Não dá para saber, é claro, se ele se lembra, mas houve uma vez em que Renato Teixeira deu um show para menos de 20 pessoas. Eu me lembro: estava lá. Eu, Regina, Fernanda, Inês. Fiquei chocado, apavorado, em pânico, morrendo de vergonha por ele. Renato Teixeira era um dos meus grandes ídolos havia já alguns tempo, e eu não conseguia admitir que aquele pesadelo estava acontecendo de fato. Continue lendo “O som de Renato e Almir é pura alegria”
Os Bossa Nova, privilégio puro
Que imenso privilégio ver, juntos, num palco – e no palco de uma maravilha de teatro, o Paulo Autran do Sesc Pinheiros, em São Paulo –, João Donato, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Marcos Valle. Continue lendo “Os Bossa Nova, privilégio puro”
Veja errou sobre Nara – e errou feio
A revista Veja desta semana afirma, na seção Veja essa, que “o clássico ‘O Barquinho’, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, foi eternizado na voz de Nara Leão”.
É uma afirmação errada. Continue lendo “Veja errou sobre Nara – e errou feio”
Marina e a música
Marina começou a ver o show dos Barbatuques absolutamente mesmerizada. É assim mesmo que ela fica diante de um desenho animado ou de show de música de que gosta, seja ao vivo, seja diante da TV: absolutamente mesmerizada. Marina tem uma capacidade de concentração que me impressiona desde sempre, e, quando ela está diante de algo que conhece, é de fato fantástico: ela abre aqueles olhões, fixa o que está vendo e nem sequer pisca. Continue lendo “Marina e a música”
Quem toca a bateria?
No mesmo dia em que a Cora Rónai, aquela arauta das modernidades, escreveu em O Globo mais um dos tantos obituários definitivos dos suportes físicos – livros, discos, LPs, CDs, DVDs, Blu-rays –, recebi uma mensagem do meu amigo e mestre Carmo Chagas perguntando quem toca a bateria em “Noite dos Mascarados” com Chico e Elis e quem toca a viola em “Felicidade (Felicidade foi embora)” com Caetano. Continue lendo “Quem toca a bateria?”
Belíssima Carly
Em 2005, o ano em que fez 60 anos, linda, forte, poderosa, após vencer um câncer, Carly Simon resolveu dar um tempo como compositora e fazer um disco só de covers, de canções dos outros. Gravou então Moonlight Serenade – como o nome indica, uma coletânea de clássicos, de standards da Grande Música Americana. Continue lendo “Belíssima Carly”
Mestre Antonio Candido
Em 1975, o ano em que nasceu minha filha, Antonio Candido escreveu:
“Adoniran Barbosa é um grande compositor e poeta popular, expressivo como poucos, mas não é Adoniran nem Barbosa, e sim João Rubinato, que adotou o nome de um amigo funcionário do Correio e o sobrenome de um compositor admirado. A idéia foi excelente, porque um artista inventa antes de mais nada a sua própria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu a realidade tão paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro das raízes européias. Adoniran Barbosa é um paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada pelas heranças necessárias de fora.”
Torto feito faca
Dizem que a vida imita a arte. No caso de Belchior, a constatação foi sempre um vaticínio. Basta um conhecimento mínimo de sua obra musical para que o exegeta encontre algum verso que tenha sido transformado em ação durante, logo ou após ter sido concebido e musicado. Continue lendo “Torto feito faca”
Belchior
Belchior não chegou sozinho ao palco da música brasileira. Bem ao contrário. Veio ao mesmo tempo que um bando de outros compositores e cantores: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Raimundo Fagner, Ednardo, Walter Franco, Gonzaguinha, Luiz Melodia. Continue lendo “Belchior”
As duas noites de um sonhador
Foi em 1973, em Lisboa, onde vim estudar Direito, catorze anos depois de ter sido adoptado por uma África que já só existia em Hollywood e nas nossas tontas e amorosas cabeças coloniais. Continue lendo “As duas noites de um sonhador”
As décadas passam, Joan Baez fica
Quando Joan Baez encontrou Bob Dylan, a terra tremeu, e talvez até seja possível dizer que a Terra nunca mais foi a mesma. Continue lendo “As décadas passam, Joan Baez fica”
Buddy Holly still goes on
Os Beatles gravaram Buddy Holly, copiando tudo, cada nota, cada toque da guitarra, cada som de cada palavra, em “Words of Love”. Os Everly Brothers começaram na mesma época de Buddy Holly, mas creio que nunca chegaram a gravar uma canção do garoto de Lubbock, Texas. Continue lendo “Buddy Holly still goes on”
Uma canção de amor e o Fla-Flu americano
Se aqui estamos nesta de Fla x Flu faz tempo, lá no Império do Norte também há a guerra do nós x eles. Agora no domingo, dia 5, tem o Super Bowl, o que para eles é como a final do Brasileirão. Vão se enfrentar Atlanta Falcons e New England Patriots, no espetáculo de maior ibope da TV mundial. Continue lendo “Uma canção de amor e o Fla-Flu americano”
Synésio
Nos anos 60, um grupo de ingênuos e inconsequentes amigos iniciou um empreendimento artístico com o nome de SYTA Produções, somando as duas primeiras sílabas dos dois principais fundadores, Synésio e Tadeu. Junto com amigos da mesma Rua Gabriel dos Santos e com colegas de escola, o Synésio liderou a turma na realização do 1º Festival de Música dos Bancários, vários festivais de música de escolas estaduais, Gincana Kibon, e outros eventos que ocuparam os principais teatros da cidade, como o Paulo Eiró, o João Caetano, o Arthur de Azevedo. Continue lendo “Synésio”
Canções, Natal, Marina
Quando Neil Young lançou After the Gold Rush, eu tinha 20 anos, dois de São Paulo. Era uma época de inícios: começava a trabalhar no Jornal da Tarde e, no começo do ano seguinte, começaria a namorar a menina mais especial do pedaço e a fazer Jornalismo na ECA. Nem me lembro por que, mas o LP e a canção que dá o nome a ele ficaran na minha cabeça com um gostinho de ECA, de juventude, de muito sonho à frente. Continue lendo “Canções, Natal, Marina”








