O António, digo eu a toda a gente que me quer ouvir,
é o meu obstetra. Conhecemo-nos, não no consultório, mas nas salas de cinema de Tróia. Digo eu para facilitar. Estavam connosco a Antónia, minha mulher, de quem, por acaso, o António não é obstetra, que já bem basta que seja o meu. Continue lendo “O obstetra de John Barrymore”
De mal a pior
A um ano das eleições gerais, os protagonistas conhecidos na disputa para o Planalto impressionam. Não por ideias, plataformas ou coisa que o valha. Mas pela falta delas. Pela repetição de vícios e modos. Continue lendo “De mal a pior”
Quem sabe essa á a nossa chance?
Em 11 de julho de 2008 assinei aqui neste Blog um artigo sobre o Rio que, entre outras coisas, dizia o seguinte:
“Só não vê quem não quer: ruas sujas, esgoto a céu aberto, um cheiro de urina entranhado até nas esquinas do centro financeiro da cidade, que dirá em bairros afastados. Continue lendo “Quem sabe essa á a nossa chance?”
Refundação do Estado
A questão do papel do Estado é um divisor de águas e tende a estar no centro da disputa presidencial. As duas candidaturas populistas estão presas a modelos passados que perderam sentido e não respondem às necessidades do século 21. O Brasil de hoje é inteiramente diferente do que era nos tempos do varguismo ou do estatismo do presidente militar Ernesto Geisel. Mas a direita e a esquerda estatistas pensam ainda ser possível alavancar o desenvolvimento a partir do intervencionismo estatal. Não por coincidência, Lula e Bolsonaro são pródigos em elogios à era Geisel. Continue lendo “Refundação do Estado”
A angústia da despedida
Ninguém se despediu como Sócrates. Condenado pelos juízes, feito o discurso de adeus aos amigos, já a rude taça de cicuta à espera dos seus lábios, as últimas palavras de Sócrates rompem entre a vida e a morte: “Agora é tempo de partir. Eu para morrer, vós para viver. Quem vai para melhor nenhum de nós o sabe, sabem-no talvez os deuses.” Continue lendo “A angústia da despedida”
Inspirações golpistas
“Tanto os velhos partidos como os novos, em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimem ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na partilha dos despojos e nas combinações oportunistas em torno de objetivos subalternos”. Continue lendo “Inspirações golpistas”
Liberdade, sempre. Mas sem limites?
Nós, os da minha geração, somos peças de museu em relação à Internet. Ao contrário dos adolescentes de hoje que já nasceram num mundo digital, nós fomos acompanhando o surgimento de novidades tecnológicas e tendo que aprender a lidar com elas. Continue lendo “Liberdade, sempre. Mas sem limites?”
Cortem as alusões intelectuais
Nem a mãe gostava dele. Em Dead End, um filme de William Wyler, Bogart é um assassino impiedoso. Acompanhado por um dos seus facínoras, regressa ao bairro onde cresceu, na busca nostálgica de um pingo perdido de afecto. Continue lendo “Cortem as alusões intelectuais”
Vitor Gabriel
Escrevo neste Dia dos Mortos de 2017, para ser publicada no Blog do Noblat de amanhã, 3 de novembro. E o faço profundamente triste. Continue lendo “Vitor Gabriel”
Vivandeiras petistas
“O que nós de esquerda devemos perguntar aos militares é a quem eles querem servir: ao povo e à nação ou à facção financista e rentista que assaltou o poder? Que rasgou a Constituição e o pacto social e que destrói, dia a dia, a soberania nacional, entregando de mão beijada para o capital externo nossas empresas – estatais ou não -, nossas riquezas minerais, nossas terras férteis.” Continue lendo “Vivandeiras petistas”
A literatura contra o cinema
No cinema, não há memória de ninguém ter amado um burro como Anne Wiazemsky amou Balthazar. O filme, Au Hasard, Balthazar, realizou-o Robert Bresson, inspirando-se no Idiota de Dostoievsky. Continue lendo “A literatura contra o cinema”
Todo poder a Stálin
“Paz, Pão e Terra”, prometiam os bolcheviques que fizeram a revolução de 1917 sob o lema “todo poder aos sovietes” e contrariaram os cânones do marxismo, para quem o socialismo pressupunha uma base material desenvolvida, o que não existia na Rússia czarista. A “heresia” de Vladimir Ilyich Lênin consistiu em pular a etapa da revolução burguesa e fazer a revolução socialista em um país agrário, no qual a classe operária era extremamente minoritária. Continue lendo “Todo poder a Stálin”
A humilde voz de Charles Laughton
Charles Laughton é para aí avô de Francis Coppola. Em 1940, vestindo a pele de Tony Patucci, o actor Charles Laughton foi dono de uma vinha em Napa Valley. Coppola tinha então menos de um ano e vivia em Detroit, longe de saber o que era um cacho de uvas e uma garrafa de vinho e mais longe ainda de saber o que o século XXI faria a Detroit. Continue lendo “A humilde voz de Charles Laughton”
O que em vez de quem
A tensão predominava no plenário naquele 12 de dezembro de 2007 quando o Senado cravou o fim da CMPF por 45 a 34 votos. Para o então presidente Lula, a derrota significava o fim do sonho do terceiro mandato, enterrado ali junto com o imposto do cheque. Continue lendo “O que em vez de quem”
O Brasil piora a passos largos
No excelente filme Getúlio, de 2014, no qual Tony Ramos dá um show de interpretação, há uma cena que muito me impressionou. Continue lendo “O Brasil piora a passos largos”





