Joan Baez Volume 1: uma trajetória luminosa

Há artistas que se reinventam ao longo das décadas – como, por exemplo, a tão boa atriz quanto boa cantora Marianne Faithfull, ou Bob Dylan, que Joan Baez abençoou e para quem abriu o caminho da fama, no início da carreira dele, quando ela já era a rainha, a madona de voz puríssima.

Joan Baez não precisa se reinventar.

Sua trajetória é uma luminosa linha reta – de uma coerência absolutamente ímpar, impressionante, fascinante. As modas chegam e vão embora, o gosto do respeitável público muda, modas antigas voltam, o mundo muda, volta atrás, muda de novo, mas a rota de sua vida permanece sempre na mesma direção. Se às vezes parece que o mundo não está mais prestando tanta atenção a Joan Baez, o problema é do mundo, não dela.

Uma das artistas mais importantes da história, ela está numa belíssima fase, beirando os 70 anos de idade, comemorando 50 anos de estrada – e quanta estrada! Neste ano de 2010, aos 69 anos recém-completados, foi uma das principais estrelas de um concerto na Casa Branca, patrocinado pela primeira-dama Michelle Obama; lotou o Coliseu de Lisboa e, num show de duas horas, emocionou a platéia ao cantar, “com pronúncia quase perfeita”, “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, a senha para a Revolução dos Cravos, que em 1974 derrubou a ditadura salazarista. Na Espanha, foi condecorada com a Ordem das Artes e das Letras, que vem se somar a diversas outras honrarias que já recebeu, como o título de Chevalier da Legion d’Honneur da França.

Em 2009, foi lançado em DVD (acompanhado de um CD) um bem cuidadíssimo documentário – Joan Baez – How Sweet the Sound – que passa em revista toda a sua trajetória, com imagens de apresentações e entrevistas ao longo de meio século, filmes caseiros de quando era garotinha, mais depoimentos de diversas figuras importantes e interessantes, como o reverendo Jesse Jackson, David Crosby, Roger McGuinn e, sim, é claro, ele, Bob Dylan.

Dois de seus discos mais recentes, Bowery Songs, ao vivo, de 2005, e Day After Tomorrow, de 2008, o 24º original gravado em estúdio, são dos melhores de sua imensa, fantástica, extraordinária, única carreira. Em seus últimos discos, tem regravado canções que cantava meio século atrás, ao lado de outras criadas por compositores que sequer haviam nascido quando ela, aos 21 anos de idade, foi capa da revista Time, no distante novembro de 1962 (reproduzida logo abaixo). Nas suas seguidas turnês pelo mundo, muitas vezes é acompanhada por artistas que poderiam ser seus filhos, ou até netos, e que aprenderam a cantar, e em boa medida a enxergar o mundo, com ela.

         Diversas fases, diversos estilos, os mesmos temas

Embora a maior parte das pessoas só consiga associar o nome de Joan Baez às canções folclóricas e “de protesto” do início dos anos 60, sua carreira teve diversas fases. Cantou folk songs, depois canções inspiradas na tradição folk criadas por seus contemporâneos – a geração que explodiu nos anos 60, Bob Dylan, Tim Hardin, Phil Ochs, Richard Fariña, Eric Andersen –, depois passou pelo country, fez pop da melhor qualidade, andou até pelos standards da grande canção americana, compôs ela própria dezenas de canções (belas, belas canções), recriou pérolas do rock e do pop do repertório dos Beatles, Rolling Stones, Simon & Garfunkel, Dire Straits, Peter Gabriel, Elvis Costello, Tom Waits, Jackson Browne, e, mais recentemente, apresentou músicas dos compositores mais jovens que seguiram seus passos – Tracy Chapman, Dar Williams, Eliza Gilkynson, Patty Griffin, Steve Earle, Natalie Merchant.

Cantou em inglês, em francês, em alemão, em espanhol, em português, em ídiche, em russo. Visitou e apresentou-se em todos os continentes, inclusive em países que a História aposentou, como a União Soviética, a Tchecoslováquia e o Vietnã do Norte; passou por Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Espanha, Portugal, França, Itália, Polônia, Nicarágua, Chile, Argentina, Brasil, Cambodja, Austrália, Canadá, Islândia, Israel, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Bósnia.

Passou por todas essas línguas, fases, estilos, mantendo uma trajetória sempre em linha reta, constante, soberbamente coerente. A forma tem muitas variações, mas os temas são sempre os mesmos – os velhos e básicos temas da procura da justiça, do respeito à dignidade das pessoas, do reconhecimento das disparidades, do direito a ser o contrário da maioria.

         Pela ordem: um ser humano, uma pacifista, uma cantora

Os temas de suas canções, ela transformou em temas de uma luta permanente, ao longo da vida inteira. O mesmo número de décadas que tem como cantora, Joan Baez tem também como ativista política. Ela é uma daquelas poucas personalidades admiráveis para quem o poema de Bertold Brecht se aplica com perfeição, como uma luva: “Há homens que lutam um dia, e são bons. Há outros que lutam um ano, e são melhores. Há os que lutam muitos anos, e são muito bons. Mas há os que lutam a vida inteira: esses são os imprescindíveis”. 

Começou pelo começo, pelo mais básico: a luta pelos direitos civis, pelo fim da segregação racial no seu país. E aí ela teve sorte, assim com também teve sorte a História: era a pessoa certa no lugar certo no momento certo. Esteve lado a lado com o reverendo Martin Luther King, a figura mais importante do movimento pelos direitos civis, em diversas ocasiões, de pequenas reuniões até a gigantesca marcha sobre Washington em agosto de 1963, que reuniu 250 mil pessoas – aquela em que o pastor pronunciou seu célebre discurso que começava com “Eu tenho um sonho”. Quem cantou, naquele dia memorável, o hino do movimento, “We Shall Overcome”, foi ela, e teria que ser ela: embora com apenas 22 anos, Joan Baez já era a grande voz do renascimento da música folk, “a rainha do folk”.

Ela cantaria de novo “We Shall Overcome” 47 anos mais tarde, no dia 9 de fevereiro de 2010, no Salão Leste da Casa Branca, no evento chamado “In Performance at the White House: A Celebration of Music from the Civil Rights Movement”, do qual participou também Bob Dylan, diante de uma seleta platéia de convidados do primeiro negro a ocupar a Presidência dos Estados Unidos. Em 47 anos, aquele país mudou demais, em várias coisas para melhor – e aquela celebração era exatamente uma homenagem a isso.

Quando as leis segregacionistas foram finalmente banidas, em 1964, durante a presidência de Lyndon B. Johnson, Joan Baez já estava na linha de frente da luta contra o envolvimento americano no Vietnã, e de apoio ao movimento do draft resistance, a resistência à convocação para o serviço militar obrigatório. Recusou-se a pagar, no imposto de renda, a percentagem referente aos gastos militares do governo federal. Foi presa algumas vezes pela participação nessas ações – nunca por muito tempo, é verdade. Era presa, passava algumas horas ou dias na cadeia, saía e, como diz David Crosby, dava uma passadinha em casa, tomava um banho, comia alguma coisa, e voltava para o local dos protestos. “É um tipo de coragem que você não vê todo dia”, constata Crosby, ele mesmo um batalhador – e vencedor – de uma dura luta contra as drogas.

Joan visitou o inimigo Vietnã do Norte em 1972, e estava em Hanói quando a capital sofreu um dos maiores bombardeios de toda a História; voltou de lá com gravações de sons, vozes de pessoas, ruídos de bombardeio, que depois botaria em disco, Where Are You Now, My Son? – um lado inteiro de um LP ocupado por uma colagem de barulhos. É um tipo de coragem que não se vê todo dia.

Casou-se em 1968 com um ativista, um dos líderes do movimento contra a guerra e o alistamento militar, David Harris, que foi condenado a três anos de prisão por sua atuação. O casamento resultaria em um documentário sobre a luta contra o alistamento militar, Carry it On, de 1970, um disco dela dedicado a ele, David’s Album, de 1969, uma belíssima canção escrita por ela, “A Song for David”, e no único filho dela, Gabriel, que hoje a acompanha em seus shows. Gabriel nasceu em 1969, quando o pai ainda estava preso. Em 1971, Joan e David se divorciaram.  

E nisso – com perdão pela breve tergiversação – a trajetória de Joan Baez a aproxima muito de outra grande artista americana, a atriz Jane Fonda. Como Joan, Jane visitou o Vietnã do Norte durante a guerra, o que lhe valeu o apelido de Hanoi Jane e o ódio da direita raivosa; e, como Joan, Jane também se casou com um ativista político e opositor da guerra do Vietnã, Tom Hayden. 

Joan Baez fundou ou participou da fundação de diversas entidades pela não-violência, em obediência aos princípios do Mahatma Gandhi e de Martin Luther King. Participou de todos os protestos possíveis e imagináveis contra a violação dos direitos humanos em ditaduras de todas as matizes ideológicas – União Soviética, Vietnã do Norte, Chile, Espanha, Cambodja. Em 1977, quando a ditadura de Franco ainda não havia sido derrubada, derrubou uma das proibições de décadas que vigoravam na Espanha, ao cantar na TV a banida “No Nos Moverán”. Visitou e se apresentou em campos de refugiados no Cambodja, na Tailândia. Esteve na Bratslávia quando os países do Leste europeu iniciavam a transição da ditadura comunista para a democracia. Cantou nas ruas de Sarajevo destroçada pela insana guerra racial nos Bálcãs.

Foi proibida de se apresentar em quatro países – a União Soviética e três nações latino-americanas que estavam então sob ditadura militar de direita, Argentina, Chile e Brasil. (No dia em que deveria se apresentar pela primeira vez em São Paulo, eu estava lá no Tuca, para escrever sobre o show para o Jornal da Tarde. Nunca fui um bom resenhista de shows, mas era ainda pior repórter, e fiz uma matéria bem fraquinha sobre a proibição da apresentação, anunciada na última hora, no teatro histórico da PUC já absolutamente lotado, na Rua Monte Alegre, nas Perdizes, o bairro onde moro há mais de 30 anos.)

Continua tão ativista política, em 2010, quanto era em 1962. Ao contrário de na música, em que passou por diferentes estilos, no ativismo ela não mudou nada – graças ao bom Deus. 

Mas a intenção aqui não é focalizar tanto a ativista política. Era preciso falar um pouco dela, é claro, porque não dá para falar de Joan Baez sem falar da ativista política, da pacifista. Mas meu foco principal é a música.

Numa entrevista coletiva no início dos anos 60, quando ela estava no auge da fama como “the queen of folk music”, disse ao bando de repórteres que, se era para botar rótulos nela, gostaria que o primeiro rótulo fosse “ser humano”. Em segundo lugar, viria o rótulo de “pacifista” e, em terceiro, o de “cantora folk”.

         Todo mundo seguia Elvis; ela seguia Harry Belafonte     

A história oficial diz que a garotinha Joan Chandos Baez tinha 15 anos de idade quando, pela primeira vez na vida, ouviu uma palestra sobre não-violência e direitos humanos proferida por um então jovem Martin Luther King, Jr., no ginásio em que estudava, em Palo Alto, na região da Baía de San Francisco, Califórnia. Foi também naquele mesmo ano de 1956 que ela comprou seu primeiro violão.

A história oficial a que me refiro é a cuidadosa e longa cronologia que consta do site oficial da artista, http://www.joanbaez.com/. Naturalmente, não está dito na cronologia quando foi que ela ouviu pela primeira vez Harry Belafonte cantar, mas foi bem cedo; nas entrevistas para o documentário How Sweet the Sound, ela diz que o primeiro disco a entrar em sua casa foi dele. A gravação que ela fez de “Scarlet Ribbons (for her hair)”, garotinha, aos 17 anos, em 1958, é uma cópia absolutamente fiel da gravação do extraordinário, fantástico, gigantesco Belafonte, um dos nomes mais sub-apreciados, menos reconhecidos da música popular de todos os tempos. Das poucas pessoas que conseguem ligar Belafonte a alguma coisa, hoje, provavelmente 9 de cada 10 dirão que foi um cantor de calipso, de ritmos caribenhos. Mas Harry Belafonte foi também – além de bom ator de cinema, e de ativista político das boas causas – um excelente cantor de folk songs.

Joan Baez ouvia os discos dele, na Califórnia, na segunda metade dos anos 1950. E, do outro lado do país, em Nova York, Bob Dylan faria sua primeira gravação profissional – conforme conta no seu livro Chronicles Volume One - tocando gaita em faixas do disco Midnight Special, do grande Belafonte, no iniciozinho dos anos 1960. Harry Belafonte deve ter sido o primeiro elo entre Joan e Dylan, antes que os dois viessem a se conhecer.

A gravação que ela fez de “Scarlet Ribbons” ficaria inédita, em forma oficial, até 1993, quando a Vanguard, sua primeira gravadora, lançou Joan Baez – Rare, Live & Classics, uma preciosa caixa de três CDs com gravações, como diz o título, raras, ao vivo e clássicas, feitas entre aquele distante 1958 e 1989. No encarte da caixa, em que comenta cada uma das 60 faixas, Joan conta a história da gravação de “Scarlet Ribbons”:

 “Quando eu tinha 17 anos e estava ainda no ginásio, dois caras chegaram pra mim e perguntaram: ‘Ei, garota, quer fazer um disco?’ (…) E então fomos para San Francisco. Gravei tudo o que eu sabia com um gigantesco violão Gibson emprestado. Eles mandaram aquilo para algumas gravadoras e as respostas chegaram. ‘Bem, ela tem uma voz boa, mas…’ E então eles (os tais dois caras) deixaram as fitas de lado e eu me esqueci delas, até 1984, quando recebi uma carta perguntando de que forma queria receber os royalties do meu novo lançamento.” (Com as fitas cassete gravadas em 1958, lançaram em 1984 um LP pirata chamado Joan Baez in San Francisco.) “Liguei para meu advogado e conseguimos impedir que o disco fosse distribuído.”

Essa pequena história do disco pirata com gravações feitas em 1958 por uma Joan Baez ginasiana é bastante reveladora de como eram feitas as coisas naquela época, e me fascina, mas a rigor é minudência, um detalhe.

O importante é compreender que, em 1958, quando Joan Baez tinha 17 anos, em Palo Alto, o que ela fazia era cantar canções tradicionais, canções folk, acompanhada ao violão, influenciada por Harry Belafonte, depois por Odetta, depois por Pete Seeger – na ordem que ela mesmo enumera em How Sweet the Sound.

         E depois muita gente a seguiu, gerações após gerações

É louco pensar que, apenas três, quatro anos depois disso, Joan Baez seria imitada por pelo menos três de cada dez jovens cantoras nos Estados Unidos. Hoje em dia, se a gente ouvir cantoras americanas mais jovens, que começaram a carreira depois de, digamos, 1980, veremos que boa parte delas ouviu Joan Baez, foi influenciada por ela. O AllMusic, maravilhoso site sobre música, enumera como influenciados por Joan Baez os seguintes artistas e grupos: Nanci Griffith, Emmylou Harris, Anne Murray, Leonard Cohen, June Tabor, Holly Near, Jefferson Airplane, Shawn Phillips, Ronee Blakley, Bessie Jones, Dar Williams, Kath Bloom, Linda Perhacs, Erica Pomerance, Heather Eatman, Rebecca Riots, SONiA, Jenny Bird, Lori McKenna, Todd Grant. Eu acrescentaria pelo menos as americanas Kate Wolf, Eliza Gilkinson e a dupla Indigo Girls, a irlandesa Mary Black e a galesa Mary Hopkin, que Paul McCartney descobriu e lançou em 1968.

Aproveito para reproduzir o começo da biografia dela no AllMusic, assinada por William Ruhlmann:

“A mais completa, perfeita cantora folk dos anos 1960, Joan Baez influenciou praticamente todos os aspectos da música popular numa carreira que ainda prossegue com força. Baez é possuidora de uma rara voz de soprano que, desde o final dos anos 50, ela tem posto a serviço da música folk e pop tanto quanto de uma variedade de causas políticas.”

E, já que transcrevi o AllMusic, reproduzo também parte do que diz o Rolling Stone Album Guide, a quarta edição do guia da revista que é sinônimo de rock e pop; o texto é assinado por Paul Evans:

“A importância musical e a política de Joan Baez são tão interpenetradas que fica difícil falar de seu impacto apenas em termos estéticos. Uma participante central na revolução cultural dos anos 60, ele emprestou credibilidade inteligente a idéias radicais; e não apenas fez com que suas versões perfeitamente enunciadas de canções de Bob Dylan e Tim Hardin ganhassem adeptos à nova música entre um público intelectualizado, como também sua casta – e às vezes difícil de suportar – seriedade fez com que a mensagem dessa música parecesse mais crítica e “legitimada”. Nos anos 70, bem depois de muitos de seus pares terem desistido da noção de música como mensagem, Baez perseverava. Na época do renascimento da consciência social, dos E.U.A. pela África, uma década depois, ela havia se tornado uma figura largamente ignorada, deixada de lado como fora de moda. Mas o subseqüente triunfo das cantoras de folk inteligentes, fortes, é testemunho, mesmo que indiretamente, da influência espiritual de Baez – Tracy Chapman e Sarah McLachlan são com toda certeza tão suas filhas psicológicas quanto são de Joni Mitchell.”

Eta textinho empolado, siô, esse do guia da Rolling Stone. Mas, se o tom é pretensamente acadêmico, o que ele diz é limpidamente correto – até mesmo quando fala que a década de 80 foi aquela em que Joan Baez esteve menos presente na cena americana. É bem verdade, até porque ela passou boa parte dos anos 80 excursionando pelo mundo, dando mais concertos na Europa que em seu país. (A foto acima de Joan e Dylan é provavelmente de 1963, ou início de 1964.)

O texto do guia – lançado em 2004, não pegando, portanto, os discos mais recentes e extraordinários da artista – termina assim:

“Não gerando interesse das gravadoras, Baez esteve ausente da cena no início dos anos 80. Quando finalmente retornou, contudo, seu trabalho havia ganhado em segurança. (…) De fato, sua carreira e estatura foram significativamente revividas nos anos 90, à medida em que uma nova audiência veio a apreciar não só a clareza de sua voz mas também a coragem de suas convicções.”  

Pretendo fazer um outro texto sobre a carreira de Joan Baez depois da fase gloriosa dos anos 60, a época em que ela foi mais badalada pelos meios de comunicação. Neste texto aqui, minha intenção é fazer apenas um primeiro capítulo, uma apresentação geral, um lidão, e chegar até o encontro dela com Bob Dylan. Então vou voltar, agora, para os primórdios.   

         Uma infância e adolescência de muitas mudanças de costa a costa

Nos primórdios, nos anos 50, a garotinha ginasiana fez, portanto, a opção pelo folk. Seria de se perguntar por quê. Por que ela preferiu o folk ao rock’n’roll, que era o que estava atraindo todos os jovens do mundo inteiro? Por que perseguir o estilo de Belafonte, depois o de Odetta, Pete Seeger, e não o de Elvis, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry?

Pode ter a ver com o fato de que, aos 17 anos, Joan Baez já era diferente da imensa maioria, já remava contra a corrente. Em quase tudo. Por exemplo: naquela época, eram comuns, nas escolas californianas, e certamente nas de outros Estados, exercícios, simulações de situação de bombardeio atômico pelos comunistas; tocavam-se sirenes, e a garotada tinha que correr para lugares pré-determinados, para escapar da bomba. Ainda em 1957, aos 16 anos, a garotinha Joan Baez recusou-se a participar da palhaçada – foi seu primeiro ato de resistência não-violenta. Saiu até notinha num jornal local – provavelmente foi a primeira vez que o nome Joan Baez foi publicado pela imprensa.

E ela teve todo o apoio da família. O que demonstra claramente que sua família não era o padrão do que se chamava na época de maioria silenciosa – a América conservadora, careta, anticomunista ao extremo, religiosa.

Não era mesmo.

Joan é o resultado da união de um mexicano com uma escocesa. O pai, Albert Vinicio Baez, era um cientista, formado em Física; a mãe, Joan Bridget Baez, era filha de um religioso – um ministro da Igreja Episcopal, liberal, intelectualizado. Albert e Joan tiveram três filhas: Pauline Thalia, nascida em 1939, em Orange, Nova Jersey; Joan Chandos, nascida a 9 de janeiro de 1941, em Staten Island, Nova York; e Mimi Margharita, nascida em 1945, em Stanford, na Califórnia. Os locais foram mencionados porque indicam um fato importante, marcante, na vida da família e na infância de Joan: “Não ficávamos em nenhum lugar por mais de quatro anos”, diria ela. O cientista Albert Baez tinha sempre boas propostas de emprego, e então a família estava constantemente se mudando. Como mostram os locais e datas acima, a família atravessou o país da Costa Leste até a Costa Oeste, entre o nascimento da primogênita e o da caçula. Em 1951, quando Joan estava com dez anos, a família se mudou para Bagdá, a capital do Iraque – foi o primeiro contato direto da garotinha com a miséria extrema. Após um ano, Albert trocou de emprego e a família se mudou de novo para a Califórnia.

No mesmo ano de 1958 em que Joan havia gravado em San Francisco as primeiras faixas do que viria a ser mais tarde um disco pirata, Albert Baez trocou o emprego em Stanford, Califórnia, por outro no hoje famosérrimo MIT, Massachussets Institute of Technology, em Cambridge, Massachussets. Antes de completar 17 anos, Joan havia feito duas travessias do país de costa a costa, e tido sua primeira experiência internacional.

Para uma criança, para uma adolescente, nunca morar no mesmo lugar por mais de quatro anos implica em não ter amigos, em não cultivar um círculo de amigos. Foi o caso dela. Ao chegar a Cambridge, aos 17 anos, a única grande amiga de Joan era sua irmã caçula, Mimi. Pauline, a mais velha, era fechada e mais distante; Joan e Mimi brincavam juntas o tempo todo, aprendiam a cantar juntas, cantavam e tocavam juntas para as visitas da família – como mostram diversas imagens de filmes caseiros recuperados no documentário How Sweet the Sound. (A foto acima é de 1963.)

Foi em Cambridge, na região de Boston, que Joan Baez começou a cantar em cafés freqüentados por estudantes universitários, no final de 1958, começo de 1959. Embora essas datas pareçam hoje muito distantes, quase pré-históricas, felizmente já havia gente fazendo gravações e filmes. O documentário traz várias imagens de uma Joan Baez adolescente cantando no Club 47, em Cambridge.

Voz maravilhosa, beleza, talento, força, coragem – é dom demais

Adolescente, aos 17 anos, era muito bonita, o longo cabelo negro, o rosto de belos traços, os olhos lindíssimos, radiantes, os dentes da frente um tanto de coelhinho, da Mônica dos quadrinhos – mas é impressionante como ela ficaria mais bela ainda, ao chegar aos 19, 20, 21 anos, e como se manteria incrivelmente bela ao longo de todas as décadas que viriam depois. Os cabelos longos seriam substituídos por um corte quase rente, mudariam de forma diversas vezes, mas em todos os estilos o que se vê nas fotos e nos filmes é o amadurecer de um rosto maravilhosamente belo. Aos 69, os cabelos agora de novo cortados curtos, quase inteiramente brancos, é uma senhora lindíssima, um porte altivo, elegante, com um gosto especial por roupas de cores fortes, echarpes, colares e pulseiras. Um leve toque hippie, cigano – ninguém canta acompanhando-se apenas ao violão para meio milhão de pessoas no festival de Woodstock impunemente.  

Mas então, aos 17, de rosto belo, encantador, tinha também aquela voz de soprano inconfundível, marcante, pristine, como os americanos gostam de dizer, e ela mesma, Joan, usa hoje em dia para definir seu próprio dom. Pristine: intacto, puro, não corrompido.

Se existe uma característica que Joan Baez não possui é a falsa modéstia. Quando o Criador distribuiu esse predicado bem hipócrita, ela estava muito longe dali. “Nasci bem dotada”, ela diz. E explica, com a limpidez de quem fala a verdade:  

“Posso falar de meus dons com pouca ou nenhuma modéstia, mas com uma tremenda gratidão, exatamente porque eles são dons, e não coisas que eu criei, ou ações das quais poderia me orgulhar. (A foto acima é, provavelmente, de 1964.)

“Meu maior dom, dado a mim por forças que misturam genética, ambiente, raça, ou ambição, é uma voz que canta. Meu segundo maior dom, sem o qual eu seria uma pessoa inteiramente diferente, com uma história inteiramente diferente para contar, é um desejo de compartilhar com os outros aquela voz, e as recompensas que ela me proporcionou.”

Credo, que belo texto, o dela.

Esses são os dois primeiros parágrafos de And a Voice to Sing With, a maravilhosa autobiografia que ela publicou originalmente em 1987, aos 46 anos de idade. (Antes, já havia escrito um outro relato autobiográfico, Daybreak, lançado em 1966; aos 25 anos, já tinha muito para contar.) 

Filha da mãe. Belíssima, com uma voz rara, das mais incríveis do nosso tempo, força, persistência, coragem, crenças corretas, e ainda por um cima um belo texto. Sim, ela nasceu bem dotada. E vive uma vida à altura de tantos dons que recebeu. (A foto abaixo é de 1965, da sessão que o fotógrafo Richard Avedon fez para a capa do disco Farewell, Angelina.)

O que, afinal, é o folk – e Deus escolhe a rainha

Isso aqui até que seria um bom fecho para este meu “Joan Baez volume 1”. Mas ficariam faltando alguns elementos. É preciso falar, ainda que rapidamente – até porque foi tudo muito rápido mesmo –, do início da carreira, e, para isso, falar um pouco do folk.

Vamos lá.

Para meu texto sobre os 40 anos de Bob Dylan, em maio de 1981, fiz esta tentativa de resumo sumário sobre o que é o folk:

“Folk – a música popular predominantemente branca do interior, mais do meio rural, a música folclórica herdada dos antepassados ingleses e irlandeses, a música tradicional passada oralmente de geração a geração.”

Definição curta, de quem tem pouco espaço em jornal. Não é muito fácil definir o que é folk song, folk music. Tudo bem, folk é povo, assim como volks é povo – o inglês é uma estranha língua que está tão perto do latim quanto do alemão. Se já é uma tarefa impossível definir o que seja povo, quanto mais música do povo, canção do povo.

The Folk Music Encyclopaedia, delícia de livro assinado por Kristin Baggelaar e Donald Milton, 1977, Omnibus Press, arrisca o seguinte:

“Existem basicamente duas escolas de pensamento quanto se trata de definir a folk music. Uma facção defende que a folk music é determinada por cercas características musicais, ou audíveis, que se submetem a um estilo ou forma. Outros argumentam que a folk music é um fenômeno sociológico ou cultural criado pelas pessoas de diferentes passados culturais, e consiste de canções derivadas de experiências reais da vida (canções de trabalho, canções religiosas, canções de protesto e amor) feitas pelo ‘povo’”.

Credo em cruz. Como é chata e vazia a linguagem acadêmica. Prefiro, sem falsa modéstia, a síntese que tentei fazer.

Basicamente, inicialmente, canções, baladas criadas na Inglaterra, na Escócia, na Irlanda, que foram levadas pelos colonizadores para a colônia britânica do outro lado do mar, e foram sendo passadas de geração em geração. As melodias foram recebendo novas letras, foram sendo suavemente modificadas; as letras de uma melodia foram sendo colocadas em outras.

Eram canções belas e tristes, com letras falando de dramas profundos, marcantes. Tem mais tragédia nas canções folk do que na Bíblia e em Shakespeare – e repito essa frase porque ela é minha mesmo. Há traições, amores desesperados, amores perversos, amores proibidos, foras-da-lei, ladrões, assassinos, juízes maus, execuções de inocentes, mulheres fatais que levam os homens a cometer crimes. Há relatos sobre infidelidades e traições na Corte dos reis ingleses, misturados a hinos religiosos sobre o Rio Jordão do profeta João Batista – e as folk songs falavam desses temas nos Estados Unidos da América dos anos 1950, e Joan Baez, aos 17 anos, cantava essas coisas todas para os estudantes freqüentadores dos cafés de Cambridge, Massachussets, em 1958, começo de 1959. (A foto acima é de um show no Central Park, em Nova York, em 1975, em comemoração ao fim da guerra do Vietnã.)

Alguns poucos exemplos: “Fala-se na cozinha e fala-se nos salões e fala-se até nos ouvidos da Rainha, e isso é o pior de tudo, que Mary Hamilton vai ter um filho do mais alto nobre” (“Mary Hamilton”);

“Não cante canções de amor, você vai acordar minha mãe; ela está dormindo bem aqui do meu lado, e na sua mão direita está uma adaga prateada. Ela diz que eu não posso ser sua noiva. Todos os homens são falsos, diz minha mãe; eles vão lhe contar mentiras más, sedutoras. No dia seguinte, vão cortejar outra, e abandonar você sozinha para suspirar e sofrer” (“Silver Dagger”);

“Se viver fosse uma coisa que o dinheiro pudesse comprar, então os ricos viveriam, e os pobres morreriam. Todos os meus sofrimentos, Senhor, vão acabar. (“All my trials”).

Essas três músicas estão em Joan Baez, o primeiro disco da artista, de 1960; ela voltaria a gravar “Silver Dagger” em 2005, no disco ao vivo Bowery Songs, que faz uma mistura perfeita de peças muito antigas de seu repertório com canções bem recentes, de compositores mais jovens – aquela coisa da trajetória luminosamente reta, de coerência sem par, de que se falava no início deste texto.

Das 24 canções dos dois primeiros discos da artista, os de 1960 e 1961,  22 eram “de domínio público”, “tradicionais”, ou simplesmente “trad” – o folk puro. A partir do terceiro disco, Joan Baez in Concert, de 1962, ela passou a incluir também músicas de novos compositores que faziam canções no estilo da música folk.

Canções originais no estilo da música folk não eram propriamente uma novidade. Diversos compositores já as criavam fazia décadas; nos anos 30, um gênio, um artista maior, Woody Guthrie, já pegava melodias tradicionais, ou então novas melodias criadas a partir das antigas, e enfiava nelas letras novas, falando de temas bem mais atuais e próximos do chão do que a corte dos reis ingleses ou João Batista e o Rio Jordão, ou mesmo mães com adagas de prata à mão – falavam de desemprego, pobreza, patrões que impediam os trabalhadores de lutarem por seus direitos. Na esteira de Woody Guthrie vieram Cisco Houston, Leadbelly, sobretudo Pete Seeger, e, naquele início dos anos 60, acontecia nos Estados Unidos o que foi chamado de boom, explosão, ou revival, a volta da folk music – junto com as canções de domínio público, o folk puro, cantavam-se também as músicas de Guthrie, de Seeger, e de uma nova leva de compositores que começavam a surgir.

         Há coisas muito além da nossa vã filosofia, Horácio

Bem no início de sua carreira, Joan Baez se dedicou ao folk puro – mas rapidamente foi acrescentando a seu repertório as novas canções feitas seguindo a tradição do folk.

Como é possível que, nos primeiros anos, aquela adolescente linda, maravilhosa, criada em família nada careta, embora solitária, sem amigos a não ser sua irmã mais jovem, cantasse tão maravilhosamente bem esses dramas profundos, isso é coisa que não vou tentar entender. Não adianta tentar compreender o incompreensível – e a própria Joan Baez, numa canção de 1992, falaria sobre a impossibilidade de explicar música para os surdos, ou cor para os cegos, ou Deus para os homens.

Em 2008, Steve Earle escreveria para Joan Baez o que talvez seja o mais belo poema a respeito de Deus que eu conheça, a canção “God is God”. Mas isso é assunto para outro texto. Se tudo der certo e nada der errado, para o Joan Baez Volume 3.

Não há possibilidade de entender por que Joan Baez, aos 17 anos, conseguia não apenas cantar, mas interpretar com profundo sentimento aquelas canções malucamente tristes sobre dramas, tragédias pesadas. Seria como tentar definir Deus para os homens, ou a música para os surdos, ou a cor para os cegos.

David Crosby, o sujeito da harmonia vocal mais absurdamente fantástica que existe, o cara que fez a harmonia dos Byrds, e depois criou o supergrupo Crosby, Stills & Nash, que em seguida ganharia também o Young do canadense Neil, comentou agora, no final da primeira década do século XXI, que havia dezenas, centenas de moças cantando canções folk nos cafés próximos às universidades do país inteiro em 1958, muitas delas profundamente talentosas.

Centenas. Talvez milhares. Quem virou a rainha do folk foi Joan Baez.

Teria alguém melhor que ela? Sei lá – como é possível saber?

Talvez da mesma estatura dela, havia Judy Collins. Era dois anos mais velha que Joan, tinha (e ainda tem, graças a Deus) uma voz belíssima, extraordinária, singular. Tinha um absurdo bom gosto para escolher o repertório, uma antena à la Nara Leão – gravou Leonard Cohen e Jacques Brel antes de Joan. Nascida em 1941, Joan gravou seu primeiro disco em 1960; nascida em 1939, Judy gravou seu primeiro disco em 1961. Como Joan, é uma cantora maravilhosa, única.  (Diversas músicas seriam gravadas por uma e por outra – durante vários anos, suas carreiras tiveram vários pontos em comum. Joan gravaria com Judy e com a irmã Mimi uma maravilhosa canção de Donovan, Legend of a Girl Child Linda, em 1967 – um emocionante encontro de três vozes em uma música que Joan descreveria como “o flower power no que há nele de mais belo”.)

Como Joan Baez e Judy Collins, talvez houvesse algumas dezenas de cantoras lindas e de voz extraordinariamente lindas e de bom gosto e bem dotadas.

(E aqui até caberia lembrar da letra da música que seria o título do extraordinário disco de 2008 de Joan, Day After Tomorrow. Falando sobre dois países, dois povos em guerra, a canção questiona: “Me diga, como Deus escolhe? Que orações ele recusa?”)

Destino, azar, sorte, acaso, talento, magnetismo pessoal, carisma, disposição, força; quinhentas mil variáveis. Alguns são escolhidos, outros não. A escolhida foi Joan Baez. Foi ela que virou a rainha do folk. 

         Um fenômeno absoluto, rápido demais

Foi tudo rápido demais. Em 1958, ela fazia a high school em Palo Alto, e gravava uma fita em San Francisco. No mesmo ano, mudava-se para o outro lado do país, e cantava no Club 47, em Cambridge – assim como dezenas de outras jovens extremamente talentosas cantavam em cafés país afora. Em 1959, foi convidada para se apresentar no Newport Folk Festival, como convidada de um cantor – arrasou. Em 1960, voltou ao festival já para uma atuação solo. Em novembro do mesmo ano, fez seu primeiro concerto sozinha em um teatro de Nova York, e gravou seu primeiro disco, para a Vanguard.

Foi um fenômeno absoluto.

Na entrevista para o documentário How Sweet the Sound, a Joan Baez de quase 70 anos, linda, lindíssima, o rosto cheio de quase 70 anos de vida intensa, calmo como deveriam ser todos os rostos das pessoas que chegam aos 70 anos, suave, depois de tanta vida tão vivida, resume:

– E então, de repente, eu era a rainha do folk – bingo – assim de repente.

O pior, o melhor, o maior, o mais extraordinário ainda estava por vir. Daí a pouco Joan Baez conheceria Bob Dylan – e o encontro dos dois mudaria a música para sempre.

Mas isso é coisa para outro capítulo.

Se eu tiver fôlego.

Os outros textos sobre Joan Baez neste site:

Joan Baez Volume 2:  a ditadura põe o Brasil em seletíssima companhia

Dylan e Joan Baez cantam na Casa Branca as músicas que mudaram os EUA

São Paulo, fevereiro a abril de 2010

14 Comentários

  1. giba
    Postado em 04/04/2010 às 3:25 am | Permalink

    por favor voce poderia me informar se o documentário sobre Joan, ” how sweet the sound “foi lançado no Brasil? sabe como posso adquiri-lo?

  2. Postado em 04/04/2010 às 4:22 pm | Permalink

    Caro Giba, que eu saiba, o DVD “Joan Baez – How Sweet the Sound” ainda não foi lançado no Brasil. Já está à venda em lojas importadoras – comprei o meu exemplar na Compact Blue, maravilhosa loja da Rua Augusta, perto da Paulista, wwww.compactblue.com.br – e também nas lojas virtuais. Você certamente o encontrará no Submarino, ou no CD Point, ou na Fnac, ou na Livraria Cultura. É uma pena que ele não venha com legendas, sequer em inglês. Mas vale a pena mesmo assim.
    Boa sorte.

  3. Vivina Assis Viana
    Postado em 15/04/2010 às 1:20 am | Permalink

    Sérgio,

    comovente!

    Vivina.

  4. Postado em 06/05/2010 às 11:01 pm | Permalink

    Caro Sérgio Vaz

    Quero parabenizar o seu texto a respeito da
    cantora Joan Baez – o melhor que eu já li sobre a artista escrito em português.
    Infelizmente nunca tive a oprtunidade de assistir a um show da Joan – mas já tive o privilégio de assistir um show da saudosa Mercedes Sosa em que ela comentou sobre sua
    amizade com Joan e a cantou a canção que fizeram dueto na Europa em 1988. Também
    assisti aqui em Curitiba o concerto de Pete Seeger – um artista diretamente ligado a Joan. Tenho o documentário e a trilha How Sweet the Sound.
    Pena que uma artista da categoria de Joan, Judy Collins e outros da Folk sejam esquecidos pela mídia, ou talvez como diz a canção Christmas in Washington – é melhor que seja assim – sem o caos musical
    que reina nas paradas de rádio atualmente.

    Abraço
    Rogério Luiz

  5. Sérgio Vaz
    Postado em 15/05/2010 às 1:39 am | Permalink

    Pô, Rogério, não sei como agradecer a você pela sua mensagem e pelo seu elogio – que, é claro, me deixou muito feliz, mas que é exagerado…
    Delícia saber que há pessoas que admiram os mesmos artistas que a gente.
    E, cacilda, como você é rápido: eu conheci o How Sweet the Sound outro dia mesmo, e você já tinha. Que maravilha.
    Muito obrigado, e um abraço, Rogério.
    Sérgio

  6. Pedro Caldas
    Postado em 04/07/2010 às 11:44 pm | Permalink

    Parabéns Sérgio. Ainda sou dos brasileiros ressentidos por não ter o show de Baez em 81; torcia por isto, pois antes já vira Mercedes Sosa a POA , quando alunos do CPOR do Exército infiltrados no show apagaram a luz e soltaram gás lacrimogêneo na platéia do Gigantinho. Nunca esqueci o nome do ministro da Justiça: Abi-Ackel, um dos canalhas da época ditatorial. Estranho que o Suplicy que, conta-se, teria caído de amores por ela, nunca tenha movido uma palha para reparar essa vergonha. Segundo informação de nosso amigo Elomar, o carismático compositor baiano, Baez teria assistido a parte do espetáculo “ConSertão” (não recordo qual teatro), que além de Elomar tinha Paulo Moura, Heraldo do Monte e Arthur Moreira Lima. Elomar disse que ela foi levada aos camarins e apresentada a eles. Gde abraço.

  7. Rosemary
    Postado em 08/10/2010 às 10:31 pm | Permalink

    Caro Sérgio Vaz,
    Achei fantástico o seu texto. Sou super fã da Joan Baez e em muito pontos de seu texto compartilho suas impressões sobre ela.
    Gostaria de ler os outros volumes. Já foram escritos?

    Abraço

  8. Sérgio Vaz
    Postado em 09/10/2010 às 1:56 am | Permalink

    Oi, Rosemary.
    Muitíssimo obrigado por sua mensagem – e pelo elogio.
    Mas, embora envergonhado, tenho que confessar que ainda não escrevi os dois outros volumes que quero fazer sobre essa artista e pessoa extraordinária.
    Minha intenção é fazer um Volume 3 sobre ela e Dylan, o encontro dos dois, o relacionamento conturbado. Mas para isso gostaria de reler a autobiografia dela e um belo livro, “Positively 4th Street – The Lives and Times Joan Baez, Bob Dylan, Mimi Baez Fariña and Richard Fariña”. E, depois, um Volume 4 sobre a carreira dela dos anos 70 para cá. Vou precisar de tempo, fôlego e determinação…
    Um abraço, e, de novo, muito obrigado.
    Sérgio

  9. Gilson Cabral
    Postado em 14/06/2011 às 1:43 am | Permalink

    Linda mulher, linda cantora, vida maravilhosa, vitoriosa, bonito de se admirar, coisa gostosa, fiquei apaixonado de te escutar, acho até que pela moça Joan, canto bonito, canta que meus ouvidos gostaram, é esse tipo de coisa, ser humano , com sua beleza física, aliada ao seu talento musical, que faz a paixão aflorar , como é bom conhecer , ter a oportunidade de ver e ouvir, conviver com exemplos de boa postura, de trabalho, paixão, trato apurado na questão do cantar, de dizer pelo canto a mensagem da verdade, da utupia, do ideal, enfim , prá terminar, gostei e recomendo, parabéns, linda, que interpretação, show…

  10. cleide santos
    Postado em 08/12/2011 às 3:05 am | Permalink

    Amei ter encontrado musicas de Joan Baez. Parabéns a vcs que proporcionam aos seus usuários momentos alegres e cheios de esperanças quando encontramos musicas imortais como os grandes sucessos de Joan Baez. Há mais de 28 anos esperava por isso. Nunca tive a oportunidade de possuir um cd ou dvd dessa maravilhosa cantora. espero um dia encontrar para comprá-los, principalmente os mais antigos.

    Parabéns mais uma vez a vcs que se preocupam em postar, na internet, assuntos ou produtos
    interessantes e que nos ajudam, inclusive,no caso das músicas, a usá-las como texto em sala de aula.

    Valeu!

    Grata.
    Cleide de Manaus-Am.

  11. VERA MORGADO
    Postado em 02/01/2012 às 4:13 pm | Permalink

    Sou hoje quase sexagenária… mas tive a sorte de, numa escola pública “Eugenia Vilhena de Morais” em Ribeirão Preto, pelas mãos da minha mestra de Português Maria
    Aparecida Picão, conhecer a obra e arte de JOAN BAEZ no ano de 1964. Puro deleite. Delápra cá colecionei alguns LPs ( que não dou, vendo ou empresto), mas que já fazem a alegria do meu sobrinho de 16 anos. BAEZ é única,seja como ativista, como mulher, como cantora. Sinto apenas que nossos promotores de eventos nunca se lembrem de trazê-la até aqui. É certeza de casa cheia. Acompanhei sua turne por LISBOA e senti uma INVEJA danada dos irmãos portugueses, que puderem sorver um show que tenho certeza foi MAGNIFICO. MINHA REVERÊNCIA JOAN BAEZ!!!!!

  12. maria pastorinha
    Postado em 05/01/2012 às 12:19 am | Permalink

    tive a oportunidade de conhecer as musicas de JOAN BAEZ nos anos 80. eu era ainda adolescente e amava acordar de madrugada ao som dela.pena que quase nao encontro cds da artistas. tenho alguns vinis que nao gosto que sao nem tocados.amo, amo, amo!ELA E INCONFUNDIVEL!

  13. José Haroldo
    Postado em 09/07/2012 às 7:19 pm | Permalink

    Sérgio Vaz, parabéns pelo post, sobre a grande, eterna e sempre querida, JOAN BAEZ. Tempos vividos e nunca esquecidos, pela poesia, dureza critica, senso político-humanitário etc..etc.., nos versos de JOAN BAEZ. Pessoa ímpar em sua trajetória de vida.

  14. nathalia Julia
    Postado em 19/09/2014 às 10:10 pm | Permalink

    Maravilhoso! Quero parabenizar quem criou e quem leu essas maravilhosas “curiosidades”. Joan será sempre nossa rainha…

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