Não esqueço nunca o dia em que ouvi, pela primeira vez, o magistral “Vai Passar” de Chico Buarque. O ano: 1984. O Brasil nas mãos do último general-presidente, João Batista de Figueiredo. A emoção que a música despertou em mim foi imensa. Chorei muito. E sonhei muito. Continue lendo “De novo o sanatório geral”
Fetiche?
Dá pra chamar de fetiche uma fixação que a pessoa tem, mesmo que não seja de cunho sexual?
Porque eu acho que o que Fabrício Queiroz tem é uma espécie de fetiche. Continue lendo “Fetiche?”
Não é só o auxílio emergencial
Até meados de junho havia um sentimento generalizado de que o governo Bolsonaro marchava para uma crise terminal. Seu péssimo desempenho diante da pandemia, as demissões dos ministros Luiz Henrique Mandetta e Sérgio Moro, os conflitos com os outros dois poderes, a participação em atos antidemocráticos e a queda nas pesquisas davam a impressão de que o presidente estava à beira de um nocaute e o impeachment era apenas uma questão de tempo. Continue lendo “Não é só o auxílio emergencial”
O Capitão da Morte
No dia em que o Brasil chegou oficialmente a 100 mil mortos pela pandemia de Covid-19, os presidentes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal declararam luto oficial. Jair Bolsonaro, o presidente do outro poder, o Executivo, divulgou uma mensagem de parabéns ao Palmeiras pela conquista do Campeonato Paulista de futebol. Continue lendo “O Capitão da Morte”
Vergonha amazõnica
Defender-se acusando os críticos por danos idênticos ou piores dos que os seus é arma costumeira de quem não tem explicação para erros deliberados e escandalosos. Na política, o “todo mundo faz” é usual para amenizar delitos como caixa 2 ou a tal da “rachadinha”, apelido que ameniza a apropriação indébita de dinheiro público. Age-se como se o passado abonasse o crime presente e futuro. Continue lendo “Vergonha amazõnica”
Obrigado, Caetano
Nesta sexta-feira, às 9 e meia da noite, o Brasil do bem parou para ver a live do Caetano, a primeira que ele fez, no dia dos seus 78 anos, junto com os três filhos, Moreno, Tom e Zeca. Continue lendo “Obrigado, Caetano”
Hiroshima paira sobre nós
A morte caiu do céu sobre Hiroshima, às 8h45 de 6 de agosto de 1945. Do ventre do Enola Gay, um bombardeiro B-29, saiu o primeiro artefato nuclear usado em uma guerra. A bomba atômica tinha um nome inofensivo, Little Boy, mas era terrivelmente mortífera. Cento e quarenta mil pessoas perderam suas vidas em Hiroshima. Outras 70 mil morreriam dias depois, quando a segunda bomba estourou em Nagasaki. Mais 130 mil morreriam até 1950 em consequência da radiação. Continue lendo “Hiroshima paira sobre nós”
Que falta fez o analista em Bagé
Alguém aí tem uma dica para um coroa cair na balada? Esse sou eu, um trouxa que há três meses não põe o pé fora de casa (um apartamento), com medo de que o corona esteja espreitando para me pegar. Já pensei em tomar um simples cafezinho na padaria, mas me assustei com o obituário. No vacilo, deu bacilo. Continue lendo “Que falta fez o analista em Bagé”
Bicho-do-mofo
Seis meses depois de assumir a Presidência, Jair Bolsonaro desdisse o que pregara durante a campanha: disputaria o cargo novamente. Não é surpresa, portanto, vê-lo nos palanques, chapéu de couro em lombo de cavalo, inaugurando obras já inauguradas por antecessores. Mais complexa é a equação de sobrevivência que o levou a jogar no lixo, deliberadamente, um dos seus maiores trunfos eleitorais – a promessa de combate inflexível à corrupção. Continue lendo “Bicho-do-mofo”
Notícias do Arco da Velha
Passamos por um período horroroso, cruel, que nos faz sofrer muito. Difícil escapar da angústia, da tristeza. Dá vontade de não ler os jornais, queremos nos proteger de tanta dor. Mas fica na vontade, pois é impossível deixar de acompanhar o noticiário. Continue lendo “Notícias do Arco da Velha”
Sobre Bobos e Lobos!
De Ulysses a Maia
Desde os tempos de Ulysses Guimarães a Câmara de Deputados não tinha uma liderança que simbolizasse tanto a autonomia e a independência do Poder Legislativo como Rodrigo Maia. Paralelos entre o Senhor Diretas e o atual presidente da Câmara são perigosos porque são personalidades diferentes em contextos históricos totalmente distintos. Mas, como o saudoso Ulysses, Maia tem a habilidade, o gosto e o traquejo da grande política. Sabe como poucos movimentar suas peças e desnortear quem se opõe a seus planos. Continue lendo “De Ulysses a Maia”
O fake e a mentira
Com o chapéu alheio
A semana começa com a expectativa de que o Senado ratifique o novo Fundeb, tecido, negociado e aprovado pela Câmara dos Deputados a partir de consensos com educadores e gestores estaduais e municipais. Essencial para o financiamento do ensino básico, o Fundo foi tratado com absoluto descaso pelo Executivo, mas isso não impediu que o presidente Jair Bolsonaro se vangloriasse: “o governo conseguiu mais uma vitória”. Coroou-se com louros aos quais não faz jus. Continue lendo “Com o chapéu alheio”
A Casa da Mãe Joana
Sempre ouvi falar na Casa da Mãe Joana, mas foi só agora, durante esta tenebrosa pandemia, que fiquei sabendo seu endereço. Pois não é que ela fica no Brasil? Ou, para explicar melhor, não é que a Casa da Mãe Joana é o Brasil? Continue lendo “A Casa da Mãe Joana”



