo com a promessa de repetirmos ainda por cumprir. Umberto Eco havia de se lamber e relamber com o fondue de mariscos e peixes do Go Juu, ao lado do editor amigo Guilherme Valente ou do mais cinéfilos dos cirurgiões, o meu camarada António Setúbal. Continue lendo “Talvez Umberto Eco venha almoçar”

A Terra é plana

A pizza chegada pelo delivery, posta à minha frente, me trouxe uma lembrança de tirar o apetite. Um bando de camaradas que recebesse a mesma encomenda se alegraria por ter à mesa um alimento com o formato da Terra! Sim, os terraplanistas acham que redonda é bola de futebol. A Terra é plana como… uma pizza. Continue lendo “A Terra é plana”

Depende de nós

Há exatos 10 anos escrevi o primeiro dos mais de 500 artigos publicados neste blog, o que me autoriza a cometer um texto em primeira pessoa, raríssimo entre meus escritos. Mesmo sendo uma otimista incorrigível, ao reler meus domingos desta década o sentimento predominante é o inverso. Continue lendo “Depende de nós”

Balas a esmo

Inventamos uma tremenda de uma mentira, a ‘bala perdida’. Quase todas as mortes no Rio são atribuídas a balas perdidas, o que é uma falácia. Não existem balas perdidas. Temos, sim, balas a esmo nesta cidade que já foi o orgulho do Brasil mas hoje é nossa maior vergonha. Continue lendo “Balas a esmo”

Ninguém é santo na Bolívia

O caos social e político da Bolívia que culminou na renúncia de Evo Morales diz de perto ao Brasil e a todos os países da América do Sul. Com ele a instabilidade política da região – que já era alarmante com as convulsões sociais do Chile, Equador e Peru – subiu vários graus. Continue lendo “Ninguém é santo na Bolívia”

O prodigioso peito de Jane Russell

Se o gordinho Arbuckle não tivesse violado a inocente Virgina Rappe, se o realizador e actor William Desmond Taylor não tivesse sido assassinado com um tiro nas costas por sabe-se lá quem, talvez o cinema americano nunca tivesse adormecido à sombra do Código Hays. Escândalos, tiros, drogas e violações atraíram as moscas da Imprensa cor-de-rosa e os mil gritos das ligas de decência sobre a Hollywood dos anos 20. Continue lendo “O prodigioso peito de Jane Russell”

Que dia!

Nos céus de Brasília, o susto: no momento em que Bolsonaro, todo pimpão, elogiava as medidas econômicas de seu governo, São Pedro comentou as palavras do capitão com um baita raio! Não foi um barulhinho, não. Foi um raio daqueles, assustador e eloquente! Continue lendo “Que dia!”