Elementar, meu caro Washington!

Sempre fui aficionada por histórias policiais, em especial as criadas pela imbatível Agatha Christie e pelo genial Georges Simenon. Agatha nos presenteou com Hercule Poirot e com Miss Marple e Simenon, com o comissário Maigret. E todos esses personagens deixaram lições e fizeram brotar uma semente de curiosidade em quem acompanha suas trajetórias.
Com eles, aprendi que uma cena ou uma foto publicada sempre revela algo mais do que aquilo que estamos vendo. Continue lendo “Elementar, meu caro Washington!”

Positivismo tosco

A idéia da necessidade de um regime autoritário para servir de alavanca para o progresso está nas raízes da fundação da nossa República. Antes mesmo de sua proclamação, o caudilho gaúcho Julio de Castilhos propugnava que o governante deveria ser escolhido por qualidades morais e não pela representação popular. Entendia que esse governante deveria regenerar o Estado e comandar a modernização da sociedade. Continue lendo “Positivismo tosco”

Capitães do atraso

Censura é algo inadmissível, abominável, execrável. Quem a determina imagina-se poderoso. Mas não raro acaba mordendo o rabo, provocando a divulgação maciça do que gostaria de banir do mapa. Uma saborosa vingança devidamente aplicada ao prefeito Marcelo Crivella, que mandou, sem sucesso, recolher o gibi Jovens Vingadores à venda na Bienal do Livro do Rio. Continue lendo “Capitães do atraso”

Ô tristeza!

Ô tristeza que dá ler as duas notas que mais se destacaram na semana.

A primeira vem do ministro da Educação Abraham Weintraub, que mandou um “bilete” pro Paulo Guedes pedindo mais dinheiro para o MEC, e arrasou no português. Continue lendo “Ô tristeza!”

Os limites do bolsonarismo

A vitória de Jair Bolsonaro foi vista por muitos como o início de um novo ciclo de longa direção, em sintonia com a onda nacional-populista que varre o mundo. Um dos líderes petistas, José Dirceu, com boa dose de realismo, alertou seu partido quanto à longevidade da hegemonia da extrema-direita estabelecida com a assunção do bolsonarismo. Continue lendo “Os limites do bolsonarismo”

Alberto Goldman, um artesão da unidade

A era de Aquário tinha ficado para trás. O Brasil vivia o clima do ame-o ou deixe-o do governo Médici. O “milagre econômico” entorpecia a classe média e parcelas de trabalhadores que passavam a ter acesso a bens duráveis. A ditadura vivia o seu período mais truculento, enquanto a esquerda armada, com suas ações de assalto a banco e sequestros, se isolava da sociedade. A desarticulação política se espraiava, com vários setores aderindo à tese do voto nulo para as eleições de 1970. Continue lendo “Alberto Goldman, um artesão da unidade”

Um erro perigoso, danoso, supremo

A decisão dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia de anular a sentença que condenou o ex-presidente da Petrobrás Adelmir Bendine por corrupção passiva e lavagem de dinheiro durante os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff deverá passar para a História como um dos erros mais crassos, mais absurdos e de potencial mais danoso para o país jamais cometidos pelo Poder Judiciário brasileiro. Continue lendo “Um erro perigoso, danoso, supremo”

Moro, patrimônio em chamas

Com um abraço cenográfico após afagos que culminaram na máxima “Moro é patrimônio nacional”, o presidente Jair Bolsonaro esforçou-se para parecer ter deixado de lado a beligerância que deflagrou há meses contra o seu ministro da Justiça. Isso se deu durante a cerimônia de lançamento do Em Frente Brasil, nome que já serviu a outros fins em outros governos e agora batiza o Programa Nacional de Enfrentamento à Criminalidade Violenta.  Continue lendo “Moro, patrimônio em chamas”

Batendo um papinho

Diz o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, mais conhecido como Beato Salu, que a Europa está decadente, culturalmente vazia, dominada pelo marxismo cultural. Infelizmente, há anos que não viajo para aqueles lados, o espaço mais bonito, mais inteligente e mais culto do mundo. Continue lendo “Batendo um papinho”

Gente finíssima

Eduardo Bolsonaro deu ontem, 29, mostras de seu preparo para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Washington, como papai quer. A eloquência de sua fala, em comentário sobre a Amazônia, não é exatamente a que se ouviria de um diplomata saído do Instituto Rio Branco. Também não é um primor do zelo que os embaixadores têm para, em conversa de alto nível, tentar resolver impasses e preservar a imagem de seus países. Continue lendo “Gente finíssima”

Pode Vir Quente Que Estou Fervendo!

“Se você quer brigar e acha que com isso estou sofrendo…”.

Esta semana, Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron resolveram pôr em prática a letra da música do Erasmo Carlos e pedradas foram atiradas sem dó nem piedade por ambos os lados, e, pior, sem a preocupação de que esse comportamento não combina com o de chefes de Estado. Continue lendo “Pode Vir Quente Que Estou Fervendo!”

Mais cooperação e diplomacia, menos beligerância

O resultado da reunião do G7 – grupo dos sete países mais desenvolvidos – abriu espaço para o Brasil virar o jogo a seu favor. Em vez de represálias, o grupo ofereceu ajuda ao Brasil e aos países da região, com vistas a colaborar na preservação da maior floresta tropical do mundo. A virada, no entanto, só se dará se o governo Bolsonaro mudar de mentalidade e de atitude na questão ambiental, em especial em relação à Amazônia. Continue lendo “Mais cooperação e diplomacia, menos beligerância”

Pobre soberania nacional

Cada sociedade deve resolver seus dilemas nacionais de forma autônoma, sem subordinação ou dependência. Mas não são poucos os governantes que vilipendiam a grandeza desse conceito, alegando ameaças à soberania da nação para esconder fatos, justificar erros, abusos e tiranias, reescrever a história e, de quebra, animar as tropas. Continue lendo “Pobre soberania nacional”