Ô tristeza!

Ô tristeza que dá ler as duas notas que mais se destacaram na semana.

A primeira vem do ministro da Educação Abraham Weintraub, que mandou um “bilete” pro Paulo Guedes pedindo mais dinheiro para o MEC, e arrasou no português.

No documento, Weintraub diz que as verbas para a educação em 2020 são insuficientes, com risco de “paralização” e que poderá ocorrer “suspenção” de pagamentos.

O ofício de cinco páginas não foi divulgado na íntegra, mas, pela amostragem, dá pra imaginar como seria um resumo do texto:

Ilustrícimo senhor ministro da Economia Paulo Gedes,

Venho pelo prezente, soliçitar que o senhor libere mais dinheiro para a pasta da Educassão, sob risco de alunos ficarem cem escolas e acabarem escrevendo como eu.

Cem mais, despesso-me mui atensiosamente!

Claro que, depois que virou motivo de chacota nas redes sociais, ele se defendeu e disse que não escreveu, mas leu e deixou passar: “Erros acontecem” disse ele.

É claro que acontecem senhor ministro, mas não deveriam. Especialmente na área da Educação!

A segunda nota vem de quem? Adivinhem! Só que essa não tem nada de engraçado!

A boquirrotice do nosso presidente têm revelado algo além de uma boca mole.
Tem confirmado o que já sabíamos. Jair Bolsonaro é um adepto de ditaduras, desde que sejam de direita, claro, e um adorador de torturadores.

Na última quarta-feira, em Genebra, a Comissária da ONU para Direitos Humano, Michelle Bachelet, perguntada sobre direitos humanos e democracia no Brasil, respondeu: “Nos últimos meses se observou uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrição ao trabalho da sociedade civil e ataques a instituições de ensino”.

Citou também aumento de violência policial em 2019.

O outro lá subiu nas tamancas e respondeu chutando o pau da barraca, com ataques explícitos ao pai da ex-presidente do Chile, torturado e morto durante o período de ditadura naquele país. Além de mandar ela ir caçar sapo, arrematou: “Se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 73, entre eles seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba”.

Então, seu Jair, como a ditadura de Pinochet não durou para sempre e como essa ditadura não era de esquerda, o Chile não virou uma Cuba. Ficou só na primeira sílaba da palavra, durante aquele tempo.

Foram 17 anos de repressão, com um saldo de milhares de prisioneiros torturados, mais de 3000 mortos ou desaparecidos e 200 mil chilenos levados ao exílio forçado, sem contar com a corrupção entre os generais que rolou solta, com a guarida do governo americano.

E é isso que nosso presidente aplaude.

OBS: essas duas notas vieram na ordem cronológica dos acontecimentos, mas a segunda deveria encabeçar não só meu texto mas como o de todos que prezam o bem maior de um cidadão, a liberdade!

Ditaduras, de direita ou de esquerda, aqui não, pirulão!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 6/9/2019. 

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