O papa apóstata

Só há um papa, Anthony Quinn. O cinema não é só melhor do que a vida, o cinema antecipa a vida. Em As Sandálias do Pescador, filme da minha infância, Quinn fundia a bondade de João XXIII com o intervencionismo de João Paulo II e com o generoso desassombro de Francisco. Quinn era um bispo libertado de um gulag soviético. Chega a papa e salva a humanidade de uma guerra nuclear. Ler Mais »

Tapera x gaiola

Este alquebrado correspondente de guerra dispensa luxos e só quer um lugar para descansar o esqueleto. Continuaria muito bem onde está, no velho casarão gasto, com árvores grandes que sombreiam o telhado. Mas vem a mulher, e diz: “A casa ficou grande”. “Ora”, replico, me fazendo de desentendido. “Está do mesmo tamanho que nós construímos.” Ler Mais »

Vem aí o caixa zero

Caixa oficial de campanha irrigado por propina, caixa dois com e sem propina, propina fora dos períodos eleitorais para garantir maioria parlamentar ou para comprar votações de interesse do pagante, propina para rechear bolsos de amigos, para satisfazer mimos. Sem meias palavras ou tergiversações, crimes. Ler Mais »

Aquilo aconteceu mesmo?

“As oportunidades são únicas”, conta Amir Klink, referindo-se a um evento por si presenciado nos primeiros dias quando chegou naquela imensidão glacial, quase desértica, da Antártida, para onde viajou sozinho em um veleiro:

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A mãe de todas as batalhas

Costuma-se chamar de mãe de todas as batalhas aquela determinante para o desfecho da guerra. Na batalha de Waterloo, os deuses da vitória sorriram para o Duque de Wellington, enquanto Napoleão amargou o fel da derrota. O mesmo aconteceu com os alemães em Verdun, na Primeira Guerra Mundial, e nas ruas de Stalingrado se deu a inflexão da Segunda, com a ruína de Hitler. Ler Mais »

Quem enfiou o Brasil no buraco

Neste Dia Internacional da Mulher, Dilma Rousseff publicou um vídeo em seu site oficial e distribuiu também um artigo, reproduzido pelos simpatizantes do lulo-petismo, como o site da revista Carta Capital, em que afirma que os governos do PT construíram “a mais ampla política para equidade de gênero, com interseções de raça e etnia, reconhecendo a diversidade entre as mulheres”. Ler Mais »

Fujam para Samarra!

Por onde anda a morte? Disfarçada no capachinho de Trump, na rasteira solidez de Putin? Que morte rumina na paz de cemitério da geringonça? A morte será ainda a velha morte, a senhora de branco que, contou ele, uma noite visitou Álvaro Cunhal e logo foi embora? Ou anda por aí a nova morte, a saltitar em discursos de género, em tiroteios niilistas? Será fracturante a nova morte? Ler Mais »

Os sem-punição

Em estado de escândalo permanente há mais de uma década, o Brasil parece exausto. Os cidadãos oscilam entre aplausos efusivos à Justiça e a absoluta descrença em punição, especialmente de acusados ilustres. Sentimento que nem a eficiência da Lava-Jato consegue alterar. Ler Mais »

De bobo o Bobo da Corte não tem nada

Estamos sempre associando os Bobos da Corte ao divertimento, às palhaçadas, às gargalhadas, ao prazer que davam ao rei com suas piadas e brincadeiras. Mas esse não era seu principal papel, segundo o grande filósofo do século XVI Erasmo de Rotterdam: o bobo era quem contava ao rei o que ninguém queria que o rei ficasse sabendo, ele era o espelho de todo o grotesco dos hábitos da Corte. Ler Mais »

O legado de Serra

Pode-se indagar se a rápida passagem do senador José Serra no Ministério das Relações Exteriores deixou um legado para o seu sucessor. A resposta é sim, se for considerada a brutal inflexão da política externa brasileira sob seu comando, quando comparada à política terceiro-mundista e ideologizada da era do lulo-petismo. Ler Mais »

Hollywood jamais agradou aos conservadores

Simpatizantes de Donald Trump – os que admitem abertamente, e também os mais envergonhados – vão seguramente dizer, como já começaram a dizer tão logo foi encerrada a 89ª festa de entrega dos Oscars, na madrugada desta segunda-feira, que Hollywood resolveu fazer discursos, comícios, em vez de show, e por isso deu aquele vexame histórico, nunca visto antes. Ler Mais »

As duas noites de um sonhador

Foi em 1973, em Lis­boa, onde vim estu­dar Direito, catorze anos depois de ter sido adop­tado por uma África que já só exis­tia em Hollywood e nas nos­sas ton­tas e amo­ro­sas cabe­ças colo­ni­ais. Ler Mais »

A democracia morre na escuridão

The Washington Post, um dos mais influentes jornais dos Estados Unidos e do mundo, com 140 anos de história, introduziu em seu site, na quarta-feira passada, a mensagem “Democracy Dies in Darkness”, que também estará estampada na versão impressa, abaixo de sua marca. Antecipou-se na compreensão do breu anunciado. Ler Mais »

As décadas passam, Joan Baez fica

Quando Joan Baez encontrou Bob Dylan, a terra tremeu, e talvez até seja possível dizer que a Terra nunca mais foi a mesma. Ler Mais »

Está melhorando (4)

Nesta semana houve uma má notícia para todos os que não torcem para que tudo dê errado no Brasil: a saída de José Serra do Ministério das Relações Exteriores, por motivos de saúde. Fará falta. Um dos homens públicos mais preparados deste país, fez belo trabalho à frente do Itamaraty nestes nove e meses e pouco de governo Temer, devolvendo a política externa à nação, depois de 13 anos e tanto em que ela foi usurpada pelo partido que ocupava a Presidência da República. Ler Mais »