Em defesa do pluralismo, do dissenso

Ao longo dos três últimos séculos, a humanidade conseguiu involuir daquele conceito iluminista de “Não concordo com uma só palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer” para a ditadura do pensamento majoritário que quer se fazer o único. Para o “Se você não pensa como nós, cale a boca e saia daqui antes que a gente te arrebente, seu fascista”. Ou seus sinônimos na direção oposta, tipo “Ali só tem comunista”, E exatamente nas universidades, que deveriam ser os templos da liberdade de pensamento e expressão.

O fenômeno horripilante aconteceu nas boas universidades dos Estados Unidos, e de lá se espalhou. No Brasil, há anos vêm acontecendo episódios escabrosos de perseguição a quem ousa discordar das teses dominantes no meio acadêmico.

Felizmente, felizmentissimamente, um grupo de professores e pesquisadores se reuniu em abril no MariAntonia, o Centro Universitário da USP, no icônico prédio da Faculdade de Filosofia, no centro de São Paulo, e elaborou um manifesto em defesa do pluralismo, do dissenso e da liberdade acadêmica, O manifesto, aberto para leitura e eventual adesão no endereço www.pluralismoacademico.org, vem recebendo o apoio de considerável número de professores universitários.

Felizmente, felizmentissimamente, o movimento tem tido excelente repercussão na imprensa. Na quarta-feira, 6/5, cinco professores publicaram em O Globo um excelente artigo, “Proteção ao dissenso nas universidades”. Dois dias depois, na sexta, 8/5, Paulo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas na USP, publicou artigo também no Globo, “Um movimento para reformar a universidade, e O Estado de S. Paulo elogiou a iniciativa corajosa dos professores em editorial, “Um grito de socorro pelas universidades”. E, no domingo, 10/5, O Globo engrossou o coro em editorial, “Pluralismo é crítico para as universidades”.

Todos os títulos falam em universidades, e isso está correto, é claro, porque o alvo específico do movimento é o ambiente universitário – mas na verdade se trata da sociedade como um todo.

Sem dissenso, sem pluralismo, sem liberdade de expressão não há democracia.

Eterno compilador de textos que considero importantes, eu não fazia compilações há algum tempinho. Mas não poderia deixar passar essa oportunidade. Seguem-se aí abaixo os dois artigos e os dois editoriais. São documentos históricos. (Sérgio Vaz)

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É preciso proteger o dissenso nas universidades

Por Waldomiro J. Silva Filho, Kelly Prudencio, Marcio Moretto Ribeiro, Pedro Damazio Franco e Verônica Toste Daflon (*), O Globo, 6/5/2026

Após anos de expansão e consolidação, as universidades públicas enfrentam uma crise de financiamento, desconfiança social e declínio da liberdade acadêmica. Tradicionalmente centros de excelência, diversidade, ciência e debate sobre grandes questões nacionais, os campi têm sido impactados por mudanças políticas e sociais.

Segundo pesquisas da More in Common e do Instituto Sivis, mais da metade dos brasileiros desconfia das universidades, vendo nelas mais “ideologia” que ensino de qualidade, e metade dos universitários se autocensura por temer represálias de colegas e professores. O sentimento atinge todo o espectro político, incluindo eleitores de Lula.

A universidade só preserva seu prestígio quando é território livre para a discordância construtiva. Converter o dissenso em crime induz à autocensura e à estagnação do conhecimento. Sem pluralismo e dissenso, ele se torna dogmático, autorreferencial e incapaz de explicar a realidade.

Pesquisadores da Sociologia da UFF revelaram um padrão alarmante de escalada de conflitos nessas instituições. Entre os casos catalogados, há eventos e palestrantes boicotados por gritos e coação física, e docentes submetidos a exposição pública por escolhas teóricas. Os registros abrangem desde um professor cuja sala foi depredada até docentes nomeados em listas de “banimento” circuladas por centros acadêmicos, movimentos sociais ou políticos eleitos.

Há casos de pichações com calúnias e ameaças de morte contra professores, docente escoltado pela polícia sob chuva de cuspe dos alunos, professor agredido com socos e pontapés e diretora de faculdade humilhada com cusparada no rosto. A intolerância não poupa os estudantes, perseguidos seja por declarar voto na direita ou por causa de postagens em redes sociais.

Em geral, a comunidade acadêmica tem optado pelo silêncio, pois o custo de denunciar é alto. As respostas institucionais são vacilantes. Salvo exceções, há uma assimetria: embora os ataques possam vir da esquerda ou da direita, quando as investidas vêm de atores da direita, a resposta costuma ser rápida e garantista; quando vêm da esquerda, é claudicante ou até legitimadora dessas práticas.

Muitas gestões têm esquecido seu dever de proteger docentes, discentes e técnicos de perseguições. Algumas emitem condenações sumárias na forma de “notas de repúdio” contra membros da própria comunidade. Ou abrem processos administrativos só para aplacar o clamor público. A boa conduta institucional depende, muitas vezes, da coragem individual dos dirigentes.

Diante desse cenário, um grupo de professores e pesquisadores se reuniu em abril no MariAntonia, USP, para discutir esses temas. O grupo elaborou um manifesto — que pode ser lido e assinado — propondo três direções:

Neutralidade Institucional: A universidade deve ser um fórum plural e não deve adotar posições oficiais sobre questões políticas ou ideológicas. Quando a reitoria emite uma “opinião da universidade”, cria uma ortodoxia e sinaliza aos dissidentes que não são bem-vindos. A neutralidade deve ser a regra, a menos que a liberdade acadêmica ou a autonomia universitária estejam sob risco.

Pluralismo: Ensino e pesquisa devem refletir a diversidade do pensamento humano. Isso significa evitar apenas uma visão de mundo e estimular o ensino das controvérsias e dos críticos mais qualificados de cada teoria. Ensinar obras influentes sem apresentar críticas qualificadas priva os alunos do exercício do pensamento crítico.

Proteção ao dissenso: Precisamos de regras claras que diferenciem o direito legítimo ao protesto da prática ilegítima de impedir a fala alheia. Grupos barulhentos não podem deter poder de veto sobre quem é ouvido no campus, sobre conteúdos didáticos das aulas e sobre posições teóricas de docentes e discentes.

As administrações devem garantir os ritos, e não agir como tribunais de exceção. Qualquer denúncia deve passar por um processo isento, técnico e justo. A gestão deve garantir os direitos constitucionais de seus membros e convidados, mesmo sob pressão de grupos ou redes sociais.

A universidade é pública, e os cidadãos esperam ciência e excelência. Se não se reformar por dentro, o mundo político a reformará por fora. E, como mostra a experiência internacional, a intervenção pode ser danosa, via cortes orçamentários ou ações lesivas à autonomia universitária.

Recuperar a confiança da sociedade exige compromisso com o pluralismo e com a liberdade de discordar.

*Kelly Prudencio é professora da Universidade Federal do Paraná, Marcio Moretto Ribeiro é professor da Universidade de São Paulo, Pedro Damazio Franco é doutorando na Universidade Columbia, Verônica Toste Daflon é professora da Universidade Federal Fluminense, Waldomiro J. Silva Filho é professor da Universidade Federal da Bahia

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Um manifesto para reformar a universidade

Por Pablo Ortellado, O Globo, 8/5/2026

Um grupo de professores lançou nesta semana um manifesto em defesa do pluralismo, da neutralidade institucional e da liberdade acadêmica nas universidades brasileiras. O manifesto busca enfrentar o cerceamento à liberdade acadêmica que se tornou rotineiro nas instituições.

Em maio de 2021, o reitor da UFPB desligou a TV UFPB do programa Univerciência, uma rede de universidades e emissoras públicas nordestinas. A decisão ocorreu após professores, no lançamento do programa, terem criticado a falta de investimento nas universidades e homenageado Paulo Freire. O reitor justificou o desligamento alegando “falta de afinidade” com as pautas e os trabalhos desenvolvidos.

Em fevereiro de 2023, estudantes da Faculdade de Direito da USP organizaram um abaixo-assinado para tentar impedir o retorno de Janaina Paschoal ao cargo de professora, após um período exercendo o mandato de deputada estadual. Os alunos disseram que ela não era mais “bem-vinda” à faculdade e a classificaram como persona non grata, alegando que sua atuação política era incompatível com os valores democráticos da instituição.

Em maio de 2025, a direção do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde do Mackenzie interveio na programação da Semana de Psicologia organizada pelos estudantes. A instituição proibiu termos que considerou sensíveis nos títulos das mesas, desconvidou debatedores e impôs a mediação de professores. Pelo menos uma apresentação com temática LGBT+ foi proibida.

Em outubro de 2025, um seminário na USP sobre mulheres em situação de vulnerabilidade foi interrompido após movimentos sociais e diretórios estudantis protestarem contra a presença de entidades que congregam comunidades terapêuticas, acusadas de maus-tratos. A interrupção aconteceu depois de manifestantes intimidarem participantes e destruírem mesas e materiais na porta do auditório.

Os casos são muito mais numerosos: pesquisadores da Sociologia da UFF identificaram mais de uma centena nos últimos anos (os exemplos citados aqui vêm de uma prévia desse estudo). A universidade tem deixado de acreditar que temas difíceis e controversos devem ser enfrentados com investigação rigorosa, evidências empíricas e análise ponderada. Vamos, pouco a pouco, nos acostumando a conviver com censura e intimidação movidos pelo sentimento de fazer justiça.

A comunidade acadêmica está perdendo a liberdade de debater, ensinar e pesquisar. Segundo pesquisa do Instituto Sivis, quase metade (48%) dos estudantes de ensino superior brasileiro afirma já ter se autocensurado em sala de aula. Para o público, a universidade — sobretudo a universidade pública — vai se tornando não mais um lugar de formação profissional e pesquisa de excelência, mas de militância. Segundo pesquisa da More in Common, 59% dos brasileiros confiam pouco ou não confiam na universidade pública, e 54% acreditam que a universidade pública promove mais ideologia do que ensino de qualidade.

Nossas universidades têm feito pouco para proteger a liberdade acadêmica. Muitas vezes, as instituições alegam questões de segurança para cancelar eventos que deveriam ser protegidos do assédio de quem quer impedir o debate. Não é suficiente a direção não se somar aos censores, ela precisa ativamente defender a liberdade de debater e ensinar. Também precisa preservar a neutralidade institucional. Se autoriza palestras de políticos de esquerda, precisa autorizar palestras de políticos de direita — e vice-versa. Da mesma forma, deve evitar posicionamentos sobre temas controversos que sinalizem a existência de uma ortodoxia oficial.

É preciso mudar nossa cultura institucional e orientá-la ao pluralismo de perspectivas. Nas ciências sociais e nas humanidades, precisamos nos esforçar para incorporar ao currículo perspectivas liberais e conservadoras que fazem parte do cânone das disciplinas. Em certas áreas da administração, da economia e do Direito, perspectivas progressistas estão ausentes ou sub-representadas.

A pluralidade contribui para um ambiente epistemologicamente saudável. A formação dos estudantes se enriquece quando exposta a perspectivas plurais, porque o confronto entre abordagens distantes permite identificar pressupostos, vieses e erros que tendem a passar despercebidos dentro de um mesmo horizonte intelectual.

Nos últimos anos, temos visto muitas críticas vindas de fora da universidade. Agora, começa a surgir um movimento de reforma vindo de dentro. Nas primeiras 24 horas após o lançamento do manifesto, assinaram o texto 350 docentes de 94 instituições, de 24 estados brasileiros. Parece que podemos começar a vislumbrar uma universidade onde as divergências não são mais enfrentadas com intimidação e hostilidade, mas pelo confronto estimulante de ideias.

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Um grito de socorro pelas universidades

O Estado de S. Paulo, 8/5/2026

Um grupo de professores lançou o manifesto Em defesa do pluralismo e da liberdade acadêmica. É uma reação a um ambiente de “conformidade ideológica, autocensura e intolerância”, em que “eventos são cancelados ou interrompidos, aulas são boicotadas, participantes são intimidados e expostos”, comprometendo “a legitimidade pública da universidade e as próprias condições de produção de conhecimento”.

Desde a Academia de Platão, passando pelas universidades medievais, a pesquisa e o ensino só prosperaram em ambientes de confronto intelectual. O conhecimento amadurece quando hipóteses rivais colidem e argumentos são macerados pelo escrutínio. Se essa dinâmica cede lugar ao constrangimento, a investigação perde fôlego, e o ensino, densidade.

Mas hoje a composição ideológica nas humanidades é estreita. Uma pesquisa na USP e na UFBA identificou que 93% dos professores de História e 73% dos de Direito são de esquerda. Além disso, 61% dos docentes já evitaram temas controversos e 35% deixaram de convidar palestrantes por medo de represália. Quase metade dos estudantes pratica autocensura. Não é necessário um tribunal para produzir punição quando reprovações moralistas substituem o exame de argumentos e a chantagem reputacional se antecipa a qualquer instância formal.

A universidade, que ajudou a dissolver ortodoxias esclerosadas, forjou novas. A militância progressista interpreta todo discurso como “relação de poder”; desconfia do pluralismo como mecanismo de perpetuação de “opressões”, substitui disputas racionais por gestões morais e usa cancelamentos e linchamentos virtuais para disciplinar dissidentes. Numa ironia involuntária, mimetiza velhas ferramentas confessionais: proselitismo, heresias, blasfêmias, dogmas, penitências públicas. Os novos fariseus e zelotas podem vestir a linguagem emancipatória da inclusão social ou racial e, ainda assim, excluir brutalmente ideias e convicções.

Na pesquisa, hipóteses são descartadas por consensos ideológicos. No ensino, o currículo é homogeneizado, o cânone é mutilado e escolas divergentes são obliteradas. O tumor não só sufoca a liberdade de expressão, como desintegra a capacidade de conhecer. Os universitários são despejados na vida civil imbuídos de uma libido para conformar a si e aos outros.

Previsivelmente, a pressão externa cresce, na forma de invectivas caricatas e projetos de intervenção. Cria-se um circuito de retroalimentação: patologias endógenas dão munição a ataques exógenos que reforçam reflexos paranoicos. As esquerdas iliberais colonizaram a academia e asfixiam sua liberdade; em retaliação, as direitas iliberais buscam sitiá-la e demoli-la. O câmpus, que deveria ser arena intelectual, virou trincheira política.

Instituições financiadas pelo público dependem de confiança pública. Mas ela está sendo pulverizada pela percepção de alheamento, alinhamento e intolerância. Segundo pesquisa da Quaest, 59% dos brasileiros confiam pouco ou nada na universidade pública, e 54% creem que ela promove mais ideologia do que ensino de qualidade. Menosprezar esse mal-estar como ressentimento obscurantista ou negar a doença só acelerará sua virulência.

O manifesto clama por três remédios. Primeiro, “neutralidade institucional”: universidades não devem adotar posições oficiais sobre temas políticos ou ideológicos, a menos que estejam em jogo os instrumentos de sua missão, como autonomia e financiamento. Segundo, “liberdade acadêmica”: universidades devem escudar docentes e discentes contra punições ou perseguições. O desconforto do contraditório não pode ser tratado como ofensa a ser eliminada. O teste de integridade é a proteção do dissidente, não do consenso. Terceiro, “pluralismo”: diversidade de ideias, doutrinas, autores e perspectivas. Isso não significa relativismo: o questionamento a consensos deve ser mediado pelo método científico e pela argumentação honesta.

Universidade é laboratório, não tribunal. A busca da verdade exige atrito, não anestesia. Onde ideias podem circular livremente e se chocar sem medo, a mentira é castrada e a verdade ganha músculo. Onde isso falta, sobra a unanimidade burra – e truculenta.

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Pluralismo é crítico para as universidades

Editorial, O Globo, 10/5/2026

Universidades deveriam ser espaços abertos ao pensamento livre, ao debate de ideias, à convivência entre diferentes visões políticas, ideológicas, religiosas ou de comportamento. Infelizmente, não é o que se tem visto no Brasil. Em vez de abrirem as portas a divergências e discussões produtivas, as instituições de ensino superior — em especial as públicas — têm se fechado como redutos de radicalismo, intolerância, censura e pensamento único. Por isso foi um sopro de sensatez o manifesto divulgado por um grupo de docentes e pesquisadores de diferentes partes do país em defesa do pluralismo e da liberdade acadêmica.

Manifestações e críticas são frequentes no ambiente universitário. Devem ser não apenas toleradas, mas encorajadas, desde que transcorram em clima pacífico e respeitoso. Não é o caso dos sucessivos episódios de cancelamento de eventos, abaixo-assinado contra professores e pesquisadores, boicote a aulas, campanhas sórdidas em redes sociais, intimidação a palestrantes e até agressão física. Está em xeque a própria essência da universidade: acolher todas as correntes de pensamento.

Um dos muitos episódios que ilustram a distorção foi o cerco à vereadora de São Paulo e ex-deputada estadual Janaina Paschoal. Em 2023, estudantes da USP fizeram um abaixo-assinado para tentar impedi-la de retornar como professora da Faculdade de Direito. Não por qualquer ressalva a currículo ou credenciais acadêmicas. Alegaram que a atuação política de Janaina — signatária do pedido de impeachment de Dilma Rousseff e apoiadora de Jair Bolsonaro em 2018 — era incompatível com os valores democráticos da instituição. Foi tratada como persona non grata — atitude inaceitável.

Alguns casos não ficaram só na intimidação. O advogado Jeffrey Chiquini e o vereador Guilherme Kilter foram impedidos de dar uma palestra sobre o Supremo na UFPR. Foram hostilizados e empurrados. Na Unesp, o professor Gabriel Cepaluni foi agredido por alunos no campus de Franca. Sob gritos de “racista” e “assediador”, levou socos e chutes, suas roupas foram rasgadas. Em 2016, na UFPI, o professor de filosofia Ramon Lima foi cercado por alunos do Centro de Ciências Humanas. Acusado de racismo e machismo, chegou a ficar trancado numa sala. Foi libertado sob proteção da polícia com colete à prova de balas. Os três casos são uma pequena parte da extensa pesquisa “Restrições à liberdade acadêmica”, realizada por UFF, USP e UFPR.

Não surpreende que a imagem da academia tenha derretido aos olhos da sociedade. Em 2025, 59% diziam confiar pouco ou não confiar em universidades públicas, segundo pesquisa da More in Common. Mais da metade (54%) acredita que promovem mais ideologia que ensino de qualidade. Para que recuperem a confiança e cumpram sua missão de formação e produção de conhecimento, dizem os autores do manifesto, é necessário que se comprometam com três aspectos fundamentais: neutralidade institucional, liberdade acadêmica e pluralismo.

Estudantes que intimidam, cancelam, boicotam e agridem quem discorda conspiram contra a democracia e a missão acadêmica. A responsabilidade cabe também às instituições. É preciso rechaçar o ativismo militante, garantir a liberdade e se esforçar para abrigar vozes divergentes. Só assim as universidades poderão ser palco do debate robusto de onde surgem as melhores ideias — e o melhor conhecimento.

11/5/2026

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