O vírus que abala o mundo

A semana começou com dias difíceis para a economia mundial. As principais bolsas do planeta sofreram quedas expressivas em decorrência direta do avanço do coronavírus na China. Não apenas as bolsas desabaram, mas também o preço de diversas commodities como minério, petróleo e carne bovina.  Continue lendo “O vírus que abala o mundo”

O Brasil abaixo de todos

Difícil achar quem não goste das listas de melhores e piores. Os filmes vencedores, livros e músicas imperdíveis, lugares para conhecer ou viver. Há rankings para tudo, bem feitos, fajutos, engraçados. E os muito sérios. Nesses, o Brasil perde feio. Neles – Pisa/OCDE, IDH/ONU, OMS/Violência, Transparência Internacional, Human Rights Watch -, os países líderes concentram energia na educação, e, na maioria deles (a única exceção é a China), em justiça e democracia. Um tripé cada vez mais distante do Brasil de hoje. Continue lendo “O Brasil abaixo de todos”

O Brasil aos olhos do repórter

Meus filhos resolveram que o pai deles vai ter reportagens suas publicadas em um e-book. Equipe de edição: Mônica, editora; Danilo, diagramador (é designer gráfico); e Paulo, apoio na preparação dos textos. Há apenas um detalhe. Mônica quer a notícia por trás da notícia. Como fiz para levantar os dados, o trabalho de campo…  Muito interessante. Continue lendo “O Brasil aos olhos do repórter”

Desafio para poucos

Em sua guerra contra o “marxismo cultural”, Jair Bolsonaro sempre dobrou a aposta quando se viu emparedado. Exemplo mais emblemático foi a substituição de Ricardo Vélez Rodrigues por Abraham Weintraub. Em todos os embates no interior do governo o presidente pendeu para seu núcleo ideólogico, como aconteceu nas quedas de Gustavo Bebianno e do general Santos Cruz. Essa rotina foi interrompida com a degola de Roberto Alvim da Secretaria da Cultura e sua substituição pela atriz Regina Duarte. Continue lendo “Desafio para poucos”

Ulisses ou Polifemo

Tenho um pingo de piedade por quem se monta na mesma verdade por toda a vida e nunca mais lhe sai de cima. Como Lady Godiva, a pureza a servir-lhes de nudez, Salazar e Cunhal tiveram a mesma equestre e unilateral relação com a verdade única e imutável. Mahershalalhashbaz Gilmore é um tipo de cavaleiro anti-salazarista e anti-cunhalista. O cavaleiro de uma só montada corre o risco de nunca saber se vai, quixotesco, em cima de um cavalo ou de um burro. Mahershalalhashbaz já montou o burro e o cavalo, e nem ele jura que tenha sido exactamente por essa ordem. Continue lendo “Ulisses ou Polifemo”

A utopia capitalista

Segundo Karl Marx, o capitalismo guia-se pela lógica implacável do lucro e a desigualdade é inerente ao modo de produção. O axioma marxista parece se confirmar diante do avanço da desigualdade no planeta, mas não responde às transformações em curso. E começa a surgir um capitalismo de partes interessadas (stakeholders) para um mundo coeso e sustentável. Esse será o tema do Fórum Econômico Mundial, a ser realizado na próxima semana. Continue lendo “A utopia capitalista”

A escola de samba do capitão

Como quem pode, pode, ele tem todo direito de decidir criar uma escola de samba para desfilar na avenida.  O carro principal teria a forma de um palanque, com um microfone que ele empunharia durante o desfile, não para cantar (embora, na empolgação pudesse fazê-lo), mas para falar. Continue lendo “A escola de samba do capitão”

Aleijados da cabeça ou do coração?

Quem é que daria um milhão de dólares para matar qualquer um de nós? Ninguém, em seu pleno juízo, claro. É o que pensa James Bond, quando um dos seus superiores o avisa de que uma organização sinistra oferece essa redonda soma pelo seu belo cadáver. “Mas quem é que pode querer matar-me?” E o boss responde-lhe: “Maridos ofendidos, chefs ultrajados, alfaiates humilhados, a lista é interminável.” Continue lendo “Aleijados da cabeça ou do coração?”

O Brasil tem muito a perder

O mundo vive hoje seu momento de maior tensão desde a crise dos mísseis de 1962. Estamos longe de uma terceira guerra mundial ou de um holocausto nuclear,  mas nem por isso devem-se subestimar as consequências do ataque americano responsável pelo assassinato do general Qassim Suleimani, segundo homem do regime iraniano. Continue lendo “O Brasil tem muito a perder”

E se não houvesse jornalista para ouvir o capitão?

Bolsonaro passa os olhos pelo clipping  com notícias  de jornais e encontra uma que o desagrada especialmente. “Esses jornalistas são uns ***”, xinga, enquanto dá um soco na mesa. Aquilo fica entalado na garganta, tem que despejar o quanto antes nos jornalistas que o esperam à saída do Palácio.

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O fantasma faleceu

Só se morre em parte. E nem falo dos gentis fantasmas que vinham de visita, nesse tempo em que os animais falavam e o mundo parecia ser simples. Seja pelo enterro de Shakespeare, autor branco e masculino, seja pelo fim do cinema clássico americano ou pelo insustentável aquecimento global, o fantasma faleceu. Continue lendo “O fantasma faleceu”