Bomba

O pacote de bondades do governo federal neste ano eleitoral só precisava de um lacinho de fita para ficar perfeito. E vieram dois lacinhos. Um foi o Trump recebê-lo com tapete vermelho na porta de entrada da Casa Branca, semana passada. Valeu um lacinho laranja. O outro veio agora, diretamente de seu até então principal adversário na disputa eleitoral. Valeu um lacinho vermelho. 

Talvez venham mais. Seu segundo maior adversário está enrolado até o pescoço com a venda de uma mineradora de terras raras de Goiás para uma empresa dos EUA. Daí deve vir um lacinho branco, a lembrar a farta cabeleira branca do pré-candidato goiano. 

Seu terceiro maior adversário entregou o Estado que governava até outro dia com uma dívida muito maior do que a recebida do seu antecessor. Fora ter aumentando em 300% o seu próprio salário no exercício do cargo. Daí deve vir um lacinho preto, com a recomendação de que o mineiro aprenda a conjugar o verbo Ouvir na primeira pessoa do presente do  indicativo. Eu ouço ou eu ovo? — ele vai para a segunda opção sem piscar. 

Mas o que me interessa agora é o segundo lacinho, vindo das mãos do filho 01 do condenado ora em prisão domiciliar. Eu pensava que só o pai tinha o prazer atávico de produzir provas contra si mesmo. Não é que o filhote também tem? 

Pois só pode ter sido por um tal prazer que pediu ao tal Vorcaro, na véspera de sua prisão, um ajutório para terminar o filme que tiveram a idéia de fazer sobre a vida de papai capitão. Vorcaro estava entalado no escândalo Master havia pelo menos oito meses. Isto não tem desculpa. Tanto que ele não nega — contrariando a regra da famiglia de negar, negar e negar até que a verdade seja massacrada pela mentira e desapareça. Não, o 01 dessa vez resolveu inovar. 

Diz que em 2024, quando a famiglia fez os contratos com Vorcaro para a produção do filme, não havia nada contra o banqueiro — que já fazia falcatruas mil por esse Brasil e caminhava a passos largos para a insolvência. Ocorre que às vésperas da prisão dele, em novembro de 2025, o galinheiro de Vorcaro já estava mais  sujo que banca de banana em fim de feira no Vale do Ribeira. A famiglia já tinha levado dele algumas dezenas de milhões de reais desde 2024, para o mesmo fim. E queria mais. 

Mas, ao que parece, a sujeira vai além das bancas de bananas e paus de galinheiro que estamos acostumados a ver. A intimidade dos dois é arrepiante: só faltaram beijinhos, a coroar declamações e juras de fidelidade eterna suspirados nos áudios que a Polícia Federal  flagrou no celular de Vorcaro. 

É essa proximidade, essa promiscuidade, essa vocação para o malfeito que instala no colo do 01 o artefato que faz tic-tac desde que anunciou sua pré-candidatura. 

Só faltava explodir. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado que esperava sentado a banda passar. 

13/5/2026

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *