Capitães do atraso

Censura é algo inadmissível, abominável, execrável. Quem a determina imagina-se poderoso. Mas não raro acaba mordendo o rabo, provocando a divulgação maciça do que gostaria de banir do mapa. Uma saborosa vingança devidamente aplicada ao prefeito Marcelo Crivella, que mandou, sem sucesso, recolher o gibi Jovens Vingadores à venda na Bienal do Livro do Rio. Continue lendo “Capitães do atraso”

Ô tristeza!

Ô tristeza que dá ler as duas notas que mais se destacaram na semana.

A primeira vem do ministro da Educação Abraham Weintraub, que mandou um “bilete” pro Paulo Guedes pedindo mais dinheiro para o MEC, e arrasou no português. Continue lendo “Ô tristeza!”

Os limites do bolsonarismo

A vitória de Jair Bolsonaro foi vista por muitos como o início de um novo ciclo de longa direção, em sintonia com a onda nacional-populista que varre o mundo. Um dos líderes petistas, José Dirceu, com boa dose de realismo, alertou seu partido quanto à longevidade da hegemonia da extrema-direita estabelecida com a assunção do bolsonarismo. Continue lendo “Os limites do bolsonarismo”

Alberto Goldman, um artesão da unidade

A era de Aquário tinha ficado para trás. O Brasil vivia o clima do ame-o ou deixe-o do governo Médici. O “milagre econômico” entorpecia a classe média e parcelas de trabalhadores que passavam a ter acesso a bens duráveis. A ditadura vivia o seu período mais truculento, enquanto a esquerda armada, com suas ações de assalto a banco e sequestros, se isolava da sociedade. A desarticulação política se espraiava, com vários setores aderindo à tese do voto nulo para as eleições de 1970. Continue lendo “Alberto Goldman, um artesão da unidade”

Um erro perigoso, danoso, supremo

A decisão dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia de anular a sentença que condenou o ex-presidente da Petrobrás Adelmir Bendine por corrupção passiva e lavagem de dinheiro durante os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff deverá passar para a História como um dos erros mais crassos, mais absurdos e de potencial mais danoso para o país jamais cometidos pelo Poder Judiciário brasileiro. Continue lendo “Um erro perigoso, danoso, supremo”

Moro, patrimônio em chamas

Com um abraço cenográfico após afagos que culminaram na máxima “Moro é patrimônio nacional”, o presidente Jair Bolsonaro esforçou-se para parecer ter deixado de lado a beligerância que deflagrou há meses contra o seu ministro da Justiça. Isso se deu durante a cerimônia de lançamento do Em Frente Brasil, nome que já serviu a outros fins em outros governos e agora batiza o Programa Nacional de Enfrentamento à Criminalidade Violenta.  Continue lendo “Moro, patrimônio em chamas”

Batendo um papinho

Diz o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, mais conhecido como Beato Salu, que a Europa está decadente, culturalmente vazia, dominada pelo marxismo cultural. Infelizmente, há anos que não viajo para aqueles lados, o espaço mais bonito, mais inteligente e mais culto do mundo. Continue lendo “Batendo um papinho”

Gente finíssima

Eduardo Bolsonaro deu ontem, 29, mostras de seu preparo para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Washington, como papai quer. A eloquência de sua fala, em comentário sobre a Amazônia, não é exatamente a que se ouviria de um diplomata saído do Instituto Rio Branco. Também não é um primor do zelo que os embaixadores têm para, em conversa de alto nível, tentar resolver impasses e preservar a imagem de seus países. Continue lendo “Gente finíssima”

Pode Vir Quente Que Estou Fervendo!

“Se você quer brigar e acha que com isso estou sofrendo…”.

Esta semana, Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron resolveram pôr em prática a letra da música do Erasmo Carlos e pedradas foram atiradas sem dó nem piedade por ambos os lados, e, pior, sem a preocupação de que esse comportamento não combina com o de chefes de Estado. Continue lendo “Pode Vir Quente Que Estou Fervendo!”

Mais cooperação e diplomacia, menos beligerância

O resultado da reunião do G7 – grupo dos sete países mais desenvolvidos – abriu espaço para o Brasil virar o jogo a seu favor. Em vez de represálias, o grupo ofereceu ajuda ao Brasil e aos países da região, com vistas a colaborar na preservação da maior floresta tropical do mundo. A virada, no entanto, só se dará se o governo Bolsonaro mudar de mentalidade e de atitude na questão ambiental, em especial em relação à Amazônia. Continue lendo “Mais cooperação e diplomacia, menos beligerância”

Pobre soberania nacional

Cada sociedade deve resolver seus dilemas nacionais de forma autônoma, sem subordinação ou dependência. Mas não são poucos os governantes que vilipendiam a grandeza desse conceito, alegando ameaças à soberania da nação para esconder fatos, justificar erros, abusos e tiranias, reescrever a história e, de quebra, animar as tropas. Continue lendo “Pobre soberania nacional”

É fogo!

É fogo 1!

Nesta semana, em meio a muito fogo, o presidente lança um fumacê sobre as ONGs da Amazônia, e uma enorme nuvem preta paira sobre os céus do Brasil, com repercussão internacional. Continue lendo “É fogo!”

A Terceira Lei de Newton

Até agora o nacional-populismo avançou livre, leve e solto no continente europeu, sem que houvesse uma reação na mesma direção, com a mesma intensidade e sentido contrário. Sim, a Terceira Lei de Newton vale também para a política e começa a aparecer na Europa, com o movimento de união de partidos de esquerda e de centro para evitar o avanço dos radicais da extrema direita. Continue lendo “A Terceira Lei de Newton”